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A guerra comercial entre Estados Unidos e China trouxe desafios para empresas globais, mas também abriu oportunidades para quem soube se adaptar. Caito Maia, fundador e CEO da Chilli Beans, decidiu romper com décadas de prática ao substituir o dólar pela moeda chinesa, o renminbi, em suas negociações com fornecedores do país asiático. 

A mudança inédita, anunciada pelo empresário, já resultou em ganhos financeiros expressivos e promete orientar a expansão internacional da marca brasileira. 

Continue lendo para entender como essa estratégia transformou a operação da Chilli Beans e quais são os planos futuros da empresa.

O uso do renminbi substitui o dólar nas transações da Chilli Beans com a China

Em uma decisão histórica para a empresa, Caito Maia afirmou que a Chilli Beans não utilizará mais o dólar em suas operações com a China. “A ideia é que o uso do dólar não volte nunca mais e que façamos todas as transições diretamente com a China: em termos de moeda, compra, comércio, tudo”, declarou ao podcast da Exame. 

Segundo o CEO, a mudança foi motivada pelo impacto das tarifas aplicadas pelos Estados Unidos, conhecidas popularmente como “tarifaço de Trump”, que encareceram os custos de importação e criaram a oportunidade de negociar em moeda local.

A decisão de adotar o renminbi, também chamado de yuan, não foi pontual. Maia reforçou que a prática será permanente: “De forma alguma é uma estratégia pontual. Queremos continuar mantendo esta prática”. A mudança permite que a empresa reduza custos relacionados à variação cambial e fortalece sua relação com fornecedores chineses, estabelecida ao longo de 25 anos.

A Chilli Beans mantém uma parceria sólida com a China há décadas

Caito Maia explicou que a relação da Chilli Beans com a China não é recente. “Nossa parceria com a China não é de hoje. Há 30 anos nós somos ‘apadrinhados’ pelo mercado chinês: fomos levados para lá, apresentados para as fábricas e temos os mesmos parceiros há 25 anos”, disse o empresário. 

Ele destacou que a relação é “extremamente ganha-ganha, saudável, ética e bacana”, e que o apoio da China foi essencial para o crescimento da marca no mercado internacional.

A empresa brasileira, que atua no setor de óculos e acessórios, utilizava exclusivamente o dólar em suas transações até então

A mudança de moeda trouxe ganhos financeiros 

Segundo o CEO, a adaptação ao renminbi já gerou impactos positivos no faturamento e na operação da Chilli Beans. “O tarifaço de Trump foi trampolim para termos a grande sacada de abandonar a moeda dos Estados Unidos e passar a pagar nossos fornecedores da China em renminbi”, afirmou Maia.

Os ganhos não se limitam à redução de custos: a negociação direta com a China também simplifica processos comerciais e minimiza riscos cambiais. Com essa estratégia, a empresa fortalece seu controle sobre fluxos financeiros internacionais e aumenta a previsibilidade de suas operações globais.

O CEO reforça a importância de ousadia e inovação nos negócios

Ao comentar sobre crescimento empresarial, Caito Maia deixou uma mensagem para empreendedores: “Não se contente em fazer o que todo mundo faz. Tenha coragem. Tenha atitude. Faça diferente. É assim que você se destaca no mercado”

A Chilli Beans planeja expandir ainda mais na Ásia

Além da mudança de moeda, a Chilli Beans já possui presença em outros países da Ásia, como Indonésia, onde mantém dez pontos de venda. O CEO anunciou planos de intensificar a expansão no continente: “Já estamos na Indonésia, com 10 pontos espalhados pelo país e vamos colocar energia nessa expansão”.

O objetivo da empresa é atingir 3.200 lojas nos próximos cinco anos, reforçando a marca em mercados internacionais. 

O renminbi cresce, mas o dólar ainda domina o comércio internacional

Apesar dos avanços da China na internacionalização do renminbi, especialistas alertam que o dólar continua consolidado como moeda global. Conforme explica a professora Tatiana Prazeres, “prever o que pode acontecer no futuro continua uma profissão tão ingrata quanto sempre foi”.

O renminbi passou a ser mais utilizado em transações internacionais, especialmente em acordos bilaterais e em países que buscam reduzir a dependência do dólar, como Rússia, Paquistão, Irã e Argentina. Entretanto, seu uso ainda representa apenas uma fração das operações globais.

O dólar permanece como a moeda mais usada como reserva pelos governos dos principais países do mundo, inclusive do Brasil, e é utilizado em 60% de todas as transações comerciais internacionais, seguido do euro, com 20%, aponta o levantamento da Alaby & Consultores Associados.

A internacionalização do renminbi inclui iniciativas como acordos de swap de moedas, inclusão na cesta do FMI de Direitos Especiais de Saque (SDR) e até o lançamento da criptomoeda digital DCEP, garantida pelo Estado chinês.

“Tanto os acordos que a China fez com outros países para o uso do renminbi, passando pela inclusão na cesta do FMI, até o lançamento da sua moeda digital, podem ser vistos como parte de uma estratégia de promoção da imagem da China, comenta a especialista.