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O Real segue como a segunda divisa com maiores ganhos em relação ao dólar neste ano. O choque de juros, empreendido desde o mês de dezembro, que subiu a Selic de 11,25% para 14,75% ao ano, confere grande vantagem para a moeda brasileira.

O atual patamar da taxa Selic, o mais elevado em quase duas décadas, resulta em uma das maiores taxas reais de juros do mundo. Esse diferencial atrai fluxos de capital estrangeiro, favorecendo a valorização do real frente ao dólar.

Não por acaso, o Brasil registrou ingresso líquido de aproximadamente US$7,2 bilhões em abril. Nos primeiros dias de maio, até o dia 9, o fluxo cambial manteve-se positivo, acumulando cerca de US$1,1 bilhão.

Existem outros elementos domésticos…

Parte dos ganhos do Real podem ser associados ao bom desempenho das contas públicas. Em que pese o risco fiscal para 2026 e 2027, os dados desde o último trimestre do ano passado são positivos.
A redução dos riscos fiscais de curto prazo, aliada ao desempenho robusto da economia brasileira no primeiro trimestre, tem contribuído para a valorização do real e, em cenários de maior estresse global, ajudado a limitar pressões depreciativas sobre a moeda.

E externos

A redução das tensões comerciais, especialmente entre Estados Unidos e China, tem sido um fator relevante para a valorização do real. O alívio na guerra tarifária reduz a incerteza global e estimula a busca por ativos em mercados com maior retorno, como o brasileiro.
Paralelamente, o distensionamento geopolítico tem sustentado os preços de commodities estratégicas para o Brasil — como minério de ferro e petróleo —, favorecendo a balança comercial e reforçando os fundamentos cambiais.

E os criptoativos?

O Bitcoin (BTC) voltou a superar US$100 mil nas últimas semanas e agora opera oscilando entre US$106 e US$107 mil, uma arrancada notória frente à última quinzena.

O movimento de valorização impulsiona todo o setor global de criptoativos, favorecido pelo maior apetite por ativos alternativos diante do arrefecimento das tensões comerciais entre EUA e China. A percepção de menor risco no cenário geopolítico estimula investidores a buscar retornos fora dos ativos tradicionais. A expectativa para os próximos dias é de que a criptomoeda mantenha viés de alta, sustentada pela combinação de menor aversão ao risco e perspectiva de liquidez global mais favorável.

E os Dividendos?

Confira alguns dos pagamentos agendados no mercado brasileiro:

Agenda de Dividendos

  • Celulose Irani (RANI3) – 21/05/25 – Dividendos – R$ 0,32
  • Celulose Irani (RANI3) – 21/05/25 – Dividendos – R$ 0,06
  • Dexxos Participações (DEXP3) – 22/05/25 – Dividendos – R$ 0,38
  • Dexxos Participações (DEXP4) 22/05/25 – Dividendos – R$ 0,12
  • Klabin (KLBN11) – 22/05/25 – Dividendos – R$ 0,23
  • Klabin (KLBN3) – 22/05/25 – Dividendos – R$ 0,05
  • Klabin (KLBN4) – 22/05/25 – Dividendos – R$ 0,05
  • Vivera (VIVA3) – 22/05/25 – Dividendos – R$ 0,66
  • Br Partners (BRBI3) – 23/05/25 – Dividendos – R$ 0,10
  • Br Partners (BRBI4) – 23/05/25 – Dividendos – R$ 0,10
  • Embraer (EMBR3) – 23/05/25 – Dividendos – R$ 0,07
  • Embraer (EMBR3) – 23/05/25 – JCP – R$ 0,19
  • Lavvi (LAVV3) – 26/05/25 – Dividendos – R$ 0,11
  • Engie Brasil (EGIE3) – 27/05/25 – Dividendos – R$ 1,14
  • Petroreconcavo (RECV3) – 27/05/25 – JCP – R$ 0,90
  • Mahle Metal Leve (LEVE3) – 28/05/25 – JCP – R$ 0,19
  • Mahle Metal Leve (LEVE3) – 28/05/25 – Dividendos – R$ 1,69

De olho no câmbio

Parece que o presidente dos EUA “entregou os pontos” em relação à guerra na Ucrânia. Fontes entrevistas ao longo da manhã desta quarta-feira (21) sugerem que Donald Trump desistiu da tarefa de acabar rapidamente com a guerra na Europa.

Trump chegou a sugerir que novas mediações entre Rússia e Ucrânia sejam acompanhadas pelo Papa Leão XIV, em um claro sinal de esgotamento da tentativa de levar Putin e Zelensky a um improvável cessar-fogo, mesmo que temporário.

Essa incapacidade de pôr fim ao conflito pode fazer com que Trump modere ainda mais o tom em relação ao conflito comercial, principalmente em relação à China, e neste contexto, pode abrir espaço para a valorização de divisas não conversíveis como o Real em relação ao dólar nos próximos dias.
Seguimos de olho.