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A semana foi marcada por nova rodada de valorização do real, impulsionada pela combinação entre enfraquecimento global do dólar e fatores domésticos, como o elevado diferencial de juros e a postura cautelosa do Banco Central. O movimento se refletiu na apreciação da moeda brasileira frente ao dólar, ao euro e à libra, ainda que essas divisas tenham apresentado desempenho distinto no cenário internacional. Tensões geopolíticas e sinais mistos de política monetária nas economias centrais adicionaram volatilidade, mas reforçaram a perda relativa de força do dólar no curto prazo.

Quer saber mais sobre Brasil, EUA, Zona do Euro e Reino Unido? Acompanhe a seguir os desdobramentos destes e outros acontecimentos na edição #365 do “De Olho no Câmbio”.

Real x dólar

Começamos a semana com o dólar cotado a R$5,2899 na segunda-feira (26/jan), um nível 1,4% inferior à abertura da semana anterior (19/jan). Ao longo da semana, a moeda norte-americana perdeu força frente ao real, e o dólar abriu o pregão desta sexta-feira (30/jan) cotado a R$5,1930, patamar 1,8% inferior à abertura da sexta-feira anterior (23/jan). Entre as aberturas desta sexta (30/jan) e da segunda-feira da semana anterior (19/jan), vimos uma valorização do real em relação ao dólar de 3,2%.

Em mais uma semana de recordes, a moeda brasileira distendeu o ciclo de valorização em relação à moeda americana. É verdade que parte deste movimento está associado à desvalorização global do dólar, mas questões domésticas também contribuíram para mais uma semana de ganhos da moeda brasileira.

Lá fora, o índice DXY, que mede a força do dólar em relação a um conjunto de moedas fortes, caiu a níveis que não eram vistos desde agosto do ano passado. A queda acumulada foi de cerca de 1,6%, movimento que não era visto desde meados do ano passado.

Em um olhar mais amplo, o recuo da moeda americana em relação às moedas fortes foi o mais alto desde 2011 na comparação anual. Na época, o euro sofreu forte volatilidade com os impactos de uma profunda crise da dívida que atingiu a maioria dos países do sul da Europa, em especial a Grécia.

Por aqui, a Selic foi mantida em 15% pela quinta vez seguida. E embora o Copom tenha sinalizado um corte de juros em março, o mesmo comunicado que informou que o ciclo de cortes de juros está próximo, também ressaltou extrema cautela do BC, levando alguns bancos e consultorias projetarem um corte de apenas 0,25% na próxima reunião.

A perda de poder aquisitivo do dólar em nível global e a cautela exagerada do Banco Central do Brasil contribuíram para a continuidade do processo de valorização da moeda brasileira. E apesar de a semana ter sido marcada por decisão de política monetária nos EUA, a nova escalada do conflito Estados Unidos – Irã acabou ofuscando a antepenúltima decisao de Jerome Powell.

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Real x euro

O euro abriu o pregão de segunda-feira (26/jan) cotado a R$6,2747. Na abertura desta sexta-feira (30/jan), a cotação foi de R$6,2151. Portanto, observou-se uma valorização do real frente ao euro de aproximadamente 0,9% no período, refletindo o enfraquecimento do euro no mercado doméstico.

Em relação ao dólar, a moeda europeia apresentou valorização nesta semana, mantendo a tendência de valorização observada na semana anterior. A cotação do euro em dólar passou de US$1,1881 na segunda-feira (26/jan) para US$1,1937 nesta sexta-feira (30/jan). Assim, observou-se uma valorização aproximada de 0,4% do euro, isto é, são necessários mais dólares para adquirir um euro.

Ao longo da semana, o euro perdeu força frente ao real, ampliando o movimento de apreciação da moeda brasileira observado desde o início do ano. Parte desse comportamento está associada a fatores domésticos, como o diferencial elevado de juros e a manutenção de uma postura cautelosa do Banco Central. 

No cenário externo, porém, a dinâmica foi distinta. O euro se valorizou frente ao dólar em meio ao enfraquecimento global da moeda americana, influenciado pela manutenção da política monetária nos Estados Unidos. Declarações recentes do Federal Reserve indicam que, apesar disso, pode não ser o fim do corte de juros.

Além disso, a semana foi marcada por tensões geopolíticas, especialmente no Oriente Médio, o que aumentou a volatilidade nos mercados. Ainda assim, o impacto foi mais sentido sobre o dólar do que sobre o euro, que manteve relativa estabilidade internacional. O resultado foi um comportamento divergente: euro mais fraco no Brasil, mas sustentado no exterior.

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Real x libra esterlina

A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (26/jan) cotada a R$7,2251, nível superior ao registrado na abertura desta sexta-feira (30/jan), cerca de R$7,1440. Portanto, houve valorização do real de aproximadamente 1,1% em relação à moeda britânica ao longo da semana.

Em relação ao dólar, a moeda inglesa ganhou força no decorrer da semana, revertendo a tendência de desvalorização observada na semana anterior, e abriu esta sexta-feira (30/jan) cotada a US$1,3762 após ter iniciado a semana cotada a US$1,3680, uma valorização de 0,5% da moeda britânica em relação ao dólar.

Ao longo da semana, a libra esterlina perdeu força frente ao real, acompanhando o movimento de valorização da moeda brasileira em relação às demais divisas. O elevado diferencial de juros e a resiliência dos indicadores locais seguiram atraindo fluxo para o real, pressionando a cotação da moeda britânica em reais. 

No cenário internacional, a libra apresentou valorização frente ao dólar. O movimento foi sustentado por dados de atividade que vieram em linha ou acima do esperado, o que reduziu as apostas de cortes agressivos de juros pelo Banco da Inglaterra, dando suporte à moeda.

Além disso, ruídos vindos dos Estados Unidos influenciaram o câmbio global. A indicação de Kevin Warsh por Donald Trump para a presidência do Federal Reserve deve aumentar a incerteza sobre a condução futura da política monetária americana e contribuir para  mais perda de força do dólar no mercado internacional.

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Perspectivas

Para a próxima semana, o real tende a seguir relativamente firme frente às moedas europeias. O diferencial elevado de juros, aliado a dados locais ainda resilientes, segue favorecendo a moeda brasileira. Nesse contexto, tanto o euro quanto a libra podem continuar pressionados no mercado interno, com espaço apenas para ajustes pontuais.

Já o dólar deve seguir como principal vetor de volatilidade global. As incertezas em torno da política monetária americana, somadas aos ruídos políticos após a indicação de Kevin Warsh por Donald Trump para a presidência do Fed, podem manter a moeda americana enfraquecida.

Seguimos de olho.