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O real teve uma semana de forte recuperação, revertendo parte das perdas recentes provocadas por turbulências políticas internas e se beneficiando de um cenário global mais favorável após o corte de juros pelo Federal Reserve, que reduziu a atratividade do dólar e impulsionou moedas emergentes. No Brasil, a manutenção da Selic em 15% reforçou o diferencial de juros e estimulou fluxos para ativos domésticos, enquanto indicadores de inflação e atividade mostraram continuidade da desinflação e alguma resiliência do varejo. Esse ambiente permitiu ao real ganhar terreno não apenas frente ao dólar, mas também diante do euro e da libra.

Real x dólar

Começamos a semana com o dólar cotado a R$5,4642 na segunda-feira (08/dez), um nível 2,4% superior à abertura da semana anterior (01/dez). A cotação da moeda estrangeira registrou valorização ao longo desta semana e o dólar abriu o pregão desta sexta-feira (12/dez) cotado a R$5,4059, patamar 1,8% superior à abertura da sexta-feira anterior (05/dez). Entre as aberturas desta sexta (12/dez) e da segunda-feira da semana anterior (01/dez), vimos uma desvalorização do real em relação ao dólar de 1,3%.

O real registrou uma forte recuperação nesta semana, revertendo parte da desvalorização recente provocada por fatores políticos internos. A mudança de direção ocorreu em um ambiente global mais favorável após o Federal Reserve cortar juros, reduzindo a atratividade do dólar. Com isso, moedas emergentes ganharam fôlego, e o real, em especial, respondeu de forma mais intensa.

A decisão do Copom de manter a Selic em 15%, sem qualquer indicação de início do ciclo de cortes, ampliou o diferencial de juros em relação aos Estados Unidos. Enquanto o Fed afrouxa sua política, o Brasil permanece com uma taxa elevada, reforçando o apelo ao carry trade. Essa combinação elevou o fluxo para ativos domésticos e favoreceu a valorização do câmbio.

Os indicadores de inflação também ajudaram a sustentar o movimento. O IPCA desacelerou para 0,18% em novembro, levando a inflação anual para 4,46%, dentro da banda. Além disso, o IGP-DI praticamente estável e a nona deflação seguida do IPP reforçaram a percepção de que o processo desinflacionário segue firme.

Na atividade, o varejo mostrou alta de 0,5%, surpreendendo positivamente o mercado financeiro. A semana também foi, como esperado, marcada por fluxo de capital externo em direção ao Brasil. Segundo o BC, o fluxo cambial foi positivo em US$4,7 bilhões em dezembro e contribuiu para o fortalecimento da moeda. O conjunto dos dados, somado ao ambiente monetário, permitiu ao real encerrar a semana em trajetória de apreciação.

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Real x euro

O euro abriu o pregão de segunda-feira (08/dez) cotado a R$6,3646. Na abertura desta sexta-feira (12/dez), a cotação foi de R$6,3473. Portanto, houve uma valorização de 0,3% do real frente à moeda europeia, mantendo a apreciação observada na semana anterior.

Com relação ao dólar, a moeda europeia ganhou força esta semana, mantendo a tendência da semana anterior. A cotação do euro na moeda estadunidense passou de US$1,1644 na segunda (08/dez) para US$1,1739, nesta sexta (12/dez). Portanto, vimos uma valorização do euro de aproximadamente 0,8% (leia-se: é preciso mais dólares para comprar um euro).

O real também se valorizou frente ao euro nesta semana, recuperando parte das perdas observadas durante a recente turbulência causada por fatores políticos domésticos. A melhora no ambiente interno reduziu a percepção de risco, permitindo que a moeda brasileira acompanhasse o ajuste global desencadeado pela mudança de postura do Fed.

O euro registrou forte valorização em relação ao dólar, movimento impulsionado pelo corte de juros promovido pelo Fed, que reduziu a atratividade dos ativos americanos. Ao mesmo tempo, o mercado reforçou a precificação de que eventuais cortes pelo BCE devem ocorrer mais tarde, sustentando o diferencial de expectativas entre as duas economias.

Nos EUA, os dados reforçaram uma economia ainda resiliente, com o JOLTs apontando 7,77 milhões de vagas em outubro, levemente acima das previsões e sinalizando estabilidade na demanda por trabalho. Os dados do mercado de trabalho, que ainda mostram força relativa da economia norte-americana, contrastam com as falas recentes de Stephen Miran, diretor recém-indicado por Donald Trump, e Kevin Hassett, nome mais cotado para assumir o posto de Jerome Powell no ano que vem. Para ambos, Miran e Hassett, ainda há espaço para cortes adicionais de juros.

Na Europa e na Ásia, os sinais foram mistos, mas não desfavoráveis ao euro. A confiança dos investidores na Zona do Euro subiu para -6,2, indicando leve melhora do sentimento, enquanto a China mostrou inflação ao consumidor em queda de 0,1%. Esses dados reforçaram a percepção de crescimento moderado, contribuindo para um ambiente global mais equilibrado e permitindo ao real consolidar sua recuperação também frente à moeda europeia.

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Real x libra esterlina

A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (08/dez) cotada a R$7,2763, patamar mais alto que o registrado nesta sexta-feira (12/dez), R$7,2408. Trata-se de uma valorização de 0,5% do real em relação à moeda britânica. Portanto, a semana foi marcada por um movimento de valorização da moeda brasileira em relação à libra esterlina.

Em relação ao dólar, a moeda inglesa ganhou força no decorrer da semana, mantendo a tendência de valorização registrada na semana anterior, e abriu esta sexta-feira (12/dez) cotada a US$1,3393 após ter iniciado a semana cotada a US$1,3330, uma valorização de 0,5% da moeda britânica em relação ao dólar.

O real teve uma recuperação moderada frente à libra nesta semana, refletindo a redução das tensões políticas domésticas e o apoio do alto diferencial de juros. Mesmo com poucos dados na Europa, o movimento BRL/GBP foi guiado majoritariamente por fatores internos.

Já em relação ao dólar, a libra apresentou forte valorização, seguindo a mesma dinâmica do euro após o corte de juros pelo Fed, que enfraqueceu o dólar globalmente. A expectativa de que o Banco da Inglaterra demorará a iniciar cortes também ajudou a sustentar a moeda britânica.

Com a Europa oferecendo poucos sinais econômicos, os drivers cambiais vieram do Brasil e dos EUA: a estabilização doméstica favoreceu o real frente à libra, enquanto a política monetária americana impulsionou a libra frente ao dólar.

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Perspectivas

O mercado segue dividido após a última decisão do Copom. Embora o Banco Central tenha adotado um tom duro no comunicado e evitado sinalizar os próximos passos da política monetária, parte dos agentes ainda aposta em um corte de juros já na primeira reunião de 2026, em janeiro. Outro grupo, no entanto, projeta que o início do ciclo de flexibilização ocorra apenas em março, na segunda reunião do ano. De todo modo, a manutenção da Selic em 15% tende a sustentar nova valorização do real, sobretudo em um cenário de juros ligeiramente mais baixos nos Estados Unidos.

Apesar da avaliação de que os bancos centrais europeus devem manter suas taxas inalteradas, a moeda brasileira também pode ganhar força frente à libra esterlina e ao euro, refletindo a decisão do BC de manter a Selic no patamar mais elevado em cerca de duas décadas.

Por outro lado, embora a política monetária aponte para potenciais ganhos adicionais do real frente às principais divisas, é preciso considerar a proximidade do processo eleitoral de 2026. Esse fator pode elevar a volatilidade e pressionar a moeda brasileira, como já observado na sexta-feira (05) e no início desta semana.

Seguimos de olho.