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DRE: o que é e como fazer a demonstração do exercício

Neste artigo você vai saber o que é uma DRE, quem deve fazer esse documento e por que ela é importante. Também verá um modelo simplificado do que deve constar nessa demonstração.

Contadora apresentando DRE ao cliente.
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Manter as finanças organizadas é essencial para o sucesso de qualquer negócio. E, nesse contexto, a DRE (Demonstração do Resultado do Exercício) se destaca como uma das ferramentas mais importantes da contabilidade. Esse documento faz parte do calendário contábil anual e ajuda a entender com clareza os resultados da empresa ao longo do período.

Se você está começando um negócio ou quer entender melhor o que é a DRE e como elaborá-la, este conteúdo é para você. Continue a leitura e tire suas dúvidas.

O que é DRE (Demonstração do Resultado do Exercício)?

A DRE (Demonstração do Resultado do Exercício) é um relatório contábil que mostra, de forma clara e organizada, se a empresa teve lucro ou prejuízo em um determinado período. Esse documento apresenta todas as receitas, custos, despesas e provisões do negócio, permitindo analisar o desempenho financeiro da empresa.

A DRE é obrigatória e deve ser feita ao final de cada exercício financeiro (que começa em 1 de janeiro e vai até 31 de dezembro) e deve discriminar o resultado deste período, ou seja, o resultado líquido do ano (receitas subtraídas das despesas). Porém, muitas empresas também elaboram versões mensais ou trimestrais da demonstração do resultado do exercício para facilitar a gestão e a tomada de decisões.

Homem explicando DRE para o empresário.
A DRE detalha receitas, custos e despesas, mostrando o verdadeiro desempenho financeiro da empresa.

Geralmente apresentada em formato de planilha, a DRE segue uma estrutura padronizada, com dados dispostos em ordem lógica para mostrar o resultado líquido do período, ou seja, o valor que sobra após subtrair todas as despesas da receita total.

Para que serve a DRE?

A DRE serve para mostrar, de forma objetiva, como está a saúde financeira da empresa. Com ela, é possível entender se o negócio está tendo lucro ou prejuízo, facilitando decisões estratégicas, como onde cortar gastos ou aumentar investimentos.

Além disso, esse é um documento importante para atender à legislação. E, de acordo com as normas aplicáveis, sempre que a empresa for uma Sociedade Anônima (S.A) precisará tornar suas DREs públicas, através de publicação no Diário Oficial.

Outro ponto importante sobre o seu objetivo é que as informações obtidas são necessárias para preencher e enviar a declaração do IRPJ (Imposto de Renda para Pessoa Jurídica).

Como tem o objetivo de demonstrar os resultados do negócio em um determinado ano, a DRE também costuma ser solicitada por bancos e investidores para avaliar a saúde financeira da empresa. Dessa forma, é usada como base para decidir sobre a concessão de empréstimos, financiamentos ou até investimentos no negócio.

Quais são os principais elementos da DRE?

Não existe um modelo oficial de Declaração do Resultado do Exercício que as empresas devem usar. Mas há diretrizes na legislação que determinam o que deve obrigatoriamente estar em toda DRE. Segundo o artigo 187 da Lei nº 6.404/1976  (e sua modificação pela Lei 11.638/2007), a DRE deve conter as seguintes informações:

I – A receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos;

II – A receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto;

III – As despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais;

IV – O lucro ou prejuízo operacional, as outras receitas e as outras despesas;

V – O resultado do exercício antes do Imposto sobre a Renda e a provisão para o imposto;

VI – As participações de debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias, mesmo na forma de instrumentos financeiros, e de instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados, que não se caracterizem como despesa; 

VII – O lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montante por ação do capital social.

Qual é a estrutura da DRE?

A estrutura da DRE pode variar conforme o porte e o tipo de atividade da empresa, mas alguns elementos são essenciais e devem seguir o que a legislação exige. 

Para ajudar, preparamos um modelo que pode ser usado como base para elaborar a declaração, que pode ser usada para montar a sua demonstração do resultado do exercício:

Receita Bruta — é o valor faturado no período

  • Deduções e abatimentos — impostos que incidiram na venda de produtos ou serviços, como PIS/Cofins e ICMS;

Receita Líquida — é o resultado da subtração das deduções em relação à receita bruta

  • Custos de mercadorias vendidas — valor total dos custos envolvendo os produtos comercializados;
  • Custos de serviços vendidos — total de custos relacionados aos serviços prestados;

Lucro Bruto — é o resultado da receita líquida, menos os custos citados acima

  • Despesas com Vendas — custos envolvidos na venda, como brindes, comissões de vendas, etc.;
  • Despesas Financeiras — envolve juros pagos, despesas bancárias, descontos concedidos, entre outras;
  • Despesas Administrativas — é o que traz mais custos: envolve todas as despesas relacionadas ao funcionamento do negócio, como aluguel, água, energia elétrica, pagamento de funcionários, combustível, seguros, etc.

Lucro ou Prejuízo Parcial — é o resultado do lucro bruto com a subtração de todas as despesas citadas;

  • Provisões do IRPJ e da CSLL — custos com recolhimento dessas taxas, sendo que o IRPJ é calculado sobre a renda bruta e o CSLL sobre a renda líquida;
  • Demais despesas — aqui, é preciso indicar as despesas extra operacionais, como dividendos, juros de empréstimos, etc.;

Resultado Líquido do Exercício — após subtrair as despesas listadas do lucro ou prejuízo parcial, a empresa terá o valor final da DRE.

Qual a diferença entre DRE e DFC (Demonstração de Fluxo de Caixa)?

Enquanto a DRE mostra se a empresa teve lucro ou prejuízo em um determinado período, com base no regime de competência, o DFC (Demonstração de Fluxo de Caixa) mostra quanto dinheiro efetivamente entrou e saiu do caixa da empresa, com base no regime de caixa. 

Ou seja, o DRE considera a data em que as receitas e despesas foram geradas, independentemente de quando o dinheiro entrou ou saiu Já o DFC registra apenas movimentações financeiras que já ocorreram.

Na prática, a DRE é usada para avaliar a viabilidade financeira do negócio a médio e longo prazo, analisando a lucratividade. Por outro lado, o DFC é essencial para o controle do caixa no dia a dia, ajudando a empresa a manter sua liquidez e cumprir com seus compromissos imediatos. 

Como fazer a DRE da sua empresa?

Uma forma bastante prática de fazer a DRE é contar com planilhas, criando a estrutura que atenda à legislação (como o modelo que mostramos) e detalhando cada tipo de despesa. A vantagem é que é possível criar fórmulas para fazer os cálculos automaticamente, bastando preencher as informações de cada campo.

Mulher criando DRE na planilha.
Use fórmulas em planilhas para automatizar a DRE e reduzir erros no preenchimento.

Para facilitar o processo, vale a pena fazer um fechamento mensal para ter mais tranquilidade na hora de fazer o documento anual. Isso diminuirá o volume de dados a serem preenchidos e analisados na hora de finalizar a DRE.

Com todos os meses preenchidos corretamente, basta fazer a soma dos resultados de cada campo no ano e importar esse resultado para uma nova planilha que replique o formulário. Assim, o resultado anual é obtido facilmente e a empresa terá acesso às informações mensais durante o ano para auxiliar na tomada de decisão.

DRE para MEI, ME e EPP: é obrigatório?

A DRE é obrigatória para todas as empresas, com exceção do MEI (Microempreendedor Individual). Empresas enquadradas como ME (Microempresa) e EPP (Empresa de Pequeno Porte), mesmo optando pelo Simples Nacional, precisam elaborar a DRE anualmente, seguindo as normas contábeis. 

No entanto, mesmo sem a obrigação legal, os MEIs podem fazê-la voluntariamente para acompanhar melhor seus resultados.

Quais os métodos de análise da DRE?

  • Análise horizontal: avalia os resultados comparando com o mês anterior para entender se ela está melhor do que no mês anterior, mostrando resultados baseados nas vendas e impostos pagos;
  • Análise vertical: verifica os valores indicados na estrutura e cria percentuais para que sejam feitas comparações entre os períodos.

Após preencher a DRE, é essencial saber analisá-la para entender a saúde financeira do negócio e identificar possíveis melhorias a serem implementadas.

Qual a importância da DRE?

A DRE é importante porque mostra, de forma clara, se a empresa teve lucro ou prejuízo em um determinado período, a partir da comparação entre receitas e despesas.

Essa análise permite entender a saúde financeira do negócio, identificar pontos de melhoria e tomar decisões mais estratégicas. Além disso, a DRE é essencial para cumprir obrigações contábeis e fiscais, como o Imposto de Renda, e pode ser exigida por bancos e investidores na hora de solicitar crédito ou atrair investimentos.

Se sua empresa conta com um setor contábil, o início do ano é o momento ideal para reunir os dados necessários à elaboração dos documentos contábeis. Caso não tenha um contador interno, o mais indicado é contratar uma assessoria contábil, que poderá auxiliar tanto na elaboração da DRE quanto no cumprimento das obrigações que virão nos próximos meses, como a declaração do Imposto de Renda.

Perguntas frequentes

O que é DRE?

É a sigla para Demonstração do Resultado do Exercício. Trata-se de um documento, geralmente em forma de planilha, elaborado anualmente que detalha como foi o ano da empresa do ponto de vista contábil e patrimonial.

Para que serve a DRE?

Serve para entender se o negócio está dando lucro ou prejuízo, ajudar na tomada de decisões, cumprir obrigações legais e fiscais e fornecer informações importantes para bancos e investidores.

Como fazer a DRE?

Você pode montar a DRE com planilhas ou usar sistemas de gestão contábil. É preciso seguir uma estrutura padrão, detalhando todas as receitas, custos e despesas. O ideal é fazer fechamentos mensais e consolidar os dados no final do ano.

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