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A semana foi marcada pela valorização do real frente ao dólar, ao euro e à libra esterlina, apoiada em indicadores domésticos positivos e no ingresso de fluxos cambiais. O dólar perdeu força globalmente em meio ao impasse fiscal nos EUA e à expectativa de cortes de juros pelo Fed, o que reduziu a aversão ao risco. Na Europa, o euro e a libra cederam ante o real diante da fraqueza industrial e das apostas de política monetária mais acomodatícia, embora ambas tenham se valorizado frente ao dólar. Nesse contexto, o real manteve desempenho superior entre as principais moedas, sustentado por juros elevados e fundamentos econômicos relativamente melhores.
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Real x dólar
Começamos a semana com o dólar cotado a R$5,5209 na segunda-feira (13/out), um nível 3,4% superior à abertura da semana anterior (06/out). A cotação da moeda estrangeira registrou valorização ao longo desta semana e o dólar abriu o pregão desta sexta-feira (17/out) cotado a R$5,4460, patamar 1,4% superior à abertura da sexta-feira anterior (10/out). Entre as aberturas desta sexta (13/out) e da segunda-feira da semana anterior (06/out), vimos uma desvalorização do real em relação ao dólar de 2,0%.
A valorização recente do real frente ao dólar reflete um ajuste técnico após a forte desvalorização da semana anterior. O movimento foi sustentado por dados domésticos positivos, com o IBC-Br e o varejo em alta e o setor de serviços mantendo sequência de crescimento.
O cenário inflacionário mais benigno também deu suporte ao câmbio. O IGP-10 abaixo do esperado e a revisão para baixo da projeção do IPCA no Boletim Focus reforçaram a leitura de preços sob controle. Com menor pressão inflacionária, o mercado reduziu prêmios de risco e abriu espaço para a entrada de fluxos financeiros.
No exterior, os sinais mistos vindos dos EUA e da China favoreceram moedas emergentes. O shutdown americano limitou dados relevantes, enquanto os números chineses mostraram retomada do comércio e inflação baixa. Esse quadro global menos favorável ao dólar estimulou a valorização do real nos últimos dias.
O fluxo cambial positivo e o superávit comercial reforçaram o movimento de apreciação da moeda brasileira. Apesar do saldo negativo no acumulado do ano, os ingressos da última semana indicam melhora nas contas externas. Com riscos inflacionários mais baixos e a taxa de juros em 15%, o real pode distender o movimento de valorização sobre o dólar.
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Real x euro
O euro abriu o pregão de segunda-feira (13/out) cotado a R$6,4234. Na abertura desta sexta-feira (17/out), a cotação foi de R$6,3694. Portanto, houve uma valorização de 0,8% do real frente à moeda europeia, recuperando em parte, a apreciação observada na semana anterior.
Com relação ao dólar, a moeda europeia ganhou força esta semana, revertendo a tendência da semana anterior. A cotação do euro na moeda estadunidense passou de US$1,1620 na segunda (13/out) para US$1,1699, nesta sexta (17/out). Portanto, vimos uma valorização do euro de aproximadamente 0,7% (leia-se: é preciso mais dólares para comprar um euro).
O euro perdeu força ao longo da semana diante da piora dos dados industriais da Zona do Euro. A produção industrial caiu 1,2% em agosto, após resultados muito ruins vindos da Alemanha, reforçando o diagnóstico de estagnação econômica.
Apesar da alta no núcleo de inflação, que chegou a 2,4% em setembro, o dado não foi suficiente para mudar a percepção de fraqueza da economia. A elevação marginal dos preços reflete fatores pontuais e não altera a tendência de moderação da demanda interna. Nesse contexto, cresce a expectativa de que o BCE volte a cortar juros nos próximos meses, o que favoreceu o real em relação à moeda europeia.
A combinação de dados fracos de atividade e inflação controlada reforçou apostas em cortes de juros na Europa, mas não impediu o ganho do euro frente ao dólar. O movimento refletiu a busca global por diversificação cambial em meio à incerteza fiscal e política nos EUA. Assim, mesmo com a valorização do real frente à moeda europeia, o euro teve uma semana de fortalecimento relativo no mercado internacional.
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Real x libra esterlina
A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (13/out) cotada a R$7,3850, patamar mais alto que o registrado nesta sexta-feira (17/out), R$7,3124. Trata-se de uma valorização de 0,98% do real em relação à moeda britânica. Portanto, a semana foi marcada por um movimento de valorização da moeda brasileira em relação à libra esterlina.
Em relação ao dólar, a moeda inglesa perdeu força no decorrer da semana, revertendo a tendência de valorização registrada na semana anterior, e abriu esta sexta-feira (17/out) cotada a US$1,3444 após ter iniciado a semana cotada a US$1,3374, uma desvalorização de 0,52% da moeda britânica em relação ao dólar.
A libra esterlina se desvalorizou frente ao real nesta semana, pressionada pelo diferencial de juros favorável ao Brasil e pela melhora dos dados locais. Ainda assim, os indicadores britânicos vieram melhores que o esperado, com alta de 0,1% no PIB e 0,4% na produção industrial de agosto. Esses resultados reduziram o pessimismo sobre a economia do Reino Unido.
No mercado de trabalho, os sinais foram mistos e limitaram os ganhos da moeda. O número de desempregados cresceu 25,8 mil, enquanto a taxa de desemprego subiu a 4,8%. Por outro lado, os salários avançaram 5%, mantendo viva a preocupação com a inflação de serviços.
Apesar da perda frente ao real, a libra se valorizou ante o dólar. O movimento refletiu o enfraquecimento global da moeda americana e a busca por alternativas cambiais. Assim, a libra teve desempenho relativamente melhor em um cenário de maior aversão ao risco.
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Perspectivas
As perspectivas para o real frente às principais moedas é de valorização embora os riscos fiscais ainda não tenham sido totalmente mitigados. No front doméstico a inflação dá mostras de convergência para o teto da meta, no entanto ainda não há sinais suficientes para a redução da taxa de juros, o que mantém elevado o diferencial de juros do país. Já no front externo, o impasse orçamentário (shutdown) e a elevada possibilidade de o FED reduzir a taxa de juros são fatores que devem enfraquecer o dólar no cenário internacional. Na Zona do Euro e no Reino Unido, a expectativa é de manutenção da taxa de juros nos atuais patamares, dada a persistência de pressões inflacionárias ainda existentes.
Seguimos de olho.