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O câmbio global teve uma semana marcada por contrastes, refletindo a força relativa do real frente às principais moedas. A decisão do Copom de manter a Selic em 15% com um tom hawkish reforçou o diferencial de juros e sustentou fluxos para ativos domésticos, levando à valorização do real frente ao dólar, ao euro e à libra esterlina. No cenário externo, a resiliência da economia americana manteve o dólar globalmente forte, enquanto a Europa mostrou sinais de estabilização e o Reino Unido surpreendeu com PMIs em alta, mas com um Banco Central dividido quanto ao futuro dos juros. Nesse ambiente, o real destacou-se pela combinação de fundamentos sólidos, política monetária restritiva e balança comercial robusta, consolidando-se como uma das moedas emergentes de melhor desempenho na semana.
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Real x dólar
Começamos a semana com o dólar cotado a R$5,3762 na segunda-feira (03/nov), um nível 0,3% inferior à abertura da semana anterior (27/out). A cotação da moeda estrangeira registrou desvalorização ao longo desta semana e o dólar abriu o pregão desta sexta-feira (07/out) cotado a R$5,3506, patamar 0,6% inferior à abertura da sexta-feira anterior (31/out). Entre as aberturas desta sexta (07/nov) e da segunda-feira da semana anterior (27/out), vimos uma valorização do real em relação ao dólar de 0,7%.
A leve valorização do real nesta semana reflete, em grande parte, a combinação entre o tom conservador do Copom e o diferencial elevado de juros em relação ao exterior. A decisão de manter a Selic em 15% e o comunicado com viés hawkish reforçaram o prêmio de carregamento, favorecendo a atratividade do real frente às demais.
Embora os indicadores de atividade apontem perda de fôlego, como o recuo de 0,4% na produção industrial e a manutenção dos PMIs abaixo da linha de 50 pontos, o discurso duro do Banco Central limitou as apostas de corte no curto prazo. Esse posicionamento endossa a percepção de que o real continuará se beneficiando de fluxos de renda fixa.
O superávit comercial robusto, de US$6,96 bilhões em outubro, também contribuiu para aliviar pressões sobre o câmbio. A balança forte reflete o desempenho das exportações agrícolas e industriais, num contexto em que os preços de commodities permanecem voláteis.
No cenário internacional, a ligeira desaceleração da indústria chinesa e os sinais ambíguos da Europa contrastaram com a resiliência norte-americana. O PMI industrial dos EUA em 52,5 pontos reforçou a leitura de economia ainda robusta, mantendo o dólar global em patamar firme, mas sem força suficiente para reverter a valorização do real, dada a postura conservadora do Copom e o juro real elevado no Brasil.
Por fim, o ambiente de juros altos em economias desenvolvidas, como Reino Unido (4%) e EUA, tende a limitar os ganhos adicionais do real, mas o diferencial ainda é expressivo. Assim, o câmbio permanece ancorado, sustentado por fundamentos domésticos sólidos e por uma comunicação de política monetária que reafirma o compromisso do BC.
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Real x euro
O euro abriu o pregão de segunda-feira (03/nov) cotado a R$6,3762. Na abertura desta sexta-feira (07/nov), a cotação foi de R$6,3506. Portanto, houve uma valorização de 0,4% do real frente à moeda europeia, mantendo a apreciação observada na semana anterior.
Com relação ao dólar, a moeda europeia ganhou força esta semana, revertendo a tendência da semana anterior. A cotação do euro na moeda estadunidense passou de US$1,1536 na segunda (03/nov) para US$1,1547, nesta sexta (31/out). Portanto, vimos uma valorização do euro de aproximadamente 0,1% (leia-se: é preciso mais dólares para comprar um euro).
O euro teve comportamento desigual na semana: perdeu valor em relação ao real, mas se valorizou frente ao dólar, mesmo com o fortalecimento do índice DXY. A alta do dólar no mercado internacional refletiu a combinação de dados sólidos dos EUA, como o PMI industrial acima de 52 pontos, e o tom ainda restritivo do Federal Reserve, o que manteve o apetite global por ativos em dólar.
Apesar disso, o euro encontrou algum suporte nos sinais de estabilização econômica na Europa. O PMI industrial da Zona do Euro avançou para a linha de 50 pontos, enquanto a produção industrial alemã subiu 1,3% em setembro, revertendo parte das perdas de agosto. Esses dados reduziram o pessimismo sobre a atividade, permitindo que a moeda europeia sustentasse ganhos marginais frente ao dólar, mesmo em um ambiente de dólar global mais firme.
Contudo, diante do tom hawkish do Copom e da Selic mantida em 15%, o real se fortaleceu em relação ao euro. O diferencial de juros expressivo e o superávit comercial robusto impulsionaram fluxos para ativos brasileiros, resultando em apreciação do real frente à moeda europeia. Assim, enquanto o euro resistiu ao dólar, encontrou no real uma barreira de valorização, refletindo a solidez dos fundamentos domésticos do Brasil.
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Real x libra esterlina
A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (03/nov) cotada a R$7,0610, patamar mais alto que o registrado nesta sexta-feira (07/nov), R$7,0258. Trata-se de uma valorização de 0,5% do real em relação à moeda britânica. Portanto, a semana foi marcada por um movimento de valorização da moeda brasileira em relação à libra esterlina.
Em relação ao dólar, a moeda inglesa perdeu força no decorrer da semana, mantendo a tendência de desvalorização registrada na semana anterior, e abriu esta sexta-feira (07/nov) cotada a US$1,3133 após ter iniciado a semana cotada a US$1,3155, uma desvalorização de -0,2% da moeda britânica em relação ao dólar.
A libra esterlina encerrou a semana em queda frente ao real e ao dólar, pressionada pela combinação entre a fraqueza dos indicadores de atividade e a divisão do Comitê de Política Monetária do Bank of England. A decisão de manter os juros em 4%, por uma estreita margem de 5 votos a 4, sugere que um corte de juros pode chegar mais cedo do que se imagina.
Os PMIs surpreenderam positivamente: o composto subiu a 52,2 pontos e o de serviços a 52,3, sugerindo a manutenção do crescimento da economia, com mais resiliência que o esperado. A combinação entre resiliência econômica e inflação elevada, diante de um comitê de política monetária dividido no BoE, acabaram influenciando a cotação da divisa britânica.
Portanto, a libra perdeu força nos dois eixos. Frente ao dólar, foi penalizada pelo avanço da moeda americana em nível global, sustentado pela robustez dos PMIs americanos; em relação ao real, perdeu terreno diante do juro real elevado e do viés hawkish do Copom. O resultado foi uma moeda britânica pressionada por incertezas domésticas e menor atratividade frente a pares de maior retorno.
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Perspectivas
Para a próxima semana, estimamos que o real mantenha viés de valorização, sustentado pelo elevado diferencial de juros, pela postura conservadora do Copom e pelo fluxo comercial favorável. Contudo, a expectativa de retomada da divulgação de dados oficiais nos EUA, com o fim do shutdown, pode aumentar a volatilidade no mercado de câmbio, especialmente se os novos indicadores reforçarem a resiliência da economia americana e reacenderem apostas em juros altos por mais tempo. Ainda assim, o cenário de curto prazo segue favorável à moeda brasileira, ancorado em fundamentos domésticos sólidos e em um ambiente externo que tende a permanecer seletivo em relação à emergentes.
Seguimos de olho.