Pedido de demissão: quais os direitos e como calcular
Saiba como funciona o pedido de demissão e descubra quais direitos trabalhistas continuam garantidos ao trabalhador.
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Embora o pedido de demissão seja uma iniciativa do próprio trabalhador, ele não elimina todos os direitos garantidos pela legislação. Antes de formalizar a saída da empresa, é fundamental entender como funciona esse processo para evitar surpresas e planejar melhor os próximos passos da carreira.
Confira abaixo quais verbas rescisórias são pagas, como calcular a rescisão, quando o aviso-prévio pode ser descontado e quais cuidados financeiros devem ser considerados antes de encerrar o vínculo empregatício.
O que é pedido de demissão?
O pedido de demissão acontece quando o próprio trabalhador decide encerrar o contrato de trabalho com a empresa.
Para formalizar a saída, o funcionário deve comunicar sua decisão à empresa e cumprir as regras previstas na legislação trabalhista. Como o encerramento do vínculo ocorre por vontade do trabalhador, alguns direitos pagos em outras modalidades de rescisão não são aplicáveis.
Diferença entre pedido de demissão e demissão sem justa causa
No pedido de demissão, a iniciativa parte do trabalhador. Já na demissão sem justa causa, a empresa decide encerrar o vínculo empregatício sem que o funcionário tenha cometido uma falta grave.
Nessa situação, a legislação garante uma série de direitos ao trabalhador, incluindo o saque integral do FGTS, a multa rescisória de 40% e a possibilidade de solicitar o seguro-desemprego, desde que cumpra os requisitos do benefício.
Diferença entre pedido de demissão e rescisão por acordo
Na rescisão por acordo, empregado e empregador concordam em encerrar o contrato de trabalho. Essa modalidade passou a ser prevista pela Reforma Trabalhista de 2017 e funciona como uma alternativa intermediária entre o pedido de demissão e a demissão sem justa causa.
Nesse caso, o trabalhador pode sacar até 80% do saldo do FGTS e receber uma multa rescisória de 20% sobre o valor disponível no fundo. No entanto, não tem direito ao seguro-desemprego.
Quais são os direitos de quem pede demissão?
Quem pede demissão mantém o direito de receber algumas verbas trabalhistas previstas em lei, como:
- Saldo de salário pelos dias trabalhados no mês da rescisão;
- Décimo terceiro salário proporcional;
- Férias vencidas, caso existam, acrescidas de um terço constitucional;
- Férias proporcionais acrescidas de um terço constitucional;
- Depósitos do FGTS realizados pela empresa até a data do desligamento (mas não pode sacar).
O que o trabalhador perde ao pedir demissão?
Ao pedir demissão, o trabalhador perde alguns benefícios que são concedidos apenas nos casos em que a iniciativa do desligamento parte da empresa.
Entre eles estão o direito de:
- Sacar o saldo disponível no FGTS;
- Receber a multa rescisória de 40% sobre os depósitos do fundo;
- Acesso ao seguro-desemprego.
Quais verbas rescisórias são pagas no pedido de demissão?
No pedido de demissão, o trabalhador recebe as verbas rescisórias relacionadas ao período efetivamente trabalhado e aos direitos já adquiridos durante o contrato.
Os valores normalmente pagos são:
- Saldo de salário pelos dias trabalhados no mês da rescisão;
- Décimo terceiro salário proporcional;
- Férias vencidas, caso existam, acrescidas de um terço constitucional;
- Férias proporcionais acrescidas de um terço constitucional.
Como funciona o aviso-prévio no pedido de demissão?
Ao pedir demissão, o trabalhador deve cumprir o aviso-prévio ou, caso não o faça, poderá ter o valor correspondente descontado das verbas rescisórias. A regra existe para que a empresa tenha tempo de reorganizar suas atividades e encontrar um substituto.
O trabalhador é obrigado a cumprir aviso?
Em regra, quem pede demissão deve cumprir o aviso-prévio. No entanto, o trabalhador pode solicitar a dispensa do aviso, e a empresa tem o direito de aceitar ou recusar o pedido.
Se a empresa aceitar o pedido de dispensa, o trabalhador não será mais obrigado a cumprir o aviso.
Quantos dias de aviso-prévio devem ser cumpridos?
O prazo do aviso-prévio no pedido de demissão é de 30 dias. Durante esse período, o empregado continua trabalhando normalmente e recebendo salário e benefícios. Diferentemente da demissão sem justa causa, não há redução da jornada de trabalho.

O que acontece se não cumprir o aviso?
Se o trabalhador não cumprir o aviso-prévio e não for dispensado pela empresa, o valor correspondente aos dias não trabalhados poderá ser descontado da rescisão.
Contudo, mesmo sem cumprir o aviso-prévio, o trabalhador continua tendo direito às demais verbas rescisórias previstas para o pedido de demissão.
O aviso-prévio pode ser descontado?
Sim. Se o trabalhador pedir demissão e não cumprir o aviso-prévio de 30 dias, a empresa poderá descontar o valor correspondente das verbas rescisórias.
O desconto será proporcional aos dias não trabalhados. Porém, se a empresa dispensar o cumprimento do aviso, nenhum valor poderá ser descontado.
Quem consegue um novo emprego precisa cumprir aviso-prévio?
Sim. Conseguir um novo emprego não elimina a obrigação de cumprir o aviso-prévio no pedido de demissão. A dispensa só ocorre se a empresa concordar com a liberação antecipada.
Caso o trabalhador deixe de cumprir o aviso sem autorização, a empresa poderá descontar o valor correspondente das verbas rescisórias.
Como calcular a rescisão por pedido de demissão
O cálculo da rescisão considera as verbas que o trabalhador tem direito a receber até a data do desligamento.
Veja um exemplo de um trabalhador com salário de R$ 4.200,00 que pediu demissão em setembro, trabalhou 20 dias no mês da rescisão e completou 9 meses do período aquisitivo de férias.
1. Saldo de salário
- Valor por dia: R$ 4.200,00 ÷ 30 = R$ 140,00
- Saldo pelos 20 dias trabalhados: R$ 140,00 × 20 = R$ 2.800,00
2. 13º salário proporcional
- Valor mensal: R$ 4.200,00 ÷ 12 = R$ 350,00
- Proporcional a 9 meses: R$ 350,00 × 9 = R$ 3.150,00
3. Férias proporcionais + 1/3
- Férias proporcionais: R$ 350,00 × 9 = R$ 3.150,00
- Adicional de um terço: R$ 3.150,00 ÷ 3 = R$ 1.050,00
- Total das férias: R$ 3.150,00 + R$ 1.050,00 = R$ 4.200,00
4. Total da rescisão
- Saldo de salário: R$ 2.800,00
- 13º proporcional: R$ 3.150,00
- Férias proporcionais + 1/3: R$ 4.200,00
- Total bruto estimado: R$ 10.150,00
Esse valor ainda pode sofrer descontos de INSS, Imposto de Renda (quando aplicável) e do aviso-prévio, caso ele não seja cumprido. Além disso, horas extras, adicional noturno, comissões e outros valores variáveis também devem ser considerados no cálculo.
Quem deseja apenas fazer uma estimativa pode recorrer a calculadoras rescisórias online, que permitem simular os valores de forma rápida e gratuita, como a Cálculo Exato e a calculadora trabalhista da Catho.
Quanto tempo a empresa tem para pagar a rescisão?
A empresa tem até 10 dias corridos após o fim do contrato de trabalho para pagar as verbas rescisórias e entregar os documentos do desligamento.
No pedido de demissão, esse prazo começa a contar no dia seguinte ao último dia trabalhado. Se a empresa não cumprir o prazo, poderá sofrer as penalidades previstas na CLT.
Como pedir demissão de forma profissional
Para pedir demissão de forma profissional, o ideal é comunicar a decisão primeiro ao gestor direto e, em seguida, formalizar o pedido por escrito.

Essa postura demonstra respeito pela empresa, ajuda a manter um bom relacionamento profissional e evita problemas durante o processo de desligamento.
Como fazer uma carta de pedido de demissão
A carta de pedido de demissão é um documento simples que formaliza a decisão do trabalhador de encerrar o contrato de trabalho. Nela, também deve constar se o aviso-prévio será cumprido ou não.
Após comunicar a decisão à empresa, a carta geralmente é entregue ao RH ou ao gestor responsável. O formato pode variar conforme as regras internas da empresa e pode ser aceita de forma manuscrita ou digitada.
O que deve constar na carta
A carta de pedido de demissão deve conter as seguintes informações:
- Nome da empresa;
- Nome do responsável pelo recebimento;
- Declaração do pedido de demissão;
- Informação sobre o aviso-prévio;
- Local e data;
- Nome completo do trabalhador;
- Assinatura.
Após a entrega, é recomendável guardar uma cópia assinada ou solicitar um comprovante de recebimento.
O pedido de demissão pode ser cancelado?
O pedido de demissão pode ser cancelado enquanto o aviso-prévio ainda estiver em andamento, desde que a empresa concorde com a continuidade do vínculo empregatício.
No entanto, após a conclusão da rescisão e o encerramento do contrato, o cancelamento não é mais possível. Nesse caso, o retorno à empresa só poderá ocorrer por meio de uma nova contratação.
Cuidados financeiros antes de pedir demissão
Antes de pedir demissão, é importante avaliar sua situação financeira e planejar os próximos meses. Como essa modalidade de desligamento não garante acesso ao seguro-desemprego nem ao saque do FGTS, a renda pode ficar comprometida até a conquista de uma nova oportunidade profissional.
O primeiro cuidado é verificar se existe uma reserva financeira capaz de cobrir despesas essenciais, como moradia, alimentação, transporte e contas fixas. Também vale a pena calcular quanto será recebido na rescisão para entender quais recursos estarão disponíveis após o encerramento do contrato.
Outros pontos que merecem atenção são:
- Organizar o orçamento pessoal antes do desligamento;
- Evitar assumir novas dívidas ou financiamentos;
- Verificar gastos que podem ser reduzidos temporariamente;
- Considerar a perda do plano de saúde empresarial e de outros benefícios;
- Avaliar se já existe uma proposta de emprego ou uma fonte alternativa de renda.
Perguntas frequentes
Quais são meus direitos se eu pedir demissão?
Ao pedir demissão, o trabalhador tem direito ao saldo de salário pelos dias trabalhados, 13º salário proporcional, férias vencidas (se houver) acrescidas de um terço e férias proporcionais também com acréscimo de um terço.
Quem pede demissão tem direito ao FGTS?
Os depósitos realizados pela empresa permanecem na conta do FGTS. No entanto, o trabalhador não pode sacar o saldo em razão do pedido de demissão.
Existe diferença entre pedido de demissão e rescisão por acordo?
Na rescisão por acordo, empregado e empregador encerram o contrato em comum acordo, permitindo o saque de até 80% do FGTS e o recebimento de multa de 20% sobre o saldo do fundo.
