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A semana foi marcada por turbulências nos mercados internacionais, impulsionadas pela escalada da guerra tarifária liderada por Donald Trump, que segue como principal destaque da economia internacional. O real se desvalorizou frente às principais moedas globais, enquanto os dados econômicos do Reino Unido trouxeram um panorama misto, sem melhora no ímpeto ao crescimento. Além disso, na Zona do Euro, os presidentes do BCE se pronunciaram no intuito de ajustar o ânimo do mercado e de reforçar a necessidade de estabilidade. Neste panorama, analisamos os principais dados econômicos, os efeitos das novas tarifas e as perspectivas para o real, o dólar, o euro e a libra.
Acompanhe as nossas análises a seguir.
Real x dólar
Começamos a semana com o dólar cotado a R$5,8394 na segunda-feira (07/abr), um nível 2,2% superior à abertura da semana anterior (31/mar). A cotação da moeda estrangeira registrou desvalorização ao longo desta semana e o dólar abriu o pregão desta sexta-feira (11/abr) cotado a R$5,8860, patamar 4,7% superior ao da abertura da sexta-feira anterior (04/abr). Entre as aberturas desta sexta-feira (11/abr) e da segunda-feira da semana anterior (31/mar), vimos uma desvalorização do real em relação ao dólar de 2,2%.
Após um início de semana marcado pela forte desvalorização do real, o mercado mudou de direção, e o dólar iniciou a última quinta-feira (10) em queda, operando abaixo dos níveis registrados na última segunda-feira (07).
Essa virada se deve, em grande parte, à decisão dos Estados Unidos de adiar, por 90 dias, a implementação das chamadas “tarifas recíprocas” — com exceção daquelas aplicadas à China, que subiram a 145% depois de Pequim responder às primeiras ofensivas americanas. Durante esse período, será mantido um piso de 10%, patamar que já vinha sendo aplicado ao Brasil. Assim, na prática, nada muda para os exportadores brasileiros.
Embora o governo norte-americano tenha atribuído a pausa a motivos estratégicos e ao avanço de negociações com diversos países, parte dos analistas enxerga o recuo como um sinal de que a política tarifária de Donald Trump começou a mostrar seus limites. A forte reação negativa dos mercados globais pode ter pesado na decisão, especialmente após o tombo das bolsas e o aumento da pressão internacional.
No Brasil, a semana também trouxe dados relevantes sobre a atividade econômica. Informações do IBGE mostraram avanço no varejo e nos serviços em fevereiro. As altas de 0,5% e 0,8%, respectivamente, apontam para uma economia que segue em crescimento, embora em ritmo mais moderado que o observado em 2024. Com o resultado, o comércio varejista nacional atingiu um novo recorde e opera 9,1% acima do nível pré-pandemia.
Além disso, serão divulgados o IBC-Br de fevereiro, indicador de crescimento mensal do Bacen, e o IPCA de março. O consenso de mercado aponta para 0,3% e 0,54% respectivamente – resultados que se alcançados irão sugerir uma economia ainda em expansão e com alguma pressão inflacionária.
Lá fora, o foco voltou-se para os números da inflação nos Estados Unidos. O índice de março veio abaixo das expectativas, o que aliviou momentaneamente os mercados. No entanto, projeções do próprio Federal Reserve indicam que a inflação de abril deve acelerar, refletindo os primeiros efeitos das tarifas comerciais recém-anunciadas.
Complementarmente, o mercado estará de olho nos impactos que a contra ofensiva chinesa pode trazer ao longo desta sexta-feira. O governo chinês anunciou tarifas de 125% sobre produtos importados dos Estados Unidos.
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Real x euro
O euro abriu o pregão de segunda-feira (07/abr) cotado a R$6,3872. Na abertura desta sexta-feira (11/abr), a cotação foi de R$6,5892. Portanto, a moeda brasileira registrou desvalorização de 3,2% frente ao euro nesta semana.
Com relação ao dólar, a moeda europeia ganhou força esta semana, mantendo a tendência da semana anterior. A cotação do euro na moeda estadunidense passou de US$1,0940 na segunda (07/abr) para US$1,1196, nesta sexta (11/abr). Portanto, vimos uma valorização do euro de aproximadamente 2,3% (leia-se: é preciso mais dólares para comprar um euro).
Na Zona do Euro, os indicadores divulgados nesta semana desenharam um cenário misto. De um lado, o varejo mostrou fôlego, com avanço de 2,3% em fevereiro na comparação anual e leve alta de 0,3% em relação ao mês anterior. Por outro, a confiança dos investidores sofreu um forte abalo. O índice Sentix desabou de -2,9 para -19,5 pontos em abril, refletindo o impacto imediato da guerra tarifária e o temor crescente sobre seus efeitos econômicos no bloco europeu.
No centro das atenções dos mercados está a nova política tarifária dos Estados Unidos. Ao adotar a lógica da “reciprocidade”, Donald Trump rompeu com décadas de liberalização comercial. A medida representa uma inflexão protecionista, com sobretaxas direcionadas a diversos parceiros, incluindo uma tarifa de 20% para a União Europeia — o que acentuou o atrito nas relações comerciais transatlânticas.
O cenário de incerteza levou o euro a se fortalecer frente a várias moedas, impulsionado por uma busca defensiva de investidores por ativos considerados mais estáveis. Ainda não há confirmação de uma retaliação por parte da UE, mas Trump indicou que países que evitarem represálias podem ter tarifas reduzidas para 10% — uma oferta que não se estende à China, alvo de uma tarifa elevada para 145% após nova escalada de tensões.
Em meio à turbulência, o vice-presidente do Banco Central Europeu, Luis de Guindos, buscou transmitir alguma tranquilidade, declarando-se “moderadamente otimista” quanto à capacidade da Europa de atravessar esse período de instabilidade. No entanto, os riscos permanecem elevados: aumento da volatilidade, dúvidas sobre o crescimento futuro e a possibilidade de juros elevados por mais tempo, à medida que a inflação importada torna-se um desafio cada vez mais evidente.
Segundo Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu, os mercados da Zona do Euro estão funcionando bem e de forma equilibrada, mesmo no cenário incerto em relação às tarifas..
Em conclusão, apesar das incertezas em relação às tarifas, a Zona do Euro parece seguir parcimoniosa e em busca de uma solução via negociações. Aproveite e confira a cotação do euro hoje e se inscreva em nosso sistema de alertas para ser notificado sobre variações importantes.
Real x libra esterlina
A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (07/abr) cotada a R$7,5279, patamar mais baixo que o registrado nesta sexta-feira (11/abr), R$7,6333. Trata-se de uma desvalorização de 1,4% do real em relação à moeda britânica. Portanto, a semana foi marcada por um movimento de desvalorização da moeda brasileira em relação à libra esterlina.
Em relação ao dólar, a moeda inglesa ganhou força no decorrer da semana, mantendo a tendência de valorização registrada na semana anterior, e abriu esta sexta-feira (11/abr) cotada a US$1,2969 após ter iniciado a semana cotada a US$1,2891, uma valorização de 0,6% da moeda britânica em relação ao dólar.
Os dados econômicos divulgados ao longo da semana no Reino Unido trouxeram um panorama misto, refletindo um ambiente ainda desafiador, mas com sinais pontuais de melhora. Entre os destaques, o setor de construção apresentou desempenho positivo: tanto o dado mensal quanto o anual superaram as expectativas, indicando uma retomada moderada da atividade no setor, após meses de desempenho mais fraco.
No lado da indústria, os resultados foram bastante surpreendentes. A produção industrial subiu 1,5% em fevereiro, enquanto o dado anual apontou alta de 0,1%, sugerindo que há espaço para melhora do desempenho econômico da região e que políticas econômicas mais ativas podem trazer resultados.
O Produto Interno Bruto (PIB) também veio acima do consenso de mercado, e marcou alta de 0,5%. Em comparação com o mesmo período do ano anterior, o crescimento também foi de 1,4%, sugerindo uma economia que evita a recessão, mas ainda opera em ritmo bastante moderado. Já o setor de serviços, pilar da economia britânica, mostrou expansão de 0,5% no mês.
No mercado imobiliário, os números seguem ambíguos. Enquanto o índice Halifax anual apontou alta de 2,8% nos preços dos imóveis, o dado mensal recuou 0,5%, frustrando as expectativas. Isso reflete a cautela dos consumidores em um cenário de juros ainda elevados e financiamento mais caros — com a taxa hipotecária ainda acima de 7%.
Por fim, os indicadores de sentimento de crédito e confiança, como o índice de percepção do consumidor (PCSI), mostraram estabilidade, com leitura de 49,0 pontos, levemente acima do mês anterior. Apesar disso, o mercado segue atento aos desdobramentos da política monetária do Banco da Inglaterra e também aos próximos capítulos da guerra tarifária iniciada por Donald Trump.
Em resumo, a economia britânica caminha em terreno instável. O cenário reforça a percepção de que a política monetária seguirá cautelosa, diante da necessidade de equilibrar crescimento e controle inflacionário em uma conjuntura externa desafiadora, mas os dados de crescimento foram animadores.
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Perspectivas
As perspectivas para o real continuam marcadas por incertezas e, em geral, são desfavoráveis. Apesar de ter registrado uma valorização pontual logo após o anúncio das tarifas comerciais por parte de Donald Trump, esse movimento não se sustentou. Ao longo da semana, a moeda brasileira oscilou fortemente, variando entre R$5,80 e R$6,10 — um sinal claro de vulnerabilidade diante do cenário externo.
Nesse contexto, tanto o dólar quanto o euro tendem a manter sua força em relação às moedas emergentes, beneficiando-se da busca por segurança por parte dos investidores. A continuidade das tensões comerciais, somada à expectativa de inflação global mais elevada, tende a reforçar esse movimento.
A libra esterlina, por sua vez, tem oscilado bastante e assim deve continuar. A moeda britânica, apesar de ser considerada mais segura que o real, sofre muito mais que o dólar e o euro. Assim, suas variações têm sido um tanto quanto abruptas, com variações superiores a 2,7% em dias seguidos e em sinais opostos em relação ao real. Este quadro de volatilidade deve seguir sem novos posicionamentos de Trump que acalmem os mercados.
Seguimos de olho.