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A semana foi marcada por movimentos distintos nas principais moedas frente ao real. O dólar perdeu força, permitindo valorização do real, em meio a sinais de desaquecimento da economia americana e ao impasse fiscal do shutdown. Já o euro se fortaleceu, apoiado pela busca de segurança em ativos europeus diante das tensões comerciais e incertezas nos EUA, o que levou à desvalorização do real frente à moeda comum. A libra, por sua vez, ganhou terreno após o PIB do Reino Unido vir acima do esperado, reforçando a percepção de que o BoE pode postergar cortes de juros, favorecendo a moeda britânica em relação aos emergentes. O resultado foi uma semana de real mais forte contra o dólar, mas pressionado frente ao euro e à libra.

Leia e entenda melhor este cenário. 

Real x dólar

Começamos a semana com o dólar cotado a R$5,3506 na segunda-feira (29/set), um nível 0,2% superior à abertura da semana anterior (22/set). A cotação da moeda estrangeira registrou diminuição ao longo desta semana e o dólar abriu o pregão desta sexta-feira (03/out) cotado a R$5,3394, patamar 0,5% inferior ao da abertura da sexta-feira anterior (26/set). Entre as aberturas desta sexta-feira (03/out) e da segunda-feira da semana anterior (22/set), vimos uma desvalorização de 0,2% do real em relação ao dólar.

A semana foi marcada por um comportamento de valorização do real frente ao dólar, mesmo diante de incertezas globais e do impacto do shutdown nos EUA. No plano doméstico, o mercado recebeu sinais mistos: de um lado, a produção industrial surpreendeu positivamente e as sondagens de confiança deram algum alívio; de outro, o PMI industrial afundou no terreno contracionista e os números do mercado de trabalho mostraram menor fôlego. Esses fatores reforçaram a percepção de que o cenário inflacionário segue contido.

O balanço fiscal negativo e a dívida em patamar elevado ainda preocupam, mas o câmbio encontrou sustentação no diferencial de juros favorável ao Brasil, dado o patamar elevado da Selic. Além disso, a desaceleração do crédito e a inflação comportada reduziram as pressões, fortalecendo a percepção de que o risco de desancoragem inflacionária diminuiu. Assim, mesmo em meio à fragilidade de alguns indicadores, a moeda brasileira se beneficiou da atratividade relativa para fluxos externos.

No ambiente internacional, a combinação do impasse fiscal nos EUA, a perda de dinamismo do mercado de trabalho americano e a surpresa deflacionária em parte da Europa elevou as apostas em novos cortes de juros. Esse quadro favoreceu moedas emergentes de maior retorno, como o real, em detrimento do dólar. O resultado foi uma semana de fortalecimento da moeda brasileira, apoiada pela percepção de que o Copom manterá a Selic elevada.

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Real x euro

O euro abriu o pregão de segunda-feira (29/set) cotado a R$6,2465. Na abertura desta sexta-feira (03/out), a cotação foi de R$6,2618. Portanto, a moeda brasileira teve desvalorização de 0,2% frente ao euro nesta semana. 

Com relação ao dólar, a moeda europeia ganhou força esta semana. A cotação do euro na moeda estadunidense passou de US$1,1702 na segunda (29/set) para US$1,1725 nesta sexta-feira (03/out). Portanto, vimos uma valorização do euro de aproximadamente 0,2% (leia-se: é preciso mais dólares para comprar um euro).

O euro se fortaleceu ao longo da semana, beneficiado pelo aumento da aversão ao risco decorrente do shutdown nos EUA e da escalada da guerra comercial. Em um ambiente de incerteza global, investidores buscaram proteção no euro e no ouro, o que aumentou o apetite à moeda europeia em relação à moeda americana e demais divisas.

Os dados preliminares da Zona do Euro mostraram inflação dentro do esperado em setembro, reforçando a percepção de desinflação no bloco. Regionalmente, a deflação mais intensa em França, Espanha e Itália surpreendeu, mas não foi suficiente para reverter o fortalecimento da moeda europeia diante da busca por segurança.

Nesse contexto, o real perdeu valor frente ao euro, refletindo tanto o diferencial de percepção de risco quanto a preferência por ativos europeus em detrimento de emergentes. Assim, enquanto o dólar enfraqueceu, a moeda comum europeia ganhou espaço, consolidando-se como alternativa de porto seguro no cenário de tensões comerciais e incertezas fiscais nos EUA.

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Real x libra esterlina

A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (29/set) cotada a R$7,1553, patamar mais baixo que o registrado nesta sexta-feira (03/out), R$7,1761. Trata-se de uma desvalorização de 0,3% do real frente à libra. Portanto, a semana foi marcada por uma desvalorização da moeda brasileira em relação à libra esterlina.

Em relação ao dólar, a moeda inglesa ganhou força no decorrer da semana, revertendo a tendência de desvalorização registrada na semana anterior, e abriu esta sexta-feira (03/out) cotada a US$1,3446 após ter iniciado a semana cotada a US$1,3399, uma valorização de 0,4% da moeda britânica em relação ao dólar.

O destaque da semana no Reino Unido foi o PIB do segundo trimestre, que veio acima do esperado, tanto na comparação anual (+1,4%) quanto trimestral (+0,3%). O dado reforça a percepção de resiliência da economia britânica e reduz as apostas de cortes iminentes de juros pelo Bank of England. Esse cenário sustentou o fortalecimento da libra frente a moedas de maior risco, como o real.

Apesar do aumento do déficit em transações correntes e da queda nos investimentos das empresas, a libra se beneficiou da combinação entre atividade econômica mais firme e inflação ainda elevada. A leitura levou investidores a reprecificarem a trajetória da política monetária, favorecendo a moeda britânica. Como resultado, a libra ganhou terreno em relação ao real, refletindo tanto fundamentos domésticos quanto a busca por ativos de menor risco em meio às incertezas globais.

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Perspectivas

Os sinais de desaceleração da atividade, combinados ao nível elevado da Selic, reforçam o potencial de valorização do real frente ao dólar. Mesmo com a surpresa positiva da indústria em agosto, o quadro geral ainda é de acomodação, com menor risco inflacionário e taxa real mais elevada, fatores que aumentam a atratividade da moeda brasileira.

Já frente às divisas europeias, o movimento é distinto. O euro se beneficia do status de porto seguro em meio à incerteza global, enquanto a resiliência da economia britânica pode postergar cortes de juros pelo Bank of England, fortalecendo a libra. Em ambos os casos, o quadro segue ligeiramente mais favorável às moedas europeias em relação ao real.

Seguimos de olho.