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No De Olho no Câmbio desta semana, o mercado voltou a operar sob maior volatilidade diante do avanço das tensões geopolíticas no Oriente Médio e das oscilações no preço do petróleo. O dólar retomou força com o aumento da aversão ao risco e a busca global por ativos de proteção, enquanto euro e libra permaneceram sustentados pela perspectiva de juros elevados por mais tempo na Europa e no Reino Unido. No Brasil, a combinação entre ruídos políticos, incertezas fiscais e fluxo estrangeiro mais cauteloso manteve o real pressionado ao longo da semana, apesar dos momentos pontuais de alívio no cenário internacional.
Quer saber mais sobre Brasil, EUA, Zona do Euro e Reino Unido? Acompanhe a seguir os desdobramentos destes e outros acontecimentos na edição #380 do “De Olho no Câmbio”.
Real x dólar
Começamos a semana com o dólar cotado a R$5,0556 na segunda-feira (18/mai), um nível 3,2% superior à abertura da semana anterior (11/mai). Ao longo da semana, a moeda norte-americana perdeu força frente ao real, e o dólar abriu o pregão desta sexta-feira (22/mai) cotado a R$5,0039, patamar 1,1% inferior à abertura da sexta-feira anterior (15/mai). Entre as aberturas desta sexta (22/mai) e da segunda-feira da semana anterior (11/mai), vimos uma desvalorização do real em relação ao dólar de 2,2%.
O dólar iniciou a semana em movimento de correção após valorização recente, refletindo uma realização de lucros por parte dos investidores. O alívio parcial no ambiente político doméstico ajudou a reduzir momentaneamente a pressão sobre o câmbio, permitindo que a moeda americana voltasse a testar a faixa dos R$5,00.
No cenário internacional, o mercado seguiu reagindo às oscilações do petróleo e às incertezas envolvendo o conflito no Oriente Médio. As tensões entre Estados Unidos e Irã mantiveram elevada a percepção de risco global, enquanto a volatilidade do Brent influenciou diretamente o comportamento das moedas emergentes ao longo da semana.
Internamente, a piora das expectativas para inflação e juros voltou a manter os investidores cautelosos com o cenário econômico brasileiro. Apesar do diferencial elevado de juros continuar favorecendo o real, os sinais de desaceleração da atividade e as incertezas fiscais impediram um movimento mais consistente de queda do dólar.
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Real x euro
O euro abriu o pregão de segunda-feira (18/mai) cotado a R$5,8794. Na abertura desta sexta-feira (22/mai), a cotação foi de R$5,8275. Portanto, observou-se uma valorização do real frente ao euro de aproximadamente 0,9% no período, revertendo o movimento de desvalorização registrado na semana anterior.
Em relação ao dólar, a moeda europeia apresentou desvalorização nesta semana, mantendo a tendência de desvalorização observada na semana anterior. A cotação do euro em dólar passou de US$1,1629 na segunda-feira (18/mai) para US$1,1618 nesta sexta-feira (22/mai). Assim, observou-se uma desvalorização de 0,09% do euro, isto é, são necessários menos dólares para adquirir um euro.
O euro apresentou maior estabilidade frente ao real ao longo da semana, acompanhando o alívio temporário no mercado doméstico e a melhora do apetite por risco em alguns momentos. A realização de lucros no câmbio brasileiro favoreceu moedas emergentes e permitiu uma acomodação da divisa europeia após as fortes altas recentes.
No cenário europeu, as sinalizações do BCE mantiveram o mercado atento à trajetória dos juros na região. Apesar da expectativa de atividade econômica mais fraca sustentar apostas de cortes monetários, dirigentes do BCE passaram a reforçar preocupações com os impactos inflacionários do conflito no Oriente Médio.
A volatilidade do petróleo também influenciou diretamente. Como a Europa possui elevada dependência energética externa, as oscilações do Brent ampliaram a cautela dos investidores, enquanto os momentos de queda nas commodities favoreceram moedas de países exportadores e limitaram o avanço da moeda europeia frente ao real.
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Real x libra esterlina
A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (18/mai) cotada a R$6,7359, nível inferior ao registrado na abertura desta sexta-feira (22/mai), de R$6,7189. Portanto, houve uma valorização do real de aproximadamente 0,2% em relação à moeda britânica ao longo da semana.
Em relação ao dólar, a moeda inglesa ganhou força no decorrer da semana, revertendo a tendência de desvalorização observada na semana anterior, e abriu esta sexta-feira (22/mai) cotada a US$1,3432 após ter iniciado a semana cotada a US$1,3323, uma valorização de 0,8% da moeda britânica em relação ao dólar.
A libra esterlina iniciou a semana em movimento de acomodação após as fortes altas recentes observadas no mercado cambial. A melhora temporária do ambiente doméstico e a realização de lucros favoreceram o real nos primeiros dias da semana, reduzindo parte da pressão sobre a moeda britânica.
No cenário internacional, a libra continuou sustentada pela expectativa de manutenção de juros elevados no Reino Unido por um período mais prolongado. A persistência da inflação e a resiliência do mercado de trabalho britânico mantiveram o Banco da Inglaterra em postura cautelosa, reforçando o suporte global para a moeda inglesa.
A volatilidade dos preços do petróleo e o aumento das tensões geopolíticas seguiram influenciando o comportamento das moedas internacionais. Apesar dos momentos de alívio nos mercados globais, a força do dólar e as incertezas sobre o crescimento econômico mundial limitaram movimentos mais intensos de queda da libra frente ao real.
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Perspectivas
Para a próxima semana, o mercado cambial deve seguir sensível às tensões no Oriente Médio e às oscilações do petróleo. O fortalecimento global do dólar, impulsionado pela busca por proteção, tende a manter pressão sobre moedas emergentes. Com isso, o real pode continuar operando com maior volatilidade nos próximos dias.
O euro e a libra devem permanecer sustentados pela postura cautelosa das autoridades monetárias. Enquanto o BCE sinaliza preocupação com os impactos da guerra sobre os preços, o Banco da Inglaterra mantém discurso mais restritivo para os juros. No Brasil, o câmbio seguirá dependente do fluxo estrangeiro e das incertezas fiscais e políticas.
Seguimos de olho.