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Ilha de Páscoa – conhecida localmente como Rapa Nui – é um dos destinos mais remotos e enigmáticos do mundo. Localizada no meio do Oceano Pacífico e pertencente ao Chile, a ilha guarda os mistérios das gigantescas estátuas moai e uma cultura única polinésia. Com cerca de 162 km² e apenas 7 mil habitantes, Rapa Nui oferece paisagens vulcânicas, praias de areia clara e sítios arqueológicos impressionantes. 

Apesar de fazer parte do Chile, a ilha está a 3.700 km da costa chilena (Valparaíso) e cerca de 4.100 km do Taiti, o que a torna extremamente isolada. Curiosamente, o Chile continental fica mais perto do Brasil do que da Ilha de Páscoa, reforçando o quão remoto é esse pedaço de terra no Pacífico. A seguir, descubra onde fica, como chegar, quando visitar, o que fazer e outras curiosidades desse destino.

As enigmáticas estátuas moai da Ilha de Páscoa intrigam visitantes há séculos, sendo símbolos da cultura Rapa Nui e Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1995.

Onde fica a Ilha de Páscoa?

A Ilha de Páscoa (Rapa Nui, em língua nativa) fica no sudeste do Oceano Pacífico, na região da Polinésia, formando um vértice do famoso Triângulo Polinésio junto com o Havaí e a Nova Zelândia. Embora politicamente seja parte do Chile (região de Valparaíso) desde 1888, a ilha está isolada a milhares de quilômetros de qualquer continente. Sua localização exata torna a Ilha de Páscoa uma das ilhas habitadas mais isoladas do planeta

A capital e única cidade é Hanga Roa, na costa oeste, onde vive a maior parte da população e se concentram os serviços turísticos. Por estar inserida na Polinésia, a cultura local tem raízes polinésias mais fortes do que chilenas – isso se reflete na língua nativa (rapanui), nas tradições e na fisionomia do povo local.

A geografia da Ilha de Páscoa conta com relevo marcado por 3 vulcões

Em termos geográficos, a ilha é de origem vulcânica e possui relevo marcado por três vulcões principais já extintos: Rano Kau, Poike e Terevaka (este último é o ponto mais alto, com cerca de 507 m). Esses vulcões formaram a ilha há milhões de anos, dando origem ao solo rico em rochas basálticas de que são feitos os famosos moai. Com clima subtropical, praias de águas azul-turquesa e pastos ondulados, Rapa Nui oferece uma mistura singular de história e natureza em meio ao Pacífico Sul.

Quando ir à Ilha de Páscoa?

A Ilha de Páscoa pode ser visitada o ano todo, pois apresenta pouca variação extrema de clima ao longo dos meses. As estações do ano coincidem com as do Brasil (ambos no hemisfério sul). O verão austral (dezembro a março) é considerado a melhor época: as temperaturas ficam em torno de 27 °C, há bastante sol e menos chances de chuva. Nesse período, especialmente em janeiro e fevereiro, a ilha recebe mais turistas – é alta temporada e os preços tendem a subir. Já o inverno (junho a agosto) é ameno, com médias de 19–21 °C, porém traz um volume maior de chuvas e ventos. Mesmo assim, a chuva na Ilha de Páscoa costuma ser passageira e não chega a atrapalhar muito, pois o tempo muda rapidamente.

Para quem busca clima agradável e movimento moderado, os meses intermediários (outubro, novembro e março, abril) podem ser ideais – temperaturas em torno de 25 °C e umidade moderada. Vale destacar que em julho acontece o festival Tapati Rapa Nui, importante celebração da cultura local, com apresentações de música, dança e competição tradicional – uma ótima oportunidade para vivenciar a cultura rapanui, embora seja uma época concorrida.

Dica: leve sempre um casaco leve impermeável ou capa de chuva na mala. Como a ilha é isolada em mar aberto, o clima pode ser instável – um dia de sol forte pode ter uma pancada de chuva repentina, seguida de céu azul novamente. Estar preparado garante que você aproveite os passeios sem imprevistos climáticos.

Como chegar à Ilha de Páscoa?

A única forma de chegar à Ilha de Páscoa é de avião, partindo do Chile continental ou de outro destino polinésio. O principal acesso é via Santiago do Chile, pelo Aeroporto Internacional Comodoro Arturo Merino (SCL), que opera voos diretos para a ilha. A companhia LATAM oferece voos diários de Santiago para o Aeroporto Mataveri (IPC) na Ilha de Páscoa. 

Duração do voo de Santiago a Rapa Nui

A viagem de Santiago até Rapa Nui dura cerca de 5h50 a 6h na ida (vôo de aproximadamente 3.700 km) e cerca de 4h30 na volta. Essa diferença ocorre por conta dos ventos: voando para oeste, contra os ventos predominantes, o trajeto leva um pouco mais de tempo. A rota é operada por jatos de grande porte (como o Boeing 787) devido à distância e por Mataveri ser um dos aeroportos mais remotos do mundo.

É possível voar a Ilha de Páscoa direto do Brasil? 

Não, não há voos diretos do Brasil para a Ilha de Páscoa. Todo o trajeto envolve pelo menos uma conexão, geralmente em Santiago. Brasileiros podem, por exemplo, voar de São Paulo a Santiago (cerca de 4h de viagem) e, de lá, embarcar no voo para Rapa Nui. A maioria dos voos de Santiago para a ilha parte pela manhã, então pode ser necessário pernoitar em Santiago dependendo do horário de chegada do voo do Brasil. 

Outra opção menos comum é via Taiti (Papeete), de onde ocasionalmente há voos para a Ilha de Páscoa – mas essa rota é operada com pouca frequência e geralmente não é a escolha principal para quem sai do Brasil.

Como é o aeroporto da Ilha de Páscoa?

O Aeroporto Internacional Mataveri (IPC) é o único aeroporto da ilha e tem suas peculiaridades. Inaugurado em 1967, possui uma pista de pouso longa (aprox. 3,3 km) que ocupa boa parte da planície próximo a Hanga Roa – isso porque o local chegou a ser alternativo de emergência para o programa espacial dos EUA, recebendo melhorias na pista. A

pesar da pista extensa, a infraestrutura do terminal é simples e rústica: o desembarque é feito direto no pátio, e o prédio do aeroporto é pequeno, com telhados tradicionais de palha e ambientes abertos, refletindo o estilo local. 

Ao chegar, todos os visitantes passam pelo controle da Policía de Investigaciones (PDI) do Chile, similar à imigração, e também pelo Serviço Agrícola e Pecuário (SAG), que fiscaliza para evitar a entrada de produtos agrícolas ou animais não permitidos. Esse procedimento de controle é rigoroso para proteger o ecossistema frágil da ilha.

A localização do aeroporto é prática – fica a apenas ~2 km do centrinho de Hanga Roa. Muitos hotéis oferecem transfer gratuito de/para o aeroporto, recepcionando os turistas com colares de flores na chegada, uma tradição polinésia de boas-vindas. Caso seu hotel não ofereça traslado, há táxis e agências locais disponíveis, mas lembre-se de combinar o preço antecipadamente (a corrida do aeroporto ao centro pode custar em torno de 10.000 CLP, dependendo do local exato).

Preciso de visto ou vacina para visitar a Ilha de Páscoa?

Para brasileiros em viagem de turismo, não é necessário visto para entrar no Chile (incluindo a Ilha de Páscoa) para estadias de até 90 dias. Brasileiros podem entrar com passaporte válido ou até mesmo com a carteira de identidade (RG) em bom estado e emitida há menos de 10 anos, graças a acordos com países sul-americanos. 

Entretanto, a Ilha de Páscoa possui regras especiais de entrada determinadas pela Lei 21.070, visando proteger a ilha do excesso de visitantes. Todos os turistas devem cumprir os seguintes requisitos antes de embarcar para Rapa Nui:

  • Formulário de Entrada (FUI): preencher online o Formulário Único de Ingresso e apresentar o e-mail de confirmação na chegada. Esse registro controla sua entrada e saída da ilha.
  • Limite de permanência: turistas (chilenos ou estrangeiros) podem ficar no máximo 30 dias na ilha. A passagem de volta deve estar dentro desse prazo, e a PDI verifica isso no embarque.
  • Hospedagem registrada: é obrigatório ter uma reserva de hospedagem em estabelecimento autorizado pelo SERNATUR (o órgão de turismo do Chile) ou uma carta-convite de um morador local. As autoridades podem pedir comprovante da reserva.
  • Passagem de retorno: deve-se apresentar o bilhete de saída da ilha (de volta ao continente ou para outro destino), respeitando o limite de 30 dias.

Vacinas para entrar na Ilha de Páscoa não são obrigatórias

Sobre vacinas: atualmente não há vacinas obrigatórias específicas para entrar no Chile ou na Ilha de Páscoa (a vacina de febre amarela não é exigida). As restrições de Covid-19 foram flexibilizadas; recomenda-se estar com o esquema vacinal em dia, mas não há mais necessidade de apresentar comprovante de vacinação ou teste negativo (políticas sujeitas a mudanças, sempre confirme antes da viagem). 

Dica: ainda que o seguro-viagem não seja exigido, é altamente recomendado contratar um, especialmente pela localização remota da ilha e pela necessidade de evacuação aérea em casos médicos graves.

Onde se hospedar na Ilha de Páscoa?

Apesar de pequena, a Ilha de Páscoa oferece diversas opções de hospedagem, mas a principal decisão é escolher ficar no centrinho de Hanga Roa ou em áreas mais isoladas.

  • Hanga Roa (Centro): hospedar-se na cidade garante proximidade a restaurantes, agências de passeio, lojas, ao porto e a atrativos como Tahai. É possível fazer muita coisa a pé. Entretanto, por concentrar a vida local, pode ser barulhento – muitas motos e carros circulando. Se você valoriza comodidade e quer economizar tempo de deslocamento, ficar no centro é o ideal. Há hotéis bem avaliados como o Tauraa Hotel, Hotel Puku Vai e pousadas simples, além de hostels para mochileiros.
  • Áreas afastadas: Hotéis mais distantes do centro oferecem tranquilidade total, vistas privilegiadas e contato intenso com a natureza. Por exemplo, o luxuoso Explora Rapa Nui e o Nayara Hangaroa (antigo Hangaroa Eco Village) ficam fora da zona urbana, proporcionando experiência exclusiva. Outro destaque é o Hotel Altiplánico Rapa Nui, localizado a ~5 km do centro, em frente ao mar – conhecido pelo pôr do sol magnífico e bangalôs em estilo local. A desvantagem de se hospedar longe é a dependência de transporte para tudo; muitos desses hotéis oferecem traslado ao centro em horários programados.

Dica para quem vai se hospedar longe do centro: alugar um carro, bicicletas, motos ou quadriciclos pode ser viável

Uma dica para quem se hospeda longe do centro (ou quer explorar a ilha livremente) é alugar um carro. Com um carro, chega-se ao vilarejo e aos pontos turísticos com facilidade, já que há basicamente uma estrada principal que faz a volta na ilha. Também existem opções de alugar bicicletas, motos ou quadriciclos em Hanga Roa. 

Lembre-se apenas de que em alguns parques arqueológicos a entrada só é permitida com guia autorizado, então nem todos os locais podem ser visitados de forma independente. Outra alternativa de hospedagem autêntica é ficar em casas de moradores via Airbnb, vivenciando a rotina local – mas cheque se o host cumpre as regulações turísticas da ilha.

O que fazer na Ilha de Páscoa?

A Ilha de Páscoa é praticamente um museu a céu aberto, repleto de sítios arqueológicos, vulcões extintos, praias e cenários naturais lindíssimos. As principais atrações giram em torno da história Rapa Nui – especialmente dos moai, as imponentes estátuas de pedra.

Quais são os principais pontos turísticos da Ilha de Páscoa?

1. Plataformas cerimoniais com moai, mais de 900 estátuas catalogadas

Os moai são sem dúvida a grande atração da ilha. São cerca de 900 estátuas catalogadas, esculpidas em rocha vulcânica entre os séculos XIII e XVI. Originalmente, os moai representavam ancestrais e líderes tribais, colocados sobre plataformas chamadas ahu de costas para o mar, vigiando e protegendo o povo no interior da ilha. 

Com o passar do tempo, muitos moai foram derrubados devido a conflitos tribais e mudanças de crenças – hoje estima-se que apenas cerca de 50 moai estejam de pé graças a restaurações. 

Locais imprescindíveis para ver as estátuas moai:

  1. Ahu Tongariki: o cartão-postal clássico de Rapa Nui. É a maior plataforma cerimonial, com 15 moai alinhados lado a lado. Tongariki proporciona o nascer do sol mais bonito da ilha, quando o sol desponta atrás das estátuas – um espetáculo imperdível (vá bem cedo!).
  2. Rano Raraku: conhecido como a “fábrica de moai”, é o vulcão-canteiro de onde foram extraídas e esculpidas a maioria das estátuas. Em suas encostas estão mais de 400 moai em diferentes estágios – alguns enterrados até o pescoço, outros inacabados na rocha. Caminhar por Rano Raraku é como voltar no tempo e testemunhar o processo de construção das estátuas.
  3. Ahu Nau Nau (praia de Anakena): plataforma com 7 moai restaurados na praia mais bonita da ilha, Anakena. Alguns desses moai possuem pukao (os “coques” ou chapéus de pedra vermelha) e apresentam detalhes esculpidos nas costas. Além da história, você aproveita a Praia de Anakena, de areia branca e mar azul cristalino – ótima para um mergulho após explorar os moai.
  4. Ahu Akivi: conjunto de 7 moai erguidos no interior da ilha, não na costa. Segundo a lenda, eles representam os sete exploradores enviados pelo rei Hotu Matu’a antes da colonização de Rapa Nui. Esses moai têm a particularidade de estarem alinhados com precisão astronômica – são os únicos que encaram o horizonte onde o sol se põe (voltados para o oceano).
  5. Tahai: complexo de três ahus pertinho de Hanga Roa, incluindo um moai com olhos reconstituídos. É famoso pelo belíssimo pôr do sol – ver o sol se pondo no Pacífico com silhuetas de moai à frente é mágico. Por ser acessível a pé, Tahai costuma ser o primeiro passeio dos visitantes no dia da chegada.
  6. Outros sítios: há vários outros ahus e ruínas: Ahu Vinapu (destaca-se pelo muro de pedra com encaixes perfeitos, lembrando a engenharia inca Ahu Vaihu (moai tombados, alguns com “cabelos” de pedra espalhados, Akahanga (ruínas de uma aldeia com moai caídos), entre outros. Quem tiver mais tempo pode explorar também as cavernas naturais – como Ana Kakenga (a “caverna das duas janelas”, com vista para o mar) e Ana Te Pahu, usadas pelos antigos habitantes como refúgio.

2. Vulcões e paisagens naturais: ver os vulcões extintos é um passeio imperdível

  1. Rano Kau: vulcão com uma imensa cratera circular que abriga um lago e uma microfloresta no interior. Do mirante no topo, tem-se uma vista panorâmica espetacular da cratera verde-azulada de um lado e, do outro, o oceano infinito e os motus (ilhéus) ao largo da costa. Esse visual faz Rano Kau ser considerado o vulcão mais bonito da ilha.
  2. Orongo: nas bordas de Rano Kau fica Orongo, um antigo vilarejo cerimonial onde acontecia a competição do Homem-Pássaro (Tangata Manu). Ali é possível ver casas de pedra com arquitetura única (semi-subterrâneas e ovais) e vários petróglifos relacionados ao culto do homem-pássaro. Orongo oferece vistas para os motus (ilhas Motu Nui, Motu Iti e Motu Kao Kao) e ao mar aberto – cenário incrível para fotos. A entrada em ambos está incluída no ingresso do Parque Nacional Rapa Nui (exigido para visitar esses locais).
  3. Terevaka: ponto mais alto da ilha (507 m de altitude). Uma trilha leva até seu cume, de onde se avista a ilha inteira cercada pelo Pacífico a 360°. A caminhada leva cerca de 2 a 3 horas (ida e volta) e requer preparo físico moderado, mas o panorama compensa – ideal para quem fica mais dias e gosta de trekking.

3. Praias e mar, com atividades de mergulho e snorkel em Ovahe e Praia de Anakena

A Ilha de Páscoa não é exatamente um destino de praia como outras ilhas tropicais, mas tem suas belezas costeiras. A Praia de Anakena é a principal: uma baía de areia coralina clara, rodeada de coqueiros (plantados nos anos 60) e com mar calmo de tom azul-turquesa. É excelente para banho, piquenique e fotos com os moai do Ahu Nau Nau ao fundo. 

Outra praia é Ovahe, menor e mais rústica, escondida em uma enseada com falésias rosadas – linda, porém às vezes imprópria para banho dependendo das condições do mar. Para os amantes do mar, vale considerar: mergulho e snorkel são atividades disponíveis, com águas claras (visibilidade de 30m em certas épocas) revelando peixes tropicais e corais. Há um moai submerso nas águas de Rapa Nui – trata-se de uma estátua colocada propositalmente no fundo do mar para atrair mergulhadores, já que os moai originais não vieram parar no oceano.

4. Visite museus e se insira na cultura local

Para compreender melhor a história local, visite o Museu Antropológico Padre Sebastián Englert em Hanga Roa. Nele há artefatos originais, ferramentas usadas para esculpir moai, uma réplica de um moai com olhos e muitas informações sobre a cultura rapanui. É pequeno, porém rico em conteúdo – ótimo para iniciar a viagem com contexto histórico. 

À noite, uma dica é assistir a uma apresentação de dança tradicional polinésia. Grupos locais como Ballet Kari Kari fazem shows com músicas e danças típicas da ilha (similar às danças havaianas e taitianas), com trajes tradicionais – uma forma animada de encerrar o dia e apoiar a cultura local.

Que atividades turísticas fazer em Rapa Nui?

Trilhas e exploração, seja por jipe/quadriciclo ou por conta própria

Alugar um jipe ou quadriciclo e dar a volta à ilha por conta própria é uma aventura incrível. A estrada principal é asfaltada na maior parte e conecta Hanga Roa a Anakena (norte) e à região leste (Tongariki/Rano Raraku). Em alguns trechos você dirige à beira-mar, em outros passa por imensas pastagens com cavalos selvagens pelo caminho. 

Também há trilhas demarcadas para chegar a certos pontos isolados, como o topo do Terevaka ou algumas cavernas. Sempre leve água e protetor solar – o sol do Pacífico é forte e a infraestrutura fora da cidade é mínima.

Esportes aquáticos, como surf, stand-up paddle e mergulhos

Rapa Nui tem mar agitado em boa parte da costa, propício para surf – inclusive já sediou etapas de campeonatos de surfe. Para os não tão radicais, é possível fazer stand-up paddle ou caiaque em enseadas mais abrigadas, como na praia de Pea (em Hanga Roa) quando o mar está calmo. 

Mergulho autônomo é destaque: operadoras locais levam a pontos com corais, onde se pode ver tartarugas marinhas e o misterioso moai submerso. A visibilidade nas águas da ilha é considerada uma das melhores do mundo, variando de 20 a 50 metros!

Vivência cultural: esculturas em pedra ou madeira, participar de festival durante o Tapati, pinturas corporais e outros

Há oficinas onde você aprende a esculpir pequenas esculturas em pedra ou madeira com artesãos rapanui. Visitar a feira de artesanato municipal também é interessante – lá se vendem estátuas moai de todos os tamanhos, peças de obsidiana, colares de conchas e outros souvenirs típicos. 

Se você tiver a sorte de estar na ilha durante o Tapati (festival cultural em fevereiro), poderá ver competições como corrida com carga de bananas, pintura corporal e eleição da rainha da ilha, entre outras celebrações tradicionais.

Curiosidades da Ilha de Páscoa

  • “Umbigo do Mundo”: os antigos polinésios referiam-se à Ilha de Páscoa como Te Pito O Te Henua, que significa umbigo do mundo. De fato, a sensação ao visitar é de estar no centro de um vasto oceano, isolado de tudo.
  • A ilha tem cerca de 7 mil habitantes atualmente. Destes, aproximadamente 60% são de ascendência rapanui (polinésia) e 40% continentais chilenos ou de outras origens. Muitos nativos falam a língua rapanui (cerca de 3 mil pessoas), além do espanhol – que é idioma oficial no território. Inglês é entendido em zonas turísticas, mas não é tão comum quanto em outros destinos.
  • Não há rios permanentes na Ilha de Páscoa. Toda a água doce disponível vem de reservas de chuva acumuladas em lençóis subterrâneos ou nos lagos das crateras vulcânicas. Por isso, a conservação de água sempre foi crucial para os habitantes.
  • A ilha não está conectada a nenhuma rede elétrica continental. A eletricidade local é gerada por usinas a diesel e, mais recentemente, por alguns painéis solares. É por isso que, fora de Hanga Roa, não se vêem muitos postes ou fios – e também se justifica o custo elevado de energia, tornando comum os alojamentos solicitarem que os hóspedes economizem luz e água.
  • Estimativas apontam que existam aproximadamente 900 moai espalhados pela ilha (erguidos ou não). Apenas um pequeno número está restaurado em pé – a maioria permanece tombada, meio enterrada ou ainda em fase de estudo arqueológico.
  • Devido à sua importância cultural e arqueológica, a Ilha de Páscoa inteira, através do Parque Nacional Rapa Nui, foi declarada Patrimônio Mundial pela UNESCO em 1995. Isso ajuda na preservação dos moai e sítios históricos, além de limitar construções desordenadas.
  • Tangata Manu – o Homem-Pássaro: após a era de construção dos moai ter terminado (provavelmente por volta do século XVII), um novo culto surgiu na ilha. Os clãs competiam anualmente em Orongo para eleger o Homem-Pássaro (Tangata Manu), representante do deus Make-Make. O desafio envolvia descer o penhasco de Orongo, nadar até o ilhote Motu Nui, coletar o primeiro ovo da ave manutara e retornar com ele intacto. O vencedor garantia prestígio e privilégios ao seu clã por um ano. Essa tradição durou até o século XIX e é contada nos tours à aldeia de Orongo.
  • Origem do nome “Ilha de Páscoa”: os europeus chegaram à ilha pela primeira vez em 5 de abril de 1722 – dia do domingo de Páscoa daquele ano. O explorador holandês Jakob Roggeveen batizou-a de Paasch-Eyland (Ilha de Páscoa) em referência à data. O nome pegou e assim é conhecida mundialmente, embora os habitantes prefiram Rapa Nui.

Moeda e gastos na Ilha de Páscoa

A moeda oficial da Ilha de Páscoa é o Peso Chileno (CLP). Por estar integrada ao Chile, toda a economia local opera em pesos – desde ingressos de parques até restaurantes e lembrancinhas. Em setembro de 2025, 1 real brasileiro equivalia a cerca de 180 pesos chilenos, então 1.000 CLP ~ R$5,50

Ainda assim, turistas brasileiros costumam comparar os custos a de grandes cidades. Por exemplo, uma empanada típica na ilha custa em torno de 4.000 CLP (aprox. R$ 22) e uma cerveja 500ml local sai por uns 6.500 CLP (R$ 36). Já um prato principal elaborado num bom restaurante (como um risoto de frutos do mar) pode chegar a 18.000 CLP (cerca de R$ 100).

Em média, um casal gasta entre 40.000 e 70.000 CLP por dia com alimentação (R$220–380) se fizer duas refeições em restaurantes. Economizar é possível comprando lanches no mercado ou optando por menús del dia (pratos feitos) em locais simples. Dica: Experimente a culinária local, que tem forte ênfase em peixes e frutos do mar – o ceviche de atum de Rapa Nui é reconhecido como um dos melhores do Pacífico!

Para passeios, considere o custo do ingresso do Parque Nacional Rapa Nui, que é obrigatório para acessar os principais parques arqueológicos. Ele custa US$ 80 por pessoa (estrangeiros) e vale por 10 dias. Você pode comprá-lo ao chegar, no aeroporto ou no centro de Hanga Roa, e ele será solicitado em lugares como Rano Raraku e Orongo – não perca o ticket! Tours guiados na ilha também têm preços relativamente altos: um passeio full-day de grupo fica na faixa de 50.000 a 60.000 CLP por pessoa (R$ 280–330), enquanto meios-dias saem cerca de 30.000 CLP (R$ 165) cada. Se preferir contratar guia privado, o valor sobe bastante, mas a experiência é personalizada.

Quanto ao pagamento, leve pesos chilenos em espécie para pequenas despesas e caso a máquina de cartão não funcione (a internet na ilha é instável). A boa notícia é que cartões de crédito internacionais são amplamente aceitos na maioria dos estabelecimentos turísticos Em Hanga Roa há caixas eletrônicos (ATMs) onde é possível sacar em pesos, mas às vezes podem ficar sem dinheiro em feriados ou alta temporada. Dólares americanos até são aceitos em alguns locais, mas não conte com isso – se usar dólar, o troco normalmente vem em pesos e a taxa de conversão não será favorável. Prefira já chegar com pesos ou trocar em Santiago antes do embarque.

Resumo de gastos (estimativa)

Uma viagem de 5 dias para a Ilha de Páscoa, saindo do Brasil, incluindo passagem aérea, hospedagem de nível médio, alimentação, ingressos e passeios, pode ficar em torno de R$5.000 a R$7.000 por pessoa. É um investimento considerável, mas conhecer esse lugar único – suas paisagens, história e cultura – é uma experiência realmente singular.

Sugestões de roteiro para 3, 5 e 7 dias na Ilha de Páscoa

Quantos dias ficar em Rapa Nui? Isso depende do seu ritmo, interesse e orçamento. Em geral, 3 dias inteiros é o mínimo recomendável para cobrir o essencial sem correria, 5 dias permite ver tudo com calma e incluir atividades extras, e com 7 dias você consegue uma imersão completa e até relaxar curtindo o clima da ilha. Veja nossas sugestões de roteiro:

Roteiro de 3 dias na Ilha de Páscoa

Dia 1: explore os arredores de Hanga Roa. Visite pela manhã o Museu Antropológico para se contextualizar sobre a história rapanui. Depois, vá à Ahu Tahai, complexo de moais perto do centro, e conheça seus três altares (Ahu Vai Uri, Tahai e Ahu Ko Te Riku – o único com olhos). No fim da tarde, assista ao pôr do sol em Tahai, que é espetacular. À noite, jante num restaurante local – prove o atum fresco da ilha – e considere assistir a um show de dança polinésia como boas-vindas culturais.

Dia 2: reserve para um tour completo pelos moai no lado leste e norte. De manhã cedo, vá até a costa leste ver o nascer do sol em Ahu Tongariki – vale acordar antes das 6h para presenciar o sol emergindo atrás das 15 estátuas alinhadas, uma cena inesquecível. Em seguida, visite o vizinho vulcão Rano Raraku, percorrendo a trilha pelo meio das dezenas de moais espalhados na encosta; é como caminhar pela “fábrica” das estátuas. Continue o passeio passando por ahus menores pelo caminho (como Ahu Akahanga e Ahu Te Pito Kura, onde está o maior moai já esculpido, hoje derrubado). No norte da ilha, relaxe na Praia de Anakena – aproveite para almoçar em uma das barraquinhas de comida (um peixe grelhado ou empanadas) à sombra dos coqueiros. No local, veja os moai do Ahu Nau Nau de perto. Retornando ao fim do dia, se ainda tiver disposição, suba ao mirante de Puna Pau (pedreira dos “pukao”, os chapéus vermelhos) próximo a Hanga Roa.

Dia 3: manhã dedicada à região sudoeste. Vá até o topo do vulcão Rano Kau e maravilhe-se com a vista da cratera e do mar. Logo ao lado, explore a aldeia cerimonial de Orongo – observe as casas tradicionais de pedra e os petróglifos do Homem-Pássaro, aprendendo sobre essa curiosa competição histórica. Desça de volta a Hanga Roa para almoçar. À tarde, você pode fazer uma atividade aquática: snorkel em Ovahe (se o mar permitir) ou um mergulho guiado. Em alternativa, faça compras de lembranças na vila e visite a Igreja de Hanga Roa, que combina símbolos católicos e rapanui. Despeça-se da ilha com um jantar especial – quem sabe um umu pae, típico churrasco polinésio assado em forno subterrâneo (se disponível), ou um último ceviche com pisco sour de frutas locais.

Roteiro de 5 dias na Ilha de Páscoa

Dias 1 a 3: siga o roteiro básico anterior, distribuindo as visitas sem pressa. Por exemplo, no dia 1, além de Tahai, você pode estender caminhando até a caverna Ana Kai Tangata (perto do aeroporto), que tem pinturas rupestres no teto e vista para o mar. No dia 2, depois de Tongariki e Rano Raraku, inclua uma parada no Ahu Akivi no retorno – pegue o entardecer com os 7 moai alinhados com o horizonte. No dia 3, depois de Orongo, visite as cavernas Ana Te Pahu (com túnel lávico amplo e vegetação interna) ou Ana Kakenga (lembre de levar lanterna), para vivenciar o lado natural da ilha.

Dia 4: faça algo fora do comum. Uma sugestão é encarar a trilha até o cume do Terevaka pela manhã, apreciando o visual panorâmico lá de cima. A tarde pode ser de descanso pós-hike – que tal curtir a Praia de Anakena novamente, ou conhecer a pequena Praia de Pea em Hanga Roa e observar as tartarugas marinhas que às vezes aparecem por ali? Alternativamente, você pode agendar um passeio de barco ao redor da costa, alguns levam até os motus próximos (não é permitido desembarcar nos motus, mas o passeio rende ótimas vistas da ilha desde o mar).

Dia 5: deixe este dia livre para repetir seu lugar favorito ou fazer algo que faltou. Pode ser a segunda visita a Tongariki se o primeiro amanhecer estava nublado, por exemplo. Ou um mergulho scuba mais elaborado. Talvez você queira revisitar o Rano Raraku com calma ou passar mais tempo fotografando os moai sob diferentes ângulos e luz. Com a folga de um dia extra, aproveite para absorver a atmosfera da ilha sem pressa – caminhe por Hanga Roa interagindo com os locais, experimente uma michelada de mango (cerveja com suco de manga e sal) em algum barzinho, e sinta a energia especial de Rapa Nui ao anoitecer olhando as estrelas (a baixa poluição luminosa proporciona um céu estrelado magnífico em noites limpas).

Roteiro de 7 dias na Ilha de Páscoa

Dia 6: mergulhar mais fundo na cultura local. Quem sabe participar de um workshop com nativos, aprendendo algumas palavras em rapanui, um pouco da música com ukulele ou da dança típica. Visite também locais menos frequentados: o Ahu Vinapu, por exemplo, com sua plataforma de pedras perfeitamente encaixadas que intriga arqueólogos; ou o Ahu Te Pito Kura, para ver a pedra esférica apelidada de “umbigo do mundo”. Tire esse dia para descobertas off-road: pegue um carro e saia dirigindo por estradinhas de terra – você pode tropeçar em sítios arqueológicos pequenos não sinalizados, ruínas de casas bote (antigas casas ovais de pedra), ou simplesmente achar um mirante isolado sobre falésias para um piquenique.

Dia 7: que tal um dia livre sem programação rígida? Acorde tarde, caminhe pela orla de Hanga Roa observando os pescadores e surfistas. Faça uma massagem relaxante no spa de algum hotel (muitos atendem não-hóspedes com reserva) para aliviar o cansaço das trilhas. Se for domingo, não perca a missa dominical na Igreja de Santa Cruz, que mistura canto polinésio e rito católico – é emocionante mesmo para não religiosos. À noite, jante em grande estilo: o restaurante do hotel Nayara Hangaroa ou do Explora (mediante reserva) oferecem alta gastronomia fusion com ingredientes locais, brindando sua última noite com uma refeição memorável.

Com 7 dias, você vivencia a ilha sem deixar nada de fora: natureza, história, aventura e o dolce far niente polinésio. Lembre-se de que Rapa Nui não é lugar de nightlife agitado ou compras luxuosas.

O que devo saber antes de ir à Ilha de Páscoa?

  • Leve seu passaporte ou RG. Tenha cópias impressas das reservas de hospedagem e do formulário FUI preenchido, pois serão conferidos no embarque para a ilha.
  • As tomadas na ilha seguem o padrão do Chile (dois pinos redondos ou três pinos redondos tipo L). A voltagem é 220V como no Brasil. Verifique se seus aparelhos são bivolt; caso contrário, leve adaptador/transformador.
  • O idioma local é o espanhol, mas muitas pessoas têm noções de inglês. Português não é falado por lá, então vale aprender algumas frases básicas em espanhol para facilitar (ou recorrer ao portunhol). 
  • A internet é limitada. Há 3G/4G em Hanga Roa (operadora Entel é a mais confiável), mas fora da cidade o sinal cai bastante. Considere comprar um chip local de dados se precisar muito, ou aproveite a viagem para se desconectar um pouco. 
  • Não há hospitais na ilha – apenas uma clínica básica em Hanga Roa. Portanto, redobre o cuidado em trilhas (use calçados fechados para evitar torções), passe protetor solar forte (o índice UV é muito alto) e repelente contra mosquitos ao entardecer. Em termos de segurança pública, a Ilha de Páscoa é bastante segura; crimes contra turistas são raríssimos.
  • Trate os sítios arqueológicos com respeito! Não suba nos ahus, não toque nos moai e não leve “lembranças” (pedras ou pedaços de obsidiana) – isso é ilegal e desrespeitoso. Siga as orientações dos guardas-parque.

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