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O comportamento das principais moedas estrangeiras em relação ao real nesta semana refletiu a combinação de fatores globais e domésticos. O dólar se fortaleceu diante da surpresa positiva dos dados de atividade nos EUA, enquanto o euro permaneceu relativamente estável, limitado pelo quadro de semi estagnação da Zona do Euro. Já a libra esterlina, apesar de se valorizar frente ao dólar, perdeu leve terreno ante o real, em meio a indicadores britânicos fracos e expectativa de cortes de juros pelo Banco da Inglaterra.
Leia e entenda melhor este cenário.
Real x dólar
Começamos a semana com o dólar cotado a R$5,3290 na segunda-feira (22/set), um nível 0,4% inferior à abertura da semana anterior (15/set). A cotação da moeda estrangeira registrou aumento ao longo desta semana e o dólar abriu o pregão desta sexta-feira (26/set) cotado a R$5,3649, patamar 1,2% superior ao da abertura da sexta-feira anterior (19/set). Entre as aberturas desta sexta-feira (26/set) e da segunda-feira da semana anterior (15/set), vimos uma desvalorização de 0,2% do real em relação ao dólar.
O dólar registrou valorização nesta semana, em meio ao contraste entre os dados fortes dos Estados Unidos e a desaceleração da economia brasileira. A revisão do crescimento doméstico pelo Banco Central e a queda da arrecadação em agosto reforçaram incertezas fiscais, especialmente para 2026. Esse ambiente reduziu a atratividade dos ativos locais, apesar da Selic ainda em 15%.
Nos EUA, o PIB do segundo trimestre surpreendeu ao avançar 3,8% em termos anualizados, revertendo a contração anterior e mostrando resiliência econômica. O resultado aumentou a dúvida sobre a intensidade dos cortes de juros pelo Federal Reserve. Assim, o dólar ganhou força no mercado internacional, sustentado pela resiliência da economia americana.
O mercado de trabalho americano também reforçou essa percepção. O volume semanal de novos pedidos de seguro-desemprego recuaram para 218 mil. Apesar da desaceleração dos PMIs de setembro, os índices permanecem acima da marca de 50 pontos, ainda sugerindo expansão. Isso elevou a incerteza quanto à continuidade do ciclo de afrouxamento monetário.
No Brasil, o fluxo cambial negativo pesou sobre o real. Somente na última semana, houve saída líquida de US$659 milhões, levando o déficit acumulado no ano a US$17,7 bilhões. Enquanto a inflação mostrou-se relativamente benigna em setembro. Apesar da aceleração do IPCA-15, de -0,14% em agosto para +0,48% este mês, os dados ficaram abaixo das expectativas do mercado, com ligeira melhora dos dados qualitativos, como difusão e média dos núcleos.
Esse quadro reforçou a pressão compradora sobre o dólar frente ao real. Enquanto os EUA exibem vigor econômico e mantêm incertezas sobre juros, o Brasil enfrenta dúvidas fiscais e atividade em desaceleração. A moeda americana encerrou a semana em alta, refletindo tanto fatores globais quanto riscos internos.
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Real x euro
O euro abriu o pregão de segunda-feira (22/set) cotado a R$6,2487. Na abertura desta sexta-feira (26/set), a cotação foi de R$6,2558. Portanto, a moeda brasileira teve desvalorização de 0,1% frente ao euro nesta semana.
Com relação ao dólar, a moeda europeia perdeu força esta semana, revertendo a tendência da semana anterior. A cotação do euro na moeda estadunidense passou de US$1,1746 na segunda (22/set) para US$1,1663 nesta sexta-feira (26/set). Portanto, vimos uma desvalorização do euro de aproximadamente 0,7% (leia-se: é preciso menos dólares para comprar um euro).
O euro manteve-se relativamente estável frente ao real nesta semana, refletindo a percepção de que a economia europeia permanece em semi estagnação. Esse cenário limitou movimentos mais fortes da moeda comum, mesmo diante do aumento das incertezas fiscais no Brasil. O resultado foi um comportamento lateral na taxa de câmbio.
Os indicadores europeus reforçaram a fraqueza da atividade. Os PMIs de setembro voltaram a apontar contração na indústria e nos serviços, sinalizando dificuldade de retomada. Na Alemanha, o recuo da confiança empresarial pelo índice Ifo evidenciou a fragilidade do principal motor econômico do bloco.
Esse ambiente pode levar o BCE a rever sua postura. A pausa no ciclo de cortes de juros pode se tornar insustentável diante da estagnação prolongada. A expectativa de novos cortes a partir das primeiras reuniões de 2026 pode reduzir a atratividade do euro, mantendo-o enfraquecido em relação ao real, sobretudo em um ambiente em que a taxa real de juros do país é a mais alta entre todas as economias do mundo.
Assim, a estabilidade do euro ante o real reflete a combinação de fatores externos e internos. A fraqueza estrutural da Zona do Euro e as incertezas fiscais brasileiras se compensam, impedindo movimentos mais claros. O câmbio, neste caso, atua como reflexo de vulnerabilidades de ambos os lados.
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Real x libra esterlina
A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (22/set) cotada a R$7,1652, patamar mais alto que o registrado nesta sexta-feira (26/set), R$7,1569. Trata-se de uma valorização de 0,1% do real frente à libra. Portanto, a semana foi marcada por uma valorização da moeda brasileira em relação à libra esterlina.
Em relação ao dólar, a moeda inglesa perdeu força no decorrer da semana, mantendo a tendência de desvalorização registrada na semana anterior, e abriu esta sexta-feira (26/set) cotada a US$1,3341 após ter iniciado a semana cotada a US$1,3470, uma desvalorização de 1,0% da moeda britânica em relação ao dólar.
A libra esterlina registrou valorização frente ao dólar ao longo da semana, mas perdeu leve valor em relação ao real. O movimento reflete um ambiente global de ajustes cambiais diante da incerteza sobre os próximos passos do Fed, enquanto, no Brasil, o real encontrou algum suporte técnico após ganhos contra o euro.
No campo doméstico, os indicadores do Reino Unido mostraram fraqueza. O PMI industrial de setembro veio em terreno de contração, em apenas 46,2 pontos, e, embora o índice CBI de Tendências Industriais tenha registrado uma melhora na passagem de agosto para setembro, o número permanece negativo, em 27 pontos. Os licenciamentos de veículos também caíram de forma expressiva, reforçando o incipiente quadro de desaceleração da atividade econômica.
Esse conjunto pressiona o Banco da Inglaterra a manter uma política monetária mais acomodatícia, possivelmente com cortes adicionais de juros nas próximas reuniões. Assim, embora tenha ganhado força contra o dólar, a libra perdeu tração frente ao real, evidenciando a força da taxa de juros brasileira na atração de capital externo.
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Perspectivas
A ata do Copom reiterou a sinalização já presente no comunicado da semana passada, reforçando que a taxa Selic permanecerá em patamar elevado por um período prolongado. O comitê buscou transmitir firmeza, evitando abrir espaço para interpretações prematuras de corte de juros ainda em 2025. Esse tom mais conservador, embora seja parte do esforço retórico do BC para ancorar as expectativas, resultou em ganhos do real frente ao euro e à libra ao longo da semana.
O desafio agora é a dinâmica externa. Os próximos dados de atividade e inflação nos Estados Unidos serão determinantes para o real em relação ao dólar. Leituras mais fortes que o esperado sobre ritmo da economia e inflação, como o que aconteceu ao longo desta semana, tendem a reduzir as apostas em cortes de juros pelo Federal Reserve, fortalecendo a moeda americana e limitando o espaço para a continuidade da apreciação do real.
Seguimos de olho.