Resumo da Semana: moedas

O mercado está ancorado nas expectativas em torno da aprovação do relatório da reforma da previdência na Comissão Especial. Basicamente, toda a apreciação do Real na última semana se deu em torno das perspectivas para a previdência. Não obstante, dados macroeconômicos relevantes estão condicionando o cenário para os próximos meses.

Real x Dólar

Dólar da Semana

O cenário externo deu alívio ao dólar desde o início da semana, apesar da ameaça de Donald Trump em tributar aproximadamente 89 produtos de origem europeia. Representantes americanos anunciaram a retomada das discussões junto a China, maior fonte de instabilidade do conflito comercial.

Complementarmente, a semana foi marcada pelo feriado da Independência dos Estados Unidos, diminuindo o volume de negócios no mercado futuro de dólar, e colocando mais ênfase no noticiário político nacional.

Desse modo, o desempenho da moeda norte-americana no Brasil ficou a cargo das discussões da Previdência. A semana começou com a perspectiva de aprovação do relatório na Comissão Especial. Após alguns reveses por conta de ressalvas do centrão e da oposição, a aprovação veio na quinta-feira (4). 

O dólar comercial, portanto, iniciou a semana a R$ 3,8375 e, até o momento que este artigo foi escrito, estava na casa dos R$ 3,7987, apreciação de pouco mais de 1%.

Real x Euro

O Euro tem sofrido com uma atividade econômica mais fraca. Desse modo, a perspectiva de maior tributação sobre produtos de origem europeia gerou bastante instabilidade na moeda europeia nesta semana.

Em resposta a essas perspectivas, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi anunciou medidas de estímulo monetário para região, como estímulo ao crédito e redução dos juros da região. O anúncio do BCE também não agradou Trump, que reforçou ainda mais a posição de tributar produtos europeus caso os estímulos se concretizem. 

Cabe destaque que em face do acordo Mercosul-UE também houve um certo frenesi no mercado, uma vez que a formalização do acordo de livre comércio pode trazer benefícios para o mercado Europeu.

Nesse contexto, o Euro começou a semana na casa dos R$ 4,3342 e, na conclusão deste artigo, estava sendo negociado a R$ 4,2861, uma apreciação de 1,12% no período.

Real x Libra Esterlina

Na esteira da conjuntura econômica britânica dominada pelo Brexit, a fala do presidente do Banco da Inglaterra (BoE), Mark Carney, ganhou relevância. Apesar dos dados econômicos do Reino Unido positivos na última semana, Carney destacou que a política monetária do BoE deve se manter sem grandes mudanças, ainda que com ressalvas. 

As principais ressalvas de Carney foram acerca da possibilidade de um aprofundamento da Guerra Comercial, que, como já tem sido ventilado em uma série de estudos do FMI, pode deprimir o comércio mundial. 

Mas a maior fonte de preocupação do BoE é a perspectiva de um Hard Brexit, um divórcio do Reino Unido sem acordo. Como os favoritos para ocupar a cadeira de Theresa May como Primeiro Ministro (PM) são fortes defensores do Brexit, as expectativas de impactos negativos para o Reino Unido, que já sofre com o prolongamento das negociações, se reafirmam.

Assim sendo, Carney defende que o BoE deverá reduzir os juros, estimular a economia com crédito e, ainda, com uma política fiscal expansionista para suprir a demanda no contexto do possível Brexit sem acordo.

A Libra Esterlina começou a semana sendo negociada a R$ 4,8891 e terminou a semana e até o final da tarde de quinta, estava sendo negociada a R$ 4,7804, uma apreciação de 2,27%.

Perspectivas

Em suma, destacamos que a previdência foi o grande driver do movimento do Real frente às principais moedas dos países desenvolvidos, apesar dos dados econômicos e eventos políticos específicos de cada região.

Desse modo, o Real registrou apreciação significativa, especialmente com relação à Libra Esterlina que, por sua vez, tem sofrido com um contexto econômico bastante difícil e, adicionalmente, as incertezas políticas da região.

Real entra, portanto, numa fase de valorização de curto prazo frente ao Dólar, Euro e Libra, com destaque ao Dólar americano, por conta dos desdobramentos políticos brasileiros e a um cenário externo mais ameno.

André Galhardo é economista-chefe da Análise Econômica Consultoria, professor e coordenador universitário nos cursos de Ciências Econômicas. Mestre em Economia Política pela PUC-SP, possui ampla experiência em análise de conjuntura econômica nacional e internacional, com passagens pelo setor público.