O tom de euforia e otimismo marcou a semana. Se antes avistamos o cenário exterior mais nebuloso marcado por fortes quedas, agora vislumbramos uma luz no fim do túnel.

Alguns motivos: petróleo em alta, minério de ferro subindo e um clima mais amistoso com a sinalização de um acordo de paz comercial entre Estados Unidos e China.

Mesmo que você não tenha acompanhado de perto os mercados no último ano, ao menos ouviu falar de um dos assuntos mais comentados: a guerra comercial entre EUA e China. A novela pode ser resumida assim: Trump foi ao Twitter e disse que iria aumentar as taxas dos produtos importados da China. Sem deixar barato, o gigante chinês respondia na mesma medida.

É claro que envolveu uma bela disputa de poder entre os dois países. Mas como há grande interdependência entre as duas economias, e os impactos começaram a ser sentidos – em especial, o risco de maior desaceleração global – começamos a ver uma virada de mão.

Desde o encontro do G-20 em Buenos Aires em novembro, a calmaria com trégua tarifária de 90 dias foi estabelecida, mas ainda com alguma cautela. E esta semana acompanhamos o encontro entre as autoridades dos países que prometem um comunicado em breve.

Com este cenário mais ameno, as bolsas mundiais retomaram leves altas (que não eram vistas há algum tempo) e o dólar caiu contra a maioria dos pares.

Vale lembrar que o clima de festa lá fora está bem menor do que o temos visto aqui. Então, controle um pouquinho a emoção. Outros pontos de atenção: a desaceleração global e as decisões de Trump a respeito da construção do muro na fronteira com o México.

Na expectativa

Os sinais de que teremos uma reforma da Previdência a cada dia se evidenciam. Agora, o novo gatilho para o otimismo foi a vinculação de conversas sobre uma reforma mais agressiva e robusta e não mais fatiada. Apesar de ser uma proposta apenas (complicada de ser implementada), o mercado entende como um passo bem importante e faz festa enquanto fica na expectativa.

Dentre os destaques positivos da nova proposta, estão a alteração da regra de transição de dez a 12 anos, período bem mais curto do que os 21 anos previstos na versão do ex-presidente Michel Temer. Ou seja, maior economia dos gastos.

Cada nova sinalização empurra a Bolsa brasileira e derruba as taxas dos contratos dos juros futuros, além de fortalecer o nosso real.

Cadê o fluxo gringo?

A maior parte do fluxo estrangeiro, apenas virá quando estiver bem confortável. Com isso, quero dizer: algum sinal de calmaria internacional e reforma da Previdência aprovada, ou até mesmo maior confiança nas mudanças propostas pelo novo governo.

O ano de 2018 encerrou com fluxo negativo de US$ 995 milhões. Mesmo neste início de 2019, a saída foi de US$ 1,3 bilhão nos dias 2,3 e 4 de janeiro.

Mas ainda assim, acompanhamos uma bela queda na cotação do dólar, colocando cada dia mais o Brasil como destaque internacional. Vide quando observamos um conjunto de 33 moedas globais, e o real brasileiro aparece como destaque, apreciando 5% de aumento contra a divisa americana.

Enquanto isso, o que esperamos mesmo é que este fluxo estrangeiro volte a vir com força, além do cenário político, contamos com outros impulsos para agora, como as exportações agrícolas e posições de fundos e empresas que foram fechadas no fim de 2018.

Portanto, diante deste cenário, as perspectivas daqui para a frente são: o dólar ainda levará um tempo para atingir patamares mais baixos; sigo com a perspectiva de R$ 3,70. Com tanto sobe e desce lá fora e riscos, nenhum investidor irá baixar a guarda em 2019.

Muita cautela, investidor, e aproveite os momentos de forte queda para a compra de moeda forte.

Um abraço e até semana que vem.

Glenda Mara Ferreira é Economista, bacharel em Relações Internacionais com experiência em planejamento financeiro. Atualmente é especialista em investimentos na Levante e acabou de inaugurar um canal no YouTube sobre finanças pessoais, Glenda Mara.

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