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O Comitê de Política Monetária (Copom) optou por nova manutenção da taxa básica de juros (Selic) em 15% nesta quarta-feira (10). A decisão ocorre em meio aos excessos de preocupação com o ritmo da inflação, que, embora esteja dentro do intervalo de tolerância da meta, ainda traz preocupações ao BC.
A manutenção da taxa básica de juros reforça a postura conservadora do Banco Central, refletindo a necessidade de demonstrar compromisso com o controle inflacionário. De modo geral, o Copom deve optar por uma ata “hawk”, sem indicar quais serão os próximos passos da autoridade monetária.
Reunião do Copom traz impacto para a economia nacional, em dezembro
O Comitê de Política Monetária decidiu pela manutenção da taxa básica de juros brasileira, a Selic.
Apesar da diminuição relativa dos riscos inflacionários no segundo semestre, como, por exemplo, a estabilidade cambial, perto de R$5,30 e os claros sinais de desaceleração da economia, o Copom manteve a postura conservadora. Embora a inflação oficial esteja dentro da faixa de tolerância da meta, o Copom mantém-se inarredável.
A decisão de manter a taxa de juros inalterada garantirá uma política monetária bastante restritiva, razão pela qual, inclusive, diversas empresas brasileiras entraram com pedido de recuperação judicial ao longo dos últimos meses.
O Copom manteve a taxa Selic inalterada no maior nível nominal em cerca de 19 anos. Apesar dos descumprimentos recentes das metas de inflação, a taxa real de juro segue significativamente elevada.
A decisão de manter os juros reflete, portanto, o fato de a taxa de juros já estar em nível significativamente alto. Em novembro, a decisão também foi de manutenção da taxa em 15% ao ano.
Qual o impacto no dólar depois da reunião do Copom em dezembro
Os impactos da decisão do Copom hoje sobre o mercado de câmbio devem ser relativamente moderados por diversos motivos:
- Parte do movimento de valorização da moeda brasileira registrado nas últimas semanas já está relacionada ao nível da taxa básica de juros doméstica. Ou seja, apesar da expectativa de que o Copom mantenha a Selic inalterada, o nível já é suficientemente elevado para manter o movimento de valorização do real.
- Essa valorização do real decorrente da taxa de juros doméstica, no entanto, estará condicionada às questões internacionais. Embora se espere que o Federal Reserve faça um novo corte de juros nesta semana, existe a expectativa de que o Fed opte por fazer uma pausa no ciclo de redução dos juros americanos. O mercado de câmbio reagirá ao comunicado expedido após a decisão nos Estados Unidos.
Portanto, a manutenção da taxa Selic, embora positiva para o Real, pode não trazer impactos imediatos à moeda brasileira, uma vez que na avaliação dos agentes do mercado financeiro as questões externas pesam mais sobre o mercado de câmbio neste momento.
Além da sobreposição das questões externas sobre os dados da economia doméstica, a manutenção da Selic para este mês é a aposta majoritária do mercado financeiro. Em outras palavras, no jargão do mercado, a manutenção dos juros já está precificada pelos agentes.
O que muda no Brasil com os dados da reunião do Copom em dezembro
Apesar das apostas da Selic em torno de 15% até o primeiro trimestre de 2026, a expectativa é de que a economia siga relativamente resiliente, refletindo o bom momento do mercado de trabalho e o crescimento do agronegócio neste ano.
Embora o cenário seja de resiliência, o aumento da Selic para patamares muito elevados começou a refletir nos dados de atividade econômica. Os dados do PIB, por exemplo, indicam um crescimento meramente marginal no terceiro trimestre deste ano.
Até mesmo os dados do mercado de trabalho, que seguem relativamente resilientes, mostraram algum processo de acomodação nos últimos meses.
No que diz respeito aos investimentos financeiros, a manutenção da Selic em 15% segue garantindo bons rendimentos para investimentos em renda fixa e de opções mais conservadoras, como as aplicações em poupança, cujos rendimentos foram significativamente majorados desde o início do ciclo de aumentos da taxa básica de juros.
Próxima reunião do Copom
O Copom deixou claro nesta reunião, realizada nos dias 09 e 10 de dezembro, que a luta contra a inflação continua. Em falas recentes, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o diretor de política monetária, Nilton David, reforçaram a necessidade de manter a Selic no nível atual por bastante tempo.
A próxima reunião do COPOM ocorrerá nos dias 27 e 28 de janeiro de 2026 e pode ser marcada pelo início do ciclo de cortes de juros. A ata da reunião deste mês não deve fornecer pistas sobre os próximos passos do comitê.
A nossa expectativa é de que o comitê corte a Selic em 0,50% na reunião marcada para janeiro.
Seguimos de olho!