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Qual é a tensão entre o Fed e o governo americano?

O ambiente institucional norte-americano atravessa um momento delicado. Nesta segunda-feira (21), os mercados globais reagiram com forte aversão ao risco após novas declarações do presidente Donald Trump direcionadas ao chairman do Federal Reserve, Jerome Powell. 

Em mais uma investida pública, Trump classificou Powell como “um grande perdedor” e cobrou cortes imediatos de juros, alertando que a economia americana caminha para a desaceleração caso o Fed não atue rapidamente.

Esse tipo de pressão mina a percepção de autonomia do Fed — um pilar da credibilidade do ambiente macro dos EUA há décadas. Em meio a uma guerra comercial errática e a uma inflação resiliente, a tensão institucional adiciona uma camada de incerteza que preocupa investidores e autoridades monetárias.

Como foi a reação do mercado?

A reação foi imediata e intensa. As bolsas americanas despencaram, com quedas superiores a 3% nos três principais índices. O Nasdaq, mais exposto às big techs — o grupo das “Sete Magníficas” — foi especialmente penalizado.

O ouro, tradicional ativo de proteção, ultrapassou a marca de US$3.500 por onça pela primeira vez na história, antes de devolver parte dos ganhos. No câmbio, o dólar perdeu força: o DXY recuou 1%, atingindo o menor nível desde 2022, marcando 97,92 pontos. Os emergentes também se beneficiaram no curto prazo, com o real figurando entre as moedas que mais se valorizaram no pregão.

A ameaça velada de destituição de Powell somou-se aos riscos já precificados desde o anúncio das novas tarifas americanas – grande parte do mercado aponta para uma queda de crescimento e ampliação da inflação.

Como este movimento afeta o Brasil?

Este cenário incerto afeta a economia brasileira de forma potente, tendo em vista que a crise americana não é meramente econômica, mas parece institucional.

Caso os juros nos EUA caiam, o diferencial de juros entre EUA e o Brasil irá aumentar. Caso a demissão de Powell se concretize, o impacto pode ser duplo: no curto prazo, fuga de capital do dólar para ativos como ouro e franco suíço; no médio prazo, possível fortalecimento do dólar se a instabilidade global aumentar a busca por segurança. A crise também pode afetar os juros futuros e os investimentos em ações globais, elevando a volatilidade.

E os criptoativos?

Enquanto isso, o bitcoin voltou a ganhar força, ultrapassando os US$90 mil, no maior patamar em mais de um mês. O movimento ocorre em meio à baixa liquidez típica dos feriados e à busca de investidores por alternativas descorrelacionadas das tensões institucionais tradicionais.

Além do BTC, outras criptomoedas também acompanham esse viés positivo. O bitcoin acumula alta de 21% desde as mínimas de abril, enquanto bolsas americanas e o dólar cedem. Esse comportamento reforça a percepção das criptos como ativos que, em momentos de crise institucional e incerteza política, ganham tração junto a investidores institucionais e de alta renda como instrumento de diversificação e proteção.

Mesmo assim, com essa recuperação pontual observada nesta semana, os criptoativos continuam abaixo das expectativas que dominavam os mercados antes da reeleição de Donald Trump.

E os Dividendos?

Confira os próximos pagamentos agendados no mercado brasileiro:

  • Banco Banese (BGIP3 e BGIP4)
    BGIP3: JCP de R$ 0,82
    BGIP4: JCP de R$ 0,90
    • Ambos com pagamento em 25 de abril de 2025 e posição acionária em 10 de abril de 2025.
  • BRB (BSLI3 e BSLI4)
    BSLI3: JCP de R$ 0,12
    BSLI4: JCP de R$ 0,13
    •  Pagamento em 25 de abril de 2025 para investidores com posição até 14 de abril de 2025.
  • Copasa (CSMG3)
    Dividendo de R$ 0,18
    JCP de R$ 0,30
    •  Ambos com pagamento em 25 de abril de 2025 e posição acionária em 05 de março de 2025.
  • Banco Pine (PINE3 e PINE4)
    PINE3: JCP de R$ 0,08
    PINE4: JCP de R$ 0,08
    • Ambos serão pagos em 25 de abril de 2025 a acionistas com posição até 10 de abril de 2025.

De olho no câmbio

O ambiente cambial segue extremamente sensível a qualquer movimento vindo de Washington. A instabilidade gerada pelas decisões e declarações de Donald Trump, desde o anúncio de novas tarifas até sinais contraditórios sobre política monetária e acordos comerciais, têm provocado efeitos nocivos sobre o dólar e deixado os principais parceiros comerciais dos Estados Unidos em permanente estado de dúvida sobre como reagir.

Este momento histórico parece, inclusive, colocar em xeque as próprias instituições americanas — aquelas que, durante décadas, serviram como referência de eficiência, previsibilidade e transparência, sempre sustentando os princípios do livre comércio, instituições sólidas e gestão econômica responsável, preceitos consagrados pelo chamado Consenso de Washington.

Parte da recente dinâmica cambial também decorre de fatores internos. Ganhou força no mercado a expectativa de que o Banco Central do Brasil prolongará o ciclo de aperto monetário até, pelo menos, junho deste ano. A percepção foi reforçada após declarações do presidente da instituição, Gabriel Galípolo, que destacou a persistência de uma inflação elevada e disseminada, além de uma atividade econômica doméstica ainda acima do esperado.

A expectativa de que a Selic chegue a 15% ou mais deve garantir ganhos da moeda brasileira também em relação às fortes moedas europeias, Euro e Libra.

Seguimos de olho.