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O Comitê de Política Monetária (Copom) começa a decidir hoje pela manutenção da taxa básica de juros (Selic) em 15% nesta quarta-feira (05). A decisão ocorre em meio aos excessos de preocupação com o ritmo da inflação, que, embora ainda esteja acima da meta, emite sinais inequívocos de desaceleração.

A manutenção da taxa básica de juros deve reforçar a postura conservadora do Banco Central, refletindo a necessidade de demonstrar compromisso com o controle inflacionário. De modo geral, o Copom deve optar por um comunicado “duro”, sem indicar quais serão os próximos passos da autoridade monetária.

Reunião do Copom em novembro traz impacto para a economia nacional

O Comitê de Política Monetária começa a decidir hoje pela manutenção da taxa básica de juros brasileira, a Selic.

Apesar da diminuição relativa dos riscos inflacionários no segundo semestre, como, por exemplo, a estabilidade cambial, perto de R$5,30 e os claros sinais de desaceleração da economia, o Copom deve manter uma postura conservadora. Embora a inflação ainda esteja acima do teto da meta, pela primeira vez em muito tempo, o mercado vislumbra a possibilidade de o país encerrar o ano com o IPCA dentro das bandas de tolerância da meta.

A decisão de manter a taxa de juros inalterada garantirá uma política monetária bastante restritiva, razão pela qual diversas empresas brasileiras entraram com pedido de recuperação judicial ao longo dos últimos anos.

O Copom deve manter a taxa Selic inalterada no maior nível nominal em cerca de 19 anos. Apesar dos descumprimentos recentes das metas de inflação, a taxa real de juro segue significativamente elevada. 

A decisão de manter os juros reflete, portanto, o fato de a taxa de juros já estar em nível significativamente alto. A decisão do Copom em setembro também foi de manutenção da taxa em 15% ao ano.

Qual o impacto no dólar depois da reunião do Copom em novembro

Os impactos da decisão do Copom sobre o mercado de câmbio devem ser relativamente moderados por diversos motivos:

  • Parte do movimento de valorização da moeda brasileira registrado nas últimas semanas já está relacionada ao nível da taxa básica de juros doméstica. Ou seja, apesar da expectativa de que o Copom mantenha a Selic inalterada, o nível já é suficientemente elevado para manter o movimento de valorização do real.
  • Essa valorização do real decorrente da taxa de juros doméstica, no entanto, estará condicionada às questões internacionais. O início do ciclo de cortes de juros pelo Fed também abre caminho para que o real se valorize.

Portanto, a manutenção da taxa Selic, embora positiva para o Real, pode não trazer impactos imediatos ao dólar, uma vez que na avaliação dos agentes do mercado financeiro as questões externas pesam mais sobre o mercado de câmbio neste momento.

Além da sobreposição das questões externas sobre os dados da economia doméstica, a manutenção da Selic para este mês é a aposta majoritária do mercado financeiro. Em outras palavras, no jargão do mercado, a manutenção dos juros já está precificada pelos agentes.

O que muda no Brasil com os dados da reunião do Copom em novembro

Apesar das apostas da Selic em torno de 15% até o final do ano, a expectativa é de que a economia siga relativamente resiliente, refletindo o bom momento do mercado de trabalho e o crescimento do agronegócio neste ano.

Embora o cenário seja de resiliência, o aumento da Selic para patamares muito elevados começou a refletir nos dados de atividade econômica. Indicadores mensais do IBGE e do Banco Central reforçam a leitura de que a economia brasileira está perdendo ritmo.

Até mesmo os dados do mercado de trabalho, que seguem relativamente resilientes, mostram algum processo de acomodação nos últimos meses.

No que diz respeito aos investimentos financeiros, a elevação da Selic segue garantindo bons rendimentos para investimentos em renda fixa e de opções mais conservadoras, como as aplicações em poupança, cujos rendimentos foram significativamente majorados desde o início do ciclo de aumentos da taxa básica de juros.

Próxima reunião do Copom

O Copom deixou claro na última reunião, realizada nos dias 16 e 17 de setembro, que a luta contra a inflação continua. Em falas recentes, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o diretor de política monetária, Nilton David, reforçaram a necessidade de manter a Selic no nível atual por bastante tempo. Nilton David disse inclusive que o Copom está pronto para fazer novos aumentos caso seja necessário.

A próxima reunião do COPOM ocorre nos dias 09 e 10 de dezembro e deve contar com a manutenção da taxa Selic em 15%. O comunicado e a ata da reunião deste mês não devem fornecer pistas sobre os próximos passos do comitê. 

A nossa expectativa é de que o comitê mantenha a Selic em 15% ao menos até dezembro.

Seguimos de olho!