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Escrever sobre câmbio não é uma tarefa simples. Já se trata, por si só, de um caminho longo e complexo; quando se passa a associar o comportamento das moedas aos desdobramentos geopolíticos, o desafio aumenta, ainda que o tema se torne mais interessante.

As ações mais recentes de Donald Trump trouxeram um nível elevado de incerteza para os investidores, inclusive os institucionais. Essas iniciativas e ameaças têm se refletido em mudanças nas curvas de juros dos Estados Unidos, da Europa, do Brasil e de outras economias, o que, por sua vez, acaba influenciando a cotação do dólar em escala global.

Ação na Venezuela deu o impulso que Donald Trump queria

A captura do presidente da Venezuela, com impactos relativamente “moderados”, abriu espaço para que os Estados Unidos interceptassem, no Atlântico Norte, um navio petroleiro venezuelano que operava sob bandeira russa. O episódio também incentivou a intensificação de sobrevoos de caças norte-americanos no espaço aéreo da Groenlândia.

As ações recentes foram percebidas como tão “vitoriosas” para os EUA que o presidente norte-americano parece ainda mais convicto de sua força, agindo como se fosse indestrutível e imparável. Essa sequência de “vitórias” pode encorajá-lo a ir ainda mais longe. O próprio interesse na Groenlândia tem como pano de fundo a aproximação geográfica do território russo, o que representaria um importante trunfo estratégico-militar para os Estados Unidos.

Groenlândia não será o último ato de Trump e OTAN está em risco

O mandatário americano afirmou em Davos que deseja apenas “um pedaço de gelo”, em referência à Groenlândia, tratando o tema como um pedido simples à Dinamarca. No entanto, Trump acabou revelando o real interesse dos EUA ao declarar que pretende anexar a ilha para que o país possa “proteger o mundo”.

As ameaças de anexação, compra ou até mesmo de invasão militar colocam em xeque a integridade da OTAN e deixaram a Europa em estado de alerta máximo nos últimos dias. Como reflexo desse cenário, as ações de empresas do setor de defesa dispararam, atraindo parte do capital para o Velho Continente.

Aproveitando o momento, o governador do Banco da França e membro do Banco Central Europeu, François Villeroy de Galhau, afirmou nesta semana que a autoridade monetária da zona do euro também deve se preocupar com uma eventual desaceleração da inflação. A declaração sugere que novos cortes de juros podem estar a caminho na Europa.

Diante desse cenário, a Europa tende a lançar mão de diferentes estratégias para resistir às ofensivas dos Estados Unidos, seja aproveitando o fluxo de capital direcionado às empresas do setor de defesa, seja “prometendo” novos cortes de juros, ou ainda fortalecendo alianças com outros blocos econômicos, como no recente acordo com o Mercosul, após mais de 25 anos de negociações.

E os criptoativos?

As incertezas em torno do cenário geopolítico também têm impacto sobre os criptoativos. Com o ouro e a prata reforçando seu papel defensivo em momentos de maior tensão, além das taxas de juros ainda relativamente elevadas nos Estados Unidos e da sinalização de novos aumentos no Japão, o Bitcoin, em particular, passa por uma correção relevante, movimento que pode se estender pelas próximas semanas.

E os Dividendos?

Confira alguns dos pagamentos de dividendos agendados no mercado brasileiro:

AtivoEmpresaData-CompraData-PagamentoProventoValor por ação
TIMS3Tim26/09/202521/01/2026JSCPR$ 0,20
TAEE11Taesa14/11/202528/01/2026DividendosR$ 0,52
TAEE11Taesa14/11/202528/01/2026JSCPR$ 0,42
TAEE3Taesa14/11/202528/01/2026DividendosR$ 0,17
TAEE3Taesa14/11/202528/01/2026JSCPR$ 0,14
TAEE4Taesa14/11/202528/01/2026DividendosR$ 0,17
TAEE4Taesa14/11/202528/01/2026JSCPR$ 0,14
JHSF3Jhsf20/01/202629/01/2026DividendosR$ 0,07
MDIA3M. Dias Branco22/01/202630/01/2026DividendosR$ 0,03
POSI3Positivo06/01/202630/01/2026DividendosR$ 0,18
BBDC3Banco Bradesco30/06/202531/01/2026JSCPR$ 0,27
BBDC4Banco Bradesco30/06/202531/01/2026JSCPR$ 0,30 
BBDC3Banco Bradesco02/01/202602/02/2026JSCPR$ 0,02
BBDC4Banco Bradesco02/01/202602/02/2026JSCPR$ 0,02
ITUB3Banco Itaú30/12/202502/02/2026JSCPR$ 0,02
ITUB4Banco Itaú30/12/202502/02/2026JSCPR$ 0,02
JSLG3Jsl29/12/202502/02/2026JSCPR$ 0,43
PGMN3Pague Menos23/12/202502/02/2026JSCPR$ 0,26
ALOS3Allos21/01/202603/02/2026DividendosR$ 0,29
SUZB3Suzano18/12/202504/02/2026DividendosR$ 1,12
SANB11Banco Santander02/01/202605/02/2026JSCPR$ 0,17
SANB11Banco Santander20/01/202605/02/2026JSCPR$ 0,54
SANB3Banco Santander02/01/202605/02/2026JSCPR$ 0,08
SANB3Banco Santander20/01/202605/02/2026JSCPR$ 0,26
SANB4Banco Santander02/01/202605/02/2026JSCPR$ 0,09
SANB4Banco Santander20/01/202605/02/2026JSCPR$ 0,28

De olho no câmbio

O câmbio deve seguir com oscilações, com chance de leve valorização do real, apoiado por dados melhores da economia e pelos juros elevados no país. Por outro lado, as incertezas em relação aos desdobramentos geopolíticos podem mudar o cenário de forma aguda e repentina.

Por ora, o dólar segue relativamente fortalecido pelo crescimento da economia americana e pelos juros elevados, enquanto euro e libra continuam pressionados pela fraqueza econômica na Europa e no Reino Unido e pelas investidas norte-americanas contra os países europeus.

Seguimos de olho.