Como as contas públicas devem impactar a economia em 2021

A economia brasileira foi impactada pela pandemia de coronavírus, mas as contas públicas em alta também preocupam. Saiba mais aqui.

Impacto das contas públicas na economia em 2021

O ano de 2020 foi histórico, marcado pela pandemia mundial resultante dos milhares de casos de Covid-19. Os impactos causados pelo coronavírus afetaram não apenas a saúde da população global, mas também prejudicaram a economia no Brasil e no mundo. Diante disso, certamente as expectativas para 2021 só crescem, assim como a preocupação com o crescimento das contas públicas brasileiras.

Acompanhe o artigo abaixo para entender como as contas públicas do Brasil devem impactar a economia do país em 2021. Vamos lá?

As contas públicas

Certamente o ano de 2021 começa com uma série de preocupações, entre elas o estado das contas públicas no Brasil. Isso porque, tanto para o Governo Federal quanto para estados e municípios, a situação é preocupante. 

Em 2020, a dívida total do Governo (DGBB) foi de aproximadamente 75,8% do PIB. Em termos de volume de transações, isso significa que a dívida pública ao final de 2019 foi de cerca de R$ 5,5 trilhões. Então, 2020 chegou com uma surpresa que abalou mais ainda os cofres públicos, a pandemia causada pelo coronavírus. 

Um dos setores mais afetados pela pandemia foi o de serviços com a paralisação parcial de diversos setores. Isso afetou diretamente o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro porque diminuiu sensivelmente a arrecadação de impostos, e o terceiro setor é o maior contribuinte do PIB.

Da mesma forma, o estado de calamidade pública decretado pelo Governo, que levou a diversos gastos para conter a pandemia, somou R$ 620,5 bilhões à dívida pública, chegando a 8% do PIB.

Em dezembro de 2020, o governo revisou a dívida bruta do governo geral em 91,1% do PIB. Além disso,  estima-se que o endividamento público do Brasil deve aumentar até 2023, quando a taxa em relação ao PIB deve chegar a 92,7%.

Questão fiscal

Um dos maiores desafios para o Brasil nos últimos anos é a questão fiscal. A expectativa é de que haja déficit em 2021. 

De acordo com a situação traçada pelo próprio Ministério da Economia, o Brasil deve acumular rombos  nas contas públicas por 13 anos consecutivos porque a despesa tem sido superior à receita desde 2014 e a pandemia só agravou a situação. Com isso, o país deve manter essa tendência até 2026. Dessa forma, as contas públicas só devem voltar ao azul em 2027.

A economia mundial também foi afetada pela pandemia. Leia mais em nosso artigo sobre a Recessão internacional à vista.

Inflação

Em 2020 vimos um aumento considerável dos preços dos alimentos no país, cerca de 18% anual. Ainda assim,  esse não parece ser um problema de inflação no Brasil e esses aumentos devem moderar em 2021. 

A expectativa é de uma inflação relativamente controlada em 2021, variando entre 3,35% e 4,3%. Ou seja, dentro da meta do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que tem intervalo de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo no ano (ou entre 2,25% e 5,25%).

Política Monetária

A política monetária não deve ser a grande salvadora em 2021. Ela não poderá reverter um quadro de baixo crescimento e uma degradação das contas públicas no país porque a expectativa é de um crescimento abaixo do esperado para 2021. 

Além disso, o desemprego, que já tinha taxas elevadas, aumentou mais ainda com a pandemia. Mas não é só isso. Muitas pessoas que continuam empregadas tiveram seus salários reduzidos. Tudo isso acaba sendo um inibidor para os investidores, independente do nível da Selic. 

Outro ponto importante é que a taxa básica de juros brasileira está abaixo da chamada taxa estrutural, o que acaba atraindo poucos investidores estrangeiros para o país, assim como o aumento da inflação.

Dessa forma, para colocar a taxa básica de juros em um ponto neutro, o Banco Central já prevê aumentos na Selic para 2021. 

A expectativa para 2021 é de pouco crescimento, com as contas públicas nacionais pressionando o PIB.

Câmbio

O real passou por uma maxidesvalorização desde 2019 e apenas se agravou com os acontecimentos econômicos e políticos de 2020, fazendo o dólar encerrar o ano com valorização de 29% ante o Real, deixando a moeda brasileira entre uma das piores do mundo. Por outro lado, isso pode ser positivo para o cenário em 2021, que deve ver alguma valorização da moeda. 

Dessa forma, espera-se um fortalecimento da moeda brasileira e a estimativa é que ela atinja um valor abaixo dos R$ 5,00 frente ao dólar, principalmente com a esperança da chegada da vacina ainda no primeiro semestre. 

Por outro lado, a degradação das contas públicas e os intensos embates e crises políticas no país devem continuar colaborando para o aumento da moeda americana.

Ou seja, dependendo do alto desgaste que a crise política causar na imagem do país, assim como a tração da economia em 2021, a moeda brasileira pode voltar a perder força de forma intensa e rápida em relação à moeda americana e continuar sofrendo altas quedas. 

Conclusão

Depois de um 2020 conturbado, o ano de 2021 chega trazendo esperança. No entanto, as contas públicas brasileiras ainda devem impactar negativamente a economia do país. 

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