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A relação comercial entre Brasil e Estados Unidos (EUA) entra em uma nova fase de diálogo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou a realização de um encontro entre autoridades dos dois países nesta quinta-feira, 16 de outubro, para discutir a taxação extra imposta a produtos brasileiros exportados.
O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, desembarcou em Washington na terça-feira (14) e se reunirá com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, a quem o presidente Donald Trump designou para dar seguimento às negociações. Esse encontro é a primeira rodada de negociações entre as autoridades após a conversa telefônica que Lula e Trump tiveram no dia 6 de outubro.
O cenário de negociação se dá em meio ao tarifaço, uma sobretaxa de 40% imposta pelos EUA ao Brasil em agosto, elevando a tarifa total para 50% em alguns itens. O principal objetivo do governo brasileiro é reverter essa medida, que afeta a exportação de produtos como café, frutas e carnes. O diálogo também abordará o interesse americano em minerais críticos brasileiros e questões regulatórias de big techs.
Continue a leitura para entender a origem do tarifaço, quais temas estão na mesa de negociação entre Mauro Vieira e Marco Rubio e o que esperar dos próximos passos entre Brasil e EUA.
Mauro Vieira e Marco Rubio se reúnem em Washington para negociar a tarifa extra
O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, se reunirá com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em Washington, na quinta-feira (16), às 15h (horário de Brasília). O encontro ocorre após convite de Rubio, que foi designado por Donald Trump para dar seguimento às negociações sobre a tarifa extra, após conversas entre os presidentes.
Essa reunião é um passo importante para tentar reverter a taxação extra sobre produtos brasileiros e tem como objetivo preparar o terreno para um possível encontro entre os presidentes Lula e Trump na Malásia, no final de outubro.
O tarifaço aos produtos brasileiros afeta 3,3% das exportações
O tarifaço é uma política comercial dos EUA, inaugurada por Donald Trump, que visa elevar as tarifas contra parceiros comerciais para tentar reverter a perda de competitividade da economia americana em relação à China. A medida impôs barreiras alfandegárias inicialmente em abril, com uma taxa mais baixa de 10%.
Em 6 de agosto, entrou em vigor uma tarifa adicional de 40% contra o Brasil, totalizando 50% em alguns produtos, em retaliação a decisões que, segundo Trump, prejudicariam as big techs americanas e em resposta ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Apesar do aumento da taxação, a medida afeta cerca de 3,3% das exportações brasileiras, conforme cálculos do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin. Quase 700 itens foram excluídos da taxação extra, incluindo suco e polpa de laranja, combustíveis, minérios e aeronaves. O Brasil, contudo, busca arbitragem internacional na Organização Mundial do Comércio (OMC).
Temas em negociação entre Brasil e EUA
A reunião entre Mauro Vieira e Marco Rubio abordará uma série de temas complexos na relação bilateral. O Brasil tentará avançar nas negociações para a retirada da sobretaxa americana e de sanções impostas a autoridades brasileiras.
O Brasil argumenta que a medida é injusta, já que os EUA têm superávit comercial na relação bilateral. Além da pauta comercial, outros temas importantes estão na mesa:
Pontos de interesse do Brasil
- Reversão do tarifaço e restabelecimento do equilíbrio comercial.
- Retirada das sanções impostas a autoridades brasileiras, como o caso do ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Pontos de interesse dos EUA
- Acesso a minerais críticos do Brasil (lítio, nióbio e terras raras), insumos fundamentais para a transição energética global.
- Regras mais favoráveis às big techs americanas em meio aos projetos de regulação no Brasil.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, por sua vez, defende que a principal argumentação econômica brasileira é que a tarifa extra está encarecendo a vida do povo americano. Haddad também destacou as oportunidades de investimento dos EUA no Brasil, principalmente voltadas para a transformação ecológica, como energias limpas.
Próximos passos na relação Brasil-EUA
O encontro desta quinta-feira (16) é um passo preparatório para o que pode ser uma aproximação maior entre os líderes dos dois países. A expectativa é que o próximo momento importante da relação seja uma reunião entre os presidentes Lula e Trump na Cúpula da Asean, na Malásia, entre 26 e 28 de outubro.
A sequência das negociações deve ocorrer em meio à “química excelente” citada por Trump em relação a Lula, após um breve encontro em setembro e um telefonema no início de outubro.
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Resumindo
Quando acontece a reunião entre Brasil e EUA sobre o tarifaço?
A reunião entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, acontece nesta quinta-feira, 16 de outubro, às 15h (horário de Brasília).
O que o Brasil busca negociar com os EUA?
O Brasil busca negociar a reversão do tarifaço imposto sobre produtos brasileiros. O governo também pedirá a retirada das sanções aplicadas a autoridades brasileiras, como o ministro Alexandre de Moraes.
Quais são os principais interesses dos EUA na negociação?
Os Estados Unidos têm interesse em negociar o acesso a minerais críticos brasileiros. Também buscam regras mais favoráveis para as big techs americanas no Brasil.