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Exportar para os Estados Unidos: regras, taxas e oportunidades para empresas brasileiras

Quer exportar para os Estados Unidos, mas não sabe por onde começar? Comece se informando sobre as burocracias. Neste artigo mostramos tudo. Confira!

Homem verificando mercadoria para exportar para os Estados Unidos
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Exportar para os Estados Unidos é um pensamento natural de quem quer começar o processo de internacionalização da empresa. Nessa fase, muitas dúvidas podem surgir, com relação a questões burocráticas, de mercado, documentação, tributação, entre outras

Preparamos este artigo, com as respostas para essas e outras dúvidas, para ajudar quem quer exportar para os Estados Unidos e não sabe por onde começar. Acompanhe a seguir e aproveite para colocar em prática no seu negócio. 

Por que exportar para os Estados Unidos?

Os Estados Unidos representam uma das oportunidades mais atraentes para quem deseja expandir suas vendas ao mercado internacional. O país abriga um dos maiores e mais dinâmicos mercados consumidores do mundo, com gastos que alcançaram US$ 16,4 trilhões no segundo trimestre de 2025.

O poder de compra tamém é elevado: o salário médio nacional gira em torno de US$ 63.795, e o PIB per capita em PPP chega a US$ 75.492, indicando uma população com alta capacidade de consumo.

Outro ponto favorável é a dimensão e diversidade do mercado norte-americano. Por ser amplo e altamente segmentado, ele permite que empresas de diferentes portes encontrem nichos específicos, ampliem sua competitividade e ofereçam produtos direcionados a públicos bem definidos. Não à toa, os EUA são o maior importador do mundo, acumulando US$ 4,11 trilhões em bens e serviços importados em 2024 — um sinal claro de forte demanda e abertura para novos fornecedores internacionais.

As tendências de consumo também favorecem produtos de maior valor agregado, especialmente aqueles ligados à qualidade e sustentabilidade. Segundo a pesquisa 360 da Innova, 1 em cada 5 consumidores norte-americanos considera a sustentabilidade um fator essencial na escolha de marcas. 

Além disso, 66% esperam que as empresas adotem práticas de proteção ambiental, e 1 em cada 3 associa o compromisso sustentável à redução de desperdício. Isso significa que marcas alinhadas a esses valores têm vantagem competitiva e maior potencial de expansão no país.

O que é preciso para exportar para os Estados Unidos?

Exportar para os EUA envolve planejamento, regularização e atenção às regras de ambos os países. Para facilitar o processo, confira o checklist abaixo com os principais passos para preparar sua empresa e seu produto para o mercado norte-americano:

  • Definir o mercado-alvo: pesquisar demanda, perfil do consumidor e concorrentes;
  • Regularizar a empresa: verificar se o contrato social permite exportar e ajustar documentos, se necessário;
  • Checar a regulamentação: entender normas brasileiras e americanas, incluindo certificações e rotulagem;
  • Avaliar custos da exportação: calcular logística, impostos e despesas administrativas;
  • Estabelecer contatos e parcerias: buscar potenciais clientes, distribuidores ou representantes;
  • Planejar a logística internacional: definir transporte, prazos e embalagens adequadas;
  • Acompanhar regras fiscais: manter-se atualizado sobre mudanças tributárias e regulatórias.

Regras e exigências dos Estados Unidos para exportações

As regras de exportação para os Estados Unidos são definidas por diferentes órgãos do governo americano. Cada agência regula um tipo de produto ou procedimento, os principais são;

  • U.S. Food and Drug Administration (FDA): regula alimentos, medicamentos, cosméticos e dispositivos médicos;
  • U.S. Department of Agriculture (USDA): supervisiona a importação de produtos agrícolas e alimentos;
  • Alcohol and Tobacco Tax and Trade Bureau (TTB): controla a produção, circulação e tributação de bebidas alcoólicas e tabaco;
  • U.S. Consumer Product Safety Commission (CPSC): garante que produtos de consumo atendam aos padrões de segurança obrigatórios;
  • Occupational Safety and Health Administration (OSHA): estabelece normas para ambientes de trabalho seguros;
  • U.S. Department of Energy (DOE): promove avanços em energia renovável e eficiência energética;
  • U.S. Customs and Border Protection (CBP): fiscaliza importações, processos alfandegários e cumprimento das regras de entrada;
  • International Trade Administration (ITA): apoia operações de comércio exterior e atividades de exportação.

Também, é importante ficar atento aos documentos exigidos para esse tipo de operação. Por ser um processo que pode exigir documentos diferentes, de acordo com a atividade da empresa ou mercadoria que será exportada, é preciso estar atento com as especificações de cada negócio. Dessa forma, não há uma lista de documentos que atenda a todos os tipos de exportações. 

O site do Siscomex conta com uma lista de orientações e alertas sobre os cuidados que os exportadores precisam ter para evitar erros.

Principais produtos brasileiros exportados para os EUA

O Brasil exporta diversos tipos de produtos para os Estados Unidos, impulsionando setores estratégicos da economia. A demanda americana é alta e abrange commodities, alimentos, bens industriais e produtos de maior valor agregado. Os principais produtos exportados são:

  • Café;
  • Carne;
  • Suco de laranja;
  • Aeronaves;
  • Semimanufaturados de ferro ou aço;
  • Materiais de construção e engenharia;
  • Madeira;
  • Máquinas e motores;
  • Eletrônicos;
  • Petróleo bruto e derivados;
  • Celulose;
  • Máquinas pesadas, como escavadeiras e pás mecânicas.

Barreiras e desafios ao exportar para os Estados Unidos

Ainda que a exportação para os EUA seja um bom negócio, existem barreiras e desafios tarifários, técnicos e logísticos que devem ser considerados porque podem impactar diretamente a competitividade dos produtos brasileiros. 

Homem lendo regulamento para exportar para os Estados Unidos
Empresas brasileiras precisam considerar logística, tarifas e exigências técnicas ao exportar para os Estados Unidos.

Entre os principais desafios estão as tarifas de importação, que variam conforme o tipo de mercadoria, o enquadramento tarifário e as políticas comerciais vigentes que podem mudar a qualquer momento. 

Nos últimos meses, por exemplo, houve o chamado “tarifaço”, medida em que o governo americano impôs tarifas de até 50% sobre determinados produtos brasileiros. Essa taxação elevada afeta a margem de lucro das empresas, exige reestruturação da estratégia comercial e obriga muitos exportadores a buscar novos mercados para reduzir a dependência dos EUA.

Outro desafio é que os Estados Unidos mantêm regulamentações técnicas rigorosas, especialmente para produtos agrícolas, que precisam cumprir exigências sanitárias, licenças, tratamentos especiais e controles de qualidade. Muitos itens precisam ser adaptados para atender padrões americanos, o que pode envolver mudanças em matéria-prima, design, embalagem e processos produtivos. 

Também é preciso considerar as diferenças culturais, preferências de consumo e expectativas de qualidade que influenciam a percepção do produto brasileiro.

Certificações importantes para entrar no mercado americano

O processo de Classificação Fiscal de Mercadorias é necessário para determinar os códigos dos bens que serão exportados. No Brasil, esse processo é feito através do sistema NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul). Já nos Estados Unidos, a classificação é feita de acordo com a tabela aduaneira do país, a “Harmonized Tariff Schedule of the United States (HTSUS)”. 

É responsabilidade do importador certificar de que a classificação da mercadoria foi feita corretamente.

Logística: como enviar produtos do Brasil para os Estados Unidos

Antes de enviar produtos do Brasil para os Estados Unidos, é necessário elaborar um bom planejamento logístico para não ter problemas com o transporte. 

A primeira opção é o transporte marítimo, modal mais usado para cargas de grande volume, pois reduz custos e oferece rotas frequentes entre os dois países. Mais de 360 portos comerciais integram o sistema portuário norte-americano, que movimenta bilhões de toneladas por ano.

Já o transporte aéreo atende cargas urgentes e produtos de maior valor agregado. Os Estados Unidos operam cerca de 7.800 aeronaves e movimentam mais de 9 milhões de toneladas de mercadorias anualmente.

Nesse caso, os principais portos americanos recebem grande parte das cargas brasileiras estão em Houston, Newport News, C Norfolk e Baltimore. Já nas operações aéreas, aeroportos como Miami, Nova York–JFK, Los Angeles, Chicago, Atlanta, Houston-Bush e Dallas/Fort Worth têm alto fluxo de cargas e capacidade de processamento rápido. 

Carga de exportação no avião
Os Estados Unidos movimentam milhões de toneladas de mercadorias graças a sua vasta malha aérea.

Uma maneira de facilitar todo o processo de exportação para os EUA é contratando freight forwarders. Esses agentes cuidam da documentação, consolidam cargas, negociam fretes, organizam o transporte e acompanham o desembaraço aduaneiro. Assim, reduzem erros logísticos e garantem mais eficiência em cada etapa do envio.

Quais as taxas de exportação do Brasil para os Estados Unidos?

As taxas de exportação do Brasil para os Estados Unidos variam conforme o tipo de produto, o enquadramento tarifário, acordos comerciais aplicáveis e as políticas em vigor.

Em geral, a estrutura tarifária de exportação para os Estados Unidos é formada por três tipos de alíquotas, veja quais são:

  • Ad valorem: é calculado a proporção do valor internalizado;
  • Específica: é baseada na função da unidade de comercialização do produto;
  • Mista: é a combinação das duas primeiras alíquotas (“ad valorem” e específica) 

No site da USITC é possível ter acesso às informações detalhadas sobre as regras de interpretação de cada alíquota do sistema tarifário do país. 

A alfândega estadunidense, em geral, considera o valor pago pela mercadoria no país de origem, adicionando despesas incorridas pelo comprador. As despesas consideradas podem ser: 

  • Custos com embalagens;
  • Pagamento de comissões;
  • Royalties;
  • Taxas de licenciamento;
  • Assists.

Recentemente, em meio ao chamado Tarifaço do Trump, as tarifas para alguns produtos brasileiros chegaram a 50% em produtos como carne, café e várias frutas. No entanto, após negociações esses valores tendem a baixar nos próximos meses. 

Perguntas frequentes

Vale a pena exportar para os Estados Unidos?

Sim. Os EUA têm um dos maiores mercados consumidores do mundo, alto poder de compra e forte demanda por produtos importados. Isso aumenta as chances de expansão e competitividade para empresas brasileiras.

Quais os principais produtos brasileiros exportados para os EUA?

Café, carne, suco de laranja, celulose, madeira, máquinas, eletrônicos, materiais de construção, aeronaves, petróleo e derivados.

Quais são as principais regras de exportação dos Estados Unidos?

As regras variam conforme o tipo de produto e são definidas por agências como FDA, USDA, CPSC e CBP. Elas tratam de temas como segurança, rotulagem, restrições de entrada e certificações obrigatórias.

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