Maiores exportadores de fertilizantes para o Brasil: quem são e o que oferecem
Entenda por que o Brasil importa fertilizantes e como Rússia, Canadá, China, Marrocos e Egito influenciam o agronegócio nacional brasileiro de forma estratégica global hoje
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O Brasil é um dos maiores produtores agrícolas do mundo – e também um dos que mais dependem de insumos externos. Entre 85% e 90% do que é utilizado no campo vêm dos maiores exportadores de fertilizantes para o Brasil, o que torna esses fornecedores peças-chave para o funcionamento do agronegócio.
Rússia, Canadá, China, Marrocos e Egito lideram esse abastecimento, cada um com produtos e vantagens competitivas distintas. Neste artigo, veja quais países dominam esse mercado, o que o Brasil mais importa e como crises geopolíticas afetam o setor.
Por que o Brasil importa tantos fertilizantes?
O Brasil importa a maior parte dos fertilizantes que utiliza porque a produção nacional não consegue atender à demanda do agronegócio. Além disso, o país possui limitações na extração de matérias-primas e enfrenta custos de produção mais elevados em comparação com grandes produtores internacionais.
A importância dos fertilizantes para o agronegócio brasileiro
Os fertilizantes são fundamentais para manter a produtividade das lavouras brasileiras. Embora as plantas obtenham parte dos nutrientes do solo e do ar, a agricultura em larga escala exige reposição constante desses elementos para garantir altos rendimentos. Os principais produtos utilizados no país pertencem ao complexo NPK, nitrogênio, fósforo e potássio, nutrientes que atuam no crescimento das plantas, no fortalecimento das raízes e no aumento da produção.

A demanda é alta também porque o Brasil pratica uma agricultura intensiva, com várias safras ao ano e culturas altamente exigentes em adubação. Soja, milho, cana-de-açúcar, café e algodão, todos voltados à exportação, concentram mais de 70% do consumo nacional de fertilizantes.
Por que a produção nacional não atende a demanda?
A produção interna de fertilizantes não acompanha o consumo por três razões principais:
- Falta de matéria-prima;
- Custos elevados;
- Pouca infraestrutura.
No caso do potássio, o Brasil não conta com reservas abundantes e de fácil extração. O mineral está concentrado em depósitos de formações rochosas complexas. Já para os fertilizantes nitrogenados, como a ureia, o principal gargalo é o custo do gás natural, insumo essencial no processo produtivo.
Já no segmento fosfatado, as reservas brasileiras existem, mas apresentam qualidade inferior e custos de exploração mais altos.
A logística interna também encarece ainda mais a produção nacional. Transportar fertilizantes pelo território brasileiro é caro, e a infraestrutura disponível é limitada, tornando a importação, em muitos casos, sai mais barato do que produzir internamente.
Quanto dos fertilizantes consumidos no Brasil é importado
Cerca de 88% dos fertilizantes utilizados no Brasil são importados. Em 2025, as entregas ao mercado brasileiro alcançaram 49,11 milhões de toneladas – volume recorde para o setor. O Brasil importa aproximadamente 97% do potássio que consome, 95% do nitrogênio e 75% do fósforo.
Para reduzir essa dependência, o governo federal criou o Plano Nacional de Fertilizantes (PNF), que prevê investimentos na ampliação da produção interna e tem como meta reduzir a dependência externa para cerca de 50% até 2050.
Quais são os maiores exportadores de fertilizantes para o Brasil?
Rússia, Canadá, China, Marrocos e Egito lideram o ranking dos maiores exportadores de fertilizantes para o Brasil, segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária.
Rússia
A Rússia é o maior fornecedor individual de fertilizantes para o Brasil, com participação de 22,1% nas importações entre janeiro e fevereiro de 2026. Do território russo, o Brasil importa principalmente cloreto de potássio, ureia e fosfato monoamônico (MAP).
A competitividade russa se deve, em grande parte, às vastas reservas de gás natural do país, que reduzem os custos de produção dos fertilizantes nitrogenados e permitem preços mais atrativos no mercado internacional.
Canadá
O Canadá foi responsável por 15,4% das importações de fertilizantes no Brasil entre janeiro e fevereiro de 2026. O destaque canadense se concentra no potássio, nutriente em que o país figura entre os maiores produtores e exportadores do mundo.
Outros compostos da cadeia NPK também integram os volumes importados, mas o potássio responde pela parcela absoluta das compras.
China
A China é o terceiro maior fornecedor de fertilizantes para o Brasil, com 13,4% de participação nas importações em 2026. O país se especializa no fornecimento de fertilizantes fosfatados e nitrogenados, dois dos três nutrientes que compõem o complexo NPK.
A força chinesa nesse mercado está ligada à sua capacidade industrial e à escala de produção, que permitem oferecer insumos a preços competitivos.
Marrocos
O Marrocos abriga as maiores reservas de fosfato do mundo e é o segundo maior produtor global desse nutriente. O país norte-africano participou com 7,3% das importações brasileiras no início de 2026.
A principal fornecedora dos insumos marroquinos ao mercado brasileiro é a OCP, estatal do setor de fosfatos. Além dos fertilizantes fosfatados puros, o Marrocos também exporta fertilizantes mistos para o Brasil.
Egito
O Egito responde por 3,6% das importações brasileiras de fertilizantes. O principal produto exportado pelo país ao Brasil é a ureia, fertilizante nitrogenado amplamente utilizado nas lavouras brasileiras.
Além da ureia, o Egito também fornece fertilizantes à base de fosfato e ácido fosfórico, insumos que integram a cadeia produtiva de adubos para a agricultura.
Quem é o maior exportador de fertilizantes para o Brasil atualmente?
A Rússia é o maior exportador de fertilizantes para o Brasil. Os dados mais recentes da COMEX mostram que no acumulado até fevereiro de 2026, o país respondeu por 22,1% de todas as importações brasileiras do insumo, equivalente a US$ 388,96 milhões no período.
O país mantém a liderança graças às vastas reservas de gás natural, que reduzem os custos de produção dos fertilizantes nitrogenados, e à capacidade de fornecer simultaneamente os três nutrientes do complexo NPK: nitrogênio, fósforo e potássio.
Mesmo diante das incertezas geradas pela guerra contra a Ucrânia, iniciada em 2022, a Rússia manteve sua relevância como fornecedora do agronegócio brasileiro.
A guerra entre Rússia e Ucrânia afetou o mercado de fertilizantes?
Sim, a guerra entre Rússia e Ucrânia provocou fortes impactos no mercado global de fertilizantes. Nos primeiros meses após o início da guerra, em fevereiro de 2022, os fertilizantes registraram aumentos expressivos. A ureia, por exemplo, acumulou alta de cerca de 70% em apenas um mês. Já o MAP (fosfato monoamônico) avançou aproximadamente 45%, enquanto o cloreto de potássio registrou valorização próxima de 53%.
A crise reforçou a necessidade de reduzir a dependência externa. Diante desse cenário, o Brasil acelerou discussões sobre ampliação da produção nacional e fortalecimento do Plano Nacional de Fertilizantes.
O conflito no Oriente Médio mudou os fornecedores de fertilizantes do Brasil?
O conflito no Oriente Médio não alterou de forma significativa os principais fornecedores de fertilizantes para o Brasil, mas seus efeitos se fizeram sentir de outras maneiras. A crise elevou os custos dos insumos agrícolas e expôs a vulnerabilidade do país diante de instabilidades logísticas em regiões estratégicas para o comércio global.
O agravamento das tensões trouxe incertezas ao mercado internacional, sobretudo no segmento dos fertilizantes nitrogenados. Importantes centros produtores da região foram afetados. O Catar, por exemplo, reduziu parte de sua produção, o que contribuiu para diminuir a oferta disponível no mercado global.
Para o Brasil, os impactos se manifestaram principalmente no encarecimento das importações, ainda sem força suficiente para provocar uma reconfiguração dos fornecedores.
Houve mudanças entre os maiores exportadores de fertilizantes para o Brasil nos últimos anos?
A Rússia continua como o principal fornecedor de fertilizantes para o mercado brasileiro. No entanto, sua participação apresentou oscilações após o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, quando surgiram preocupações sobre possíveis restrições comerciais e dificuldades logísticas. Apesar disso, o país manteve sua relevância graças à grande oferta de fertilizantes nitrogenados, potássicos e fosfatados.
Enquanto isso, a China ampliou sua presença em alguns períodos, especialmente no fornecimento de fertilizantes fosfatados e nitrogenados. O crescimento da participação chinesa ocorreu em meio à busca por alternativas que reduzissem a dependência de mercados específicos.
Quais fertilizantes o Brasil mais importa?
O Brasil importa principalmente fertilizantes à base de potássio, fósforo e nitrogênio, que fazem parte do chamado complexo NPK, nutrientes essenciais para manter a produtividade das principais culturas agrícolas do país.
Os principais fertilizantes importados pelo Brasil são:
- Cloreto de potássio (KCl): o Brasil importa cerca de 97% do potássio consumido no país. O produto fornece potássio às lavouras e é amplamente utilizado em culturas como soja, milho e cana-de-açúcar;
- Ureia: principal fertilizante nitrogenado utilizado na agricultura brasileira. Ela fornece nitrogênio, nutriente essencial para o crescimento das plantas;
- MAP (Fosfato Monoamônico): fertilizante que combina fósforo e nitrogênio em uma única formulação, muito utilizado no plantio de grãos;
- Fertilizantes fosfatados: incluem diferentes produtos utilizados para fornecer fósforo ao solo;
- Fertilizantes NPK formulados: são misturas que combinam nitrogênio, fósforo e potássio em proporções específicas para cada cultura. Esses produtos chegam ao Brasil tanto prontos para uso quanto na forma de matérias-primas destinadas à formulação nacional.
Por que Canadá, Rússia e China são tão importantes para o Brasil?
Canadá, Rússia e China são os principais fornecedores de fertilizantes para o Brasil. Juntos, esses países fornecem grande parte dos nutrientes utilizados nas principais culturas agrícolas do país, como soja, milho, algodão e cana-de-açúcar. Juntos, esses três países respondem por mais de 50% de tudo que o Brasil importa em fertilizantes.
A Rússia lidera as exportações e possui uma das maiores indústrias de fertilizantes do mundo. É o único país que fornece ao Brasil os três nutrientes do complexo NPK de forma simultânea: potássio, nitrogênio e fósforo.

Já o Canadá está entre os maiores produtores mundiais de potássio, um dos nutrientes mais importantes para a agricultura brasileira. Como o Brasil importa a maior parte do potássio que utiliza, o Canadá se tornou um parceiro comercial essencial para garantir o abastecimento do setor agrícola.
A China é importante no fornecimento de produtos fosfatados e nitrogenados para o Brasil. Nos últimos anos, o país ampliou sua participação nas exportações de fertilizantes, contribuindo para diversificar as origens das importações brasileiras.
Quais são as maiores empresas de fertilizantes que atuam no Brasil?
Nos últimos anos, o setor passou por um processo de expansão e diversificação, aumentando a concorrência entre fabricantes, importadoras e distribuidoras de insumos agrícolas.
Entre as maiores empresas de fertilizantes que atuam no Brasil estão:
- Mosaic;
- Fertipar;
- Yara International;
- Cibra;
- Fertilizantes Heringer;
- ICL;
- Araguaia;
- Nitro;
- Fertgrow;
- BRFertil.
Perguntas frequentes
Por que o Brasil importa tanto fertilizante?
Porque a produção nacional não consegue atender à demanda do agronegócio. O país tem limitações na extração de matérias-primas, custos de produção elevados e infraestrutura logística insuficiente.
Quais são os maiores exportadores de fertilizantes para o Brasil?
Rússia, Canadá, China, Marrocos e Egito lideram as exportações de fertilizantes para o Brasil.
Quais fertilizantes o Brasil mais importa?
Os principais são cloreto de potássio, ureia, MAP (fosfato monoamônico), fertilizantes fosfatados e formulações NPK. Esses produtos fornecem os três nutrientes essenciais para a agricultura: nitrogênio, fósforo e potássio.
