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Os destaques da semana foram desde tarifas até política monetária. A escalada protecionista nos Estados Unidos, impulsionada por medidas anunciadas por Donald Trump, colocou novamente o comércio brasileiro em destaque. No front doméstico, o Copom manteve os juros inalterados, ao mesmo tempo em que dados econômicos sinalizaram desaceleração em diversos setores e uma leve melhora no mercado de trabalho. Nos Estados Unidos os juros foram mantidos e o crescimento surpreendeu. Na Europa, os dados de atividade mantiveram o tom morno, enquanto no Reino Unido segue sondando a possibilidade de cortes de juros na próxima reunião.
Leia e entenda melhor este cenário.
Real x dólar
Começamos a semana com o dólar cotado a R$5,5642 na segunda-feira (28/jul), um nível 0,3% inferior à abertura da semana anterior (21/jun). A cotação da moeda estrangeira registrou valorização ao longo desta semana e o dólar abriu o pregão desta sexta-feira (01/ago) cotado a R$5,6015, patamar 1,5% superior ao da abertura da sexta-feira anterior (25/jul). Entre as aberturas desta sexta-feira (01/ago) e da segunda-feira da semana anterior (21/jun), vimos uma desvalorização de 0,4% do real em relação ao dólar.
O principal gatilho externo veio de Washington: o presidente Donald Trump anunciou novas tarifas, incluindo sobretaxas de 50% sobre tubos e fios de cobre, além de um conjunto de medidas que afetam diretamente as exportações brasileiras, com exceção de poucos segmentos como o aeronáutico, energético e suco de laranja. Apesar de ainda nociva, a medida foi menos drástica do que o esperado, tendo em vista que se falavam de todos os produtos brasileiros taxas em 50% e agora isto deve ser algo próximo de 60% das exportações.
Internamente, o Banco Central manteve a taxa Selic em 15% ao ano, como já era amplamente esperado. Ainda assim, o comunicado reforçou o tom cauteloso da autoridade monetária diante do cenário global marcado por incertezas. No âmbito fiscal, o setor público teve déficit de R$47 bilhões em junho, com elevação da dívida bruta para 76,6% do PIB.
No campo dos preços, o IGP-M registrou nova deflação (-0,77%) em julho, ainda que em ritmo menos intenso do que o recuo de junho. O IPA, que responde pela maior parte do índice, teve queda de 1,29%, sinalizando algum alívio na ponta da produção. Já o INCC-M subiu 0,91%, com elevação acumulada de 7,43% em 12 meses.
Apesar da queda histórica na taxa de desemprego para 5,8% no trimestre encerrado em junho, a menor da série, os indicadores de confiança da FGV mostram enfraquecimento generalizado. Além disso, a produção industrial cresceu apenas 0,1% em julho, abaixo do consenso de mercado que projetava alta de 0,4% em junho.
No exterior, o Federal Reserve manteve os juros na faixa de 4,25% a 4,50%, reforçando a leitura de estabilidade por ora. O mercado de trabalho mostrou sinais de desaceleração: o relatório JOLTs apontou queda no número de vagas abertas em junho, enquanto o Payroll mostrou criação de 73 mil novos empregos, bastante abaixo do consenso de mercado para julho (+103 mil).
No âmbito dos preços, o Índice de Preços PCE veio em linha com as expectativas (+0,3%). Já em relação ao nível de atividade, o PIB do segundo trimestre avançou 3,0% em termos anualizados, acima do previsto.
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Real x euro
O euro abriu o pregão de segunda-feira (28/jul) cotado a R$6,5325. Na abertura desta sexta-feira (01/ago), a cotação foi de R$6,3939. Portanto, a moeda brasileira teve valorização de 2,1% frente ao euro nesta semana.
Com relação ao dólar, a moeda europeia perdeu força esta semana, rompendo a tendência da semana anterior. A cotação do euro na moeda estadunidense passou de US$1,1748 na segunda (28/jul) para US$1,1422 nesta sexta-feira (01/ago). Portanto, vimos uma desvalorização do euro de aproximadamente 2,8% (leia-se: é preciso menos dólares para comprar um euro).
Os dados econômicos da região mostraram leve melhora na margem, mas ainda indicam um ambiente de recuperação lenta. O PIB da zona do euro cresceu 0,1% no segundo trimestre, superando a expectativa de estabilidade, com avanço de 1,4% na comparação anual.
A taxa de desemprego do bloco recuou levemente para 6,2%. Apesar dos números mais positivos, o ritmo ainda é considerado tímido.
O acordo com os Estados Unidos contribuiu para reduzir temporariamente a tensão, mas não alterou substancialmente a perspectiva de crescimento moderado em 2025, reforçando a expectativa de corte de juros na região.
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Real x libra esterlina
A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (28/jul) cotada a R$7,4700, patamar mais alto que o registrado nesta sexta-feira (01/ago), R$7,3959. Trata-se de uma valorização de 1% do real frente à libra. Portanto, a semana foi marcada por uma valorização da moeda brasileira em relação à libra esterlina.
Em relação ao dólar, a moeda inglesa perdeu força no decorrer da semana, mantendo a tendência de desvalorização registrada na semana anterior, e abriu esta sexta-feira (01/ago) cotada a US$1,3207 após ter iniciado a semana cotada a US$1,3434, uma desvalorização de 1,7% da moeda britânica em relação ao dólar.
Embora não tenham sido divulgados dados relevantes, o Reino Unido começa a mostrar sinais mais consistentes de desaceleração econômica. O mercado de trabalho, até então bastante resiliente, dá sinais de arrefecimento, o que pode abrir espaço para o início do ciclo de cortes de juros nos próximos meses.
No plano comercial, o acordo bilateral com os EUA, firmado em maio, prevê tarifa de 10% sobre a maioria dos produtos britânicos exportados para os Estados Unidos, mas com exceções relevantes: o país poderá exportar até 13 mil toneladas de carne bovina americana sem tarifas e enviar até 100 mil veículos por ano ao mercado norte-americano.
Em contrapartida, os britânicos conseguiram a isenção sobre o etanol exportado para os EUA. A depender da evolução das negociações e do ambiente inflacionário doméstico, esse acordo pode ter impacto cambial nos próximos meses.
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Perspectivas
O real continua operando sob pressão, diante da combinação entre fundamentos domésticos frágeis e incertezas externas persistentes. Internamente, o cenário segue desafiador, com o ajuste fiscal ainda sem avanços concretos e os indicadores de confiança e atividade apontando desaceleração. No plano internacional, a valorização do dólar tende a se sustentar no curto prazo, à medida que os dados econômicos dos EUA surpreendem positivamente.
Em relação ao euro e à libra, os sinais de fragilidade nas economias europeias devem manter essas moedas sob pressão. O viés de cortes por parte do BCE e a possível virada na política monetária do Banco da Inglaterra abrem espaço para algum fortalecimento do real, desde que os ruídos domésticos não se agravem.
Seguimos de olho.