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O contingenciamento de aproximadamente R$31,4 bilhões nas despesas públicas, embora superior às expectativas do mercado, não foi suficiente para conter a desvalorização do Real. No dia do anúncio, a moeda brasileira se desvalorizou frente ao dólar, diante da desconfiança dos agentes em relação à trajetória fiscal.
A reação negativa veio do aumento das alíquotas do IOF. Mais do que o impacto direto da medida, o que pesou foi o sinal transmitido: o governo enfrenta dificuldades crescentes para conter os gastos e, diante disso, recorreu ao aumento de receita via tributação.
Diante da repercussão adversa, há expectativa de recuo por parte do Executivo. Fontes do governo indicam que um novo pacote de cortes mais abrangente está em elaboração, com foco em corte de subsídios e no Fundeb, visando promover um ajuste mais estrutural nas contas públicas.
Será suficiente?
Sim, é possível. Mas o governo precisa evitar um erro recorrente dos últimos meses: politizar o anúncio. A tentativa de embutir “contramedidas” ou sinalizações ambíguas junto à comunicação do corte de gastos tende a diluir os efeitos positivos da medida e pode comprometer sua credibilidade.
Caso a agenda avance de forma clara e tecnicamente consistente, há espaço para um movimento mais sólido de apreciação do real frente ao dólar. A combinação entre um ajuste fiscal de natureza estrutural e o atual ritmo de crescimento da economia tende a reduzir incertezas e melhorar a percepção de risco, favorecendo o ingresso de capital estrangeiro.
Adicionalmente, o nível da taxa Selic, atualmente em 14,75%, o mais alto em quase duas décadas, continua funcionando como um diferencial relevante, reforçando o apelo da moeda brasileira em um cenário global de elevada volatilidade.
Alguém combinou com os russos?
Para que o real engate um movimento mais consistente de valorização, será necessário também contar com o temperamento do presidente dos EUA, Donald Trump, o que, convenhamos, é sempre uma variável difícil de prever. Nesta quarta (04), Trump voltou a criticar o presidente do Fed, referindo-se a ele, com ironia, como “Senhor Atrasado Demais”.
É inegável que parte expressiva da desvalorização do real observada em dezembro decorreu do aumento das incertezas globais após a eleição de Trump. Esse fator segue sendo um componente central na análise dos vetores que influenciam o câmbio e precisa ser monitorado de perto.
Embora o dólar venha perdendo força frente a moedas como o euro e a libra, a realidade brasileira impõe um diferencial relevante. Como diria minha mãe: “a gente não é todo mundo”. Por aqui, o calendário eleitoral se aproxima rapidamente, e com ele, a perspectiva de maior volatilidade e incerteza política, o que pode limitar os ganhos da moeda brasileira no curto prazo.
E os criptoativos?
O Bitcoin (BTC) segue negociado na faixa dos US$105 mil, com expectativa de leve correção no curto prazo. As tensões comerciais entre Estados Unidos e China continuam elevando a aversão ao risco, o que tende a pressionar ativos mais voláteis como os criptoativos.
Apesar disso, o cenário recente indica que a fase de quedas mais intensas ficou para trás. Em paralelo, investidores em cripto seguem atentos às promessas de Donald Trump em relação ao setor, tema de campanha que, até agora, pouco avançou em termos concretos.
E os Dividendos?
Confira alguns dos pagamentos agendados no mercado brasileiro:
📅 Agenda de Dividendos
| Código | Empresa | Data com | Data de pagamento | Tipo | Valor por ação |
| MTRE3 | Mitre Realty Empreendimentos | 20/05/2025 | 04/06/2025 | Dividendos | R$ 0,04 |
| MOAR3 | Monteiro Aranha S.A. | 23/05/2025 | 06/06/2025 | JCP | R$ 0,61 |
| MOAR3 | Monteiro Aranha S.A. | 23/05/2025 | 06/06/2025 | Dividendos | R$ 7,96 |
| DESK3 | Desktop | 23/04/2025 | 09/06/2025 | Dividendos | R$ 0,04 |
| JHSF3 | JHSF Participações S.A. | 29/05/2025 | 09/06/2025 | Dividendos | R$ 0,03 |
| BBAS3 | Banco do Brasil S.A. | 02/06/2025 | 12/06/2025 | JCP | R$ 0,33 |
| BBAS3 | Banco do Brasil S.A. | 02/06/2025 | 12/06/2025 | JCP | R$ 0,09 |
| ROMI3 | Indústrias Romi S.A. | 17/03/2025 | 12/06/2025 | JCP | R$ 0,18 |
De olho no câmbio
Caso o novo pacote de cortes de gastos avance com consistência técnica e sem ruídos políticos, o real poderá se beneficiar de um processo de valorização mais duradouro. Em um cenário fiscal mais crível e com fluxo positivo de capitais, projetamos uma valorização mais importante da moeda brasileira em relação ao dólar, libra e euro.
No entanto, o ambiente externo permanece altamente instável. A retórica agressiva da presidência norte-americana, somada à proximidade relativa das eleições no Brasil, pode limitar a intensidade desse movimento. Nesse contexto, qualquer valorização do real dependerá não apenas do mérito técnico das medidas fiscais, mas também do alívio nas tensões geopolíticas, especialmente no eixo Washington-Pequim.
Seguimos de olho.