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Ao longo da semana, o real apresentou forte valorização frente ao dólar, ao euro e à libra, refletindo uma combinação de fatores externos e domésticos. No cenário internacional, a moderação do discurso de Donald Trump em Davos contribuiu para a redução da aversão ao risco e favoreceu moedas emergentes, enquanto na Europa a inflação contida e as incertezas institucionais limitaram o desempenho do euro. No Reino Unido, a persistência da inflação ao consumidor, apesar de sinais pontuais de força no varejo e nos PMIs, manteve a libra pressionada. Do lado doméstico, o elevado diferencial de juros, a entrada consistente de capital estrangeiro e a melhora da percepção sobre a economia brasileira sustentaram o apetite por ativos locais. Esse conjunto de elementos reforçou o movimento de apreciação do real de forma ampla no mercado cambial ao longo da semana.
Quer saber mais sobre Brasil, EUA, Zona do Euro e Reino Unido? Acompanhe a seguir os desdobramentos destes e outros acontecimentos na edição #365 do “De Olho no Câmbio”.
Real x dólar
Começamos a semana com o dólar cotado a R$5,3689 na segunda-feira (19/jan), um nível 1,0% inferior à abertura da semana anterior (12/jan). Ao longo da semana, a moeda norte-americana perdeu força frente ao real, e o dólar abriu o pregão desta sexta-feira (23/jan) cotado a R$5,2874, patamar 0,3% inferior à abertura da sexta-feira anterior (16/jan). Entre as aberturas desta sexta (23/jan) e da segunda-feira da semana anterior (12/jan), vimos uma valorização do real em relação ao dólar de 1,0%.
Ao longo da semana, o real registrou forte valorização frente ao dólar, refletindo a melhora do apetite por risco nos mercados emergentes. A moderação do discurso de Donald Trump em Davos reduziu temores de escalada protecionista e contribuiu para um ambiente externo mais favorável às moedas latino-americanas.
Esse movimento externo foi reforçado por fatores domésticos relevantes. A elevada taxa de juros no Brasil segue oferecendo diferencial expressivo de retorno, sustentando operações de carry trade e estimulando a entrada de capitais de curto e médio prazos.
Além disso, os dados de fluxo cambial mostraram ingresso líquido significativo de recursos estrangeiros, enquanto o Ibovespa renovou máximas históricas. Esse conjunto de informações reforça a leitura de confiança do investidor internacional nos ativos financeiros brasileiros.
Por fim, indicadores de atividade, como o avanço do Monitor do PIB da FGV, ajudaram a consolidar a percepção de resiliência da economia. Assim, a valorização do real na semana resultou da combinação entre alívio externo pontual e fundamentos domésticos favoráveis.
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Real x euro
O euro abriu o pregão de segunda-feira (19/jan) cotado a R$6,2273. Na abertura desta sexta-feira (23/jan), a cotação foi de R$6,2073. Portanto, observou-se uma valorização do real frente ao euro de aproximadamente 0,2% no período, refletindo o enfraquecimento do euro no mercado doméstico.
Em relação ao dólar, a moeda europeia apresentou valorização nesta semana, mantendo a tendência de valorização observada na semana anterior. A cotação do euro em dólar passou de US$1,1598 na segunda-feira (19/jan) para US$1,1756 nesta sexta-feira (23/jan). Assim, observou-se uma valorização aproximada de 1,4% do euro, isto é, são necessários mais dólares para adquirir um euro.
Na relação entre real e euro, a moeda brasileira também apresentou apreciação ao longo da semana. O movimento ocorreu em um contexto de inflação mais contida na zona do euro e de revisão positiva do sentimento econômico, segundo o índice ZEW.
Apesar da melhora do humor na Europa, o cenário ainda sugere crescimento moderado e política monetária menos restritiva à frente. Esse ambiente limita ganhos mais expressivos do euro frente a moedas de países com maior retorno financeiro.
No caso brasileiro, a combinação entre atividade doméstica resiliente e fluxo de capitais favoreceu o real também frente à moeda europeia. O diferencial de juros e a atratividade relativa dos ativos locais seguiram como fatores centrais para esse desempenho.
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Real x libra esterlina
A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (19/jan) cotada a R$7,1850, nível superior ao registrado na abertura desta sexta-feira (23/jan), cerca de R$7,1297. Portanto, houve valorização do real de aproximadamente 0,8% em relação à moeda britânica ao longo da semana.
Em relação ao dólar, a moeda inglesa ganhou força no decorrer da semana, revertendo a tendência de desvalorização observada na semana anterior, e abriu esta sexta-feira (23/jan) cotada a US$1,3499 após ter iniciado a semana cotada a US$1,3368, uma valorização de 1,0% da moeda britânica em relação ao dólar.
A semana foi marcada por forte valorização do real frente à libra, em meio à leitura cautelosa dos dados do Reino Unido. A inflação ao consumidor acelerou, com o IPC anual em 3,4%, acima dos 3,2% registrados nos 12 meses encerrados em novembro do ano passado. Esse cenário mantém o Banco da Inglaterra em posição defensiva e limita ganhos da moeda britânica.
No front de preços ao produtor, a queda mensal dos bens intermediários sinalizou algum alívio de custos, mas ainda insuficiente para alterar o quadro inflacionário. A combinação entre inflação elevada ao consumidor e sinais mistos na cadeia produtiva aumentou a incerteza sobre a trajetória da política monetária. O resultado foi maior volatilidade e menor suporte à libra.
Os dados de varejo e os PMIs surpreenderam positivamente, indicando resiliência do consumo e melhora do setor de serviços. Ainda assim, o mercado avaliou que a força da demanda pode prolongar juros elevados, elevando riscos à atividade futura. Nesse contraste, o real se beneficiou e avançou de forma expressiva frente à libra ao longo da semana.
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Perspectivas
Apesar das incertezas associadas às ações geopolíticas dos EUA, ainda há espaço para valorização do real. Esse movimento pode se estender com a expectativa de que o Copom mantenha a taxa básica de juros na próxima semana, sustentando o diferencial de juros e o interesse por ativos locais.
Também pesa a favor da moeda brasileira a aposta em um novo crescimento da economia em 2026. Mesmo com as incertezas geradas pelo calendário eleitoral, o Brasil tem mantido uma percepção relativa de estabilidade. Nesse contexto, o país continua desempenhando o papel de “porto seguro” para investimentos estrangeiros.
Seguimos de olho.