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Os últimos dias foram marcados por forte volatilidade. O real chegou ao menor nível desde o início de 2024 ao tocar 5,10 no fim de fevereiro, mas também atingiu, na última sexta-feira, 5,38, o maior patamar do ano.
Grande parte dessa turbulência está ligada ao cenário geopolítico, especialmente à guerra no Oriente Médio. Ainda assim, os desdobramentos econômicos do conflito acabaram evidenciando a resiliência do real, ao mesmo tempo em que passaram a gerar dúvidas sobre os próximos passos do Copom.
O ciclo de cortes de juros deve ser curto e gradual
Antes do início do conflito, a expectativa predominante era de que o Copom promoveria um corte de 0,5%, levando a Selic dos atuais 15,0% para 14,5%. Esse cenário mudou rapidamente diante da alta especulativa nos preços dos combustíveis no Brasil, especialmente do diesel.
Em poucos dias, o mercado passou a projetar um corte mais moderado, de 0,25%, com uma parcela menor dos agentes já considerando a manutenção da taxa em 15% ao ano.
A reação nos juros futuros foi intensa, a ponto de o Tesouro Nacional recomprar dezenas de bilhões em títulos públicos para conter a volatilidade nos ramos mais curtos da curva. E diante de tamanha incerteza e turbulência, o Copom pode não apenas optar por cortes mais graduais de juros, como também por um ciclo de cortes mais curto.
A imprevisibilidade da guerra e da disputa política doméstica
A percepção de que o Copom pode adotar uma postura ainda mais cautelosa, como vem ocorrendo nos últimos meses, deu suporte para que a moeda brasileira recuperasse parte das perdas frente ao dólar americano.
Ainda assim, embora o diferencial de juros ajude a conter a depreciação do real, o conflito no Oriente Médio e a disputa política de 2026 tendem a atuar como vetores persistentes de pressão cambial. A guerra, por si só, já representa um risco relevante: a manutenção das interrupções no Estreito de Ormuz e os danos à infraestrutura de petróleo e gás devem reverter o atual cenário benigno para a inflação global e exigir juros mais elevados no exterior.
No plano doméstico, a intensificação da disputa política pode elevar rapidamente a incerteza e os prêmios de risco, em um contexto em que a inflação já se mostra menos favorável do que o projetado no início do ano.
E os criptoativos?
O Bitcoin tende a manter viés positivo frente ao dólar, sustentado pela demanda por ativos alternativos em ambientes de incerteza. Ainda assim, sua trajetória deve permanecer volátil, reagindo tanto às condições de liquidez global quanto ao comportamento dos juros americanos. No curto prazo, não se descarta correção, mas o movimento conjuntural segue favorável.
E os Dividendos?
Confira alguns dos pagamentos de dividendos agendados no mercado brasileiro:
| Ativo | Empresa | Compra | Pagamento | Provento | Valor por ação |
| GGBR3 | Gerdau | 10/03/2026 | 18/03/2026 | Dividendos | R$ 0,10 |
| GGBR4 | Gerdau | 10/03/2026 | 18/03/2026 | Dividendos | R$ 0,10 |
| GRND3 | Grendene | 26/12/2025 | 18/03/2026 | Dividendos | R$ 0,22 |
| GOAU3 | Metalúrgica Gerdau | 10/03/2026 | 19/03/2026 | Dividendos | R$ 0,05 |
| GOAU4 | Metalúrgica Gerdau | 10/03/2026 | 19/03/2026 | Dividendos | R$ 0,05 |
| MULT3 | Multiplan | 31/03/2025 | 20/03/2026 | JSCP | R$ 0,23 |
| PETR3 | Petrobrás | 22/12/2025 | 20/03/2026 | JSCP | R$ 0,18 |
| PETR3 | Petrobrás | 22/12/2025 | 20/03/2026 | Rend. Trib. | R$ 0,01 |
| PETR3 | Petrobrás | 22/12/2025 | 20/03/2026 | Rend. Trib. | R$ 0,01 |
| PETR3 | Petrobrás | 22/12/2025 | 20/03/2026 | Dividendos | R$ 0,30 |
| PETR4 | Petrobrás | 22/12/2025 | 20/03/2026 | JSCP | R$ 0,18 |
| PETR4 | Petrobrás | 22/12/2025 | 20/03/2026 | Rend. Trib. | R$ 0,01 |
| PETR4 | Petrobrás | 22/12/2025 | 20/03/2026 | Rend. Trib. | R$ 0,01 |
| PETR4 | Petrobrás | 22/12/2025 | 20/03/2026 | Dividendos | R$ 0,30 |
| BRSR3 | Banco Banrisul | 13/03/2026 | 26/03/2026 | JSCP | R$ 0,22 |
| BRSR5 | Banco Banrisul | 13/03/2026 | 26/03/2026 | JSCP | R$ 0,22 |
| BRSR6 | Banco Banrisul | 13/03/2026 | 26/03/2026 | JSCP | R$ 0,22 |
| MDIA3 | M. Dias Branco | 23/03/2026 | 31/03/2026 | Dividendos | R$ 0,03 |
| MTSA3 | Metisa | 01/12/2025 | 31/03/2026 | JSCP | R$ 1,10 |
| MTSA4 | Metisa | 01/12/2025 | 31/03/2026 | JSCP | R$ 1,21 |
| PNVL3 | Dimed | 16/12/2024 | 31/03/2026 | JSCP | R$ 0,08 |
| VLID3 | Valid | 28/11/2025 | 31/03/2026 | JSCP | R$ 0,38 |
De olho no câmbio
O dólar deve seguir oscilando, acompanhando um cenário externo ainda instável. A tensão no Oriente Médio continua sem solução clara, o que mantém os investidores mais defensivos e sustenta a busca por proteção, mantendo a moeda americana forte.
Ao mesmo tempo, o câmbio passou a reagir mais ao comportamento do petróleo. Com os preços ainda elevados, cresce o risco de pressão inflacionária global, o que deixa o Federal Reserve mais cauteloso e reforça a ideia de juros altos por mais tempo.
Já o real encontra algum alívio no diferencial de juros ainda favorável e em entradas robustas de capital estrangeiro. Mesmo assim, qualquer valorização tende a ser curta, já que o ambiente externo segue volátil e sensível a mudanças rápidas.
Seguimos de olho.