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O que o Brasil exporta para os Estados Unidos? O país é líder em produtos como petróleo bruto, minério de ferro, aço, café, celulose, aeronaves e uma série de bens industriais e agroindustriais que compõem uma relação comercial sólida entre as duas maiores economias das Américas. 

Mas, por trás desses números, existe um cenário em constante transformação, marcado por mudanças nas cadeias globais, aumento da demanda por energia limpa, oscilações cambiais e novas políticas comerciais norte-americanas.

Continue a leitura do artigo para entender quais produtos o Brasil mais envia aos Estados Unidos, quais regiões lideram as exportações e quais tendências podem influenciar esse fluxo comercial.

Quanto o Brasil exporta para os Estados Unidos?

Em 2024, o valor total das exportações brasileiras para os Estados Unidos alcançou US$ 40,3 bilhões, segundo dados compilados pela Amcham Brasil, marcando um recorde histórico. Esse volume representa um crescimento de 9,2% em relação ao ano anterior, e reflete tanto a força do agronegócio quanto da indústria nacional.

Historicamente, os EUA têm se mantido como um dos principais destinos das exportações brasileiras, com destaque para combustíveis, aço, madeira, alimentos e produtos manufaturados.

Segundo dados recentes da TradeInt’s Brazil, em 2025 (primeiro semestre) o fluxo de exportações para os EUA atingiu cerca de US$ 23,9 bilhões, demonstrando a continuidade da relevância desse mercado.

O que o Brasil exporta para os Estados Unidos? Veja os 10 produtos principais

1. Combustíveis minerais e derivados de petróleo: cerca de US$ 7,96 bilhões em 2024

Os chamados “mineral fuels and oils” lideram a lista de exportações brasileiras para os EUA. Em 2024, esse grupo alcançou aproximadamente US$ 7,96 bilhões

Esse tipo de exportação reflete a demanda americana por energia e derivados, petróleo bruto, óleos e combustíveis processados, e reforça a importância do setor energético brasileiro no comércio exterior.

2. Ferro e aço: exportações no valor de US$ 5,72 bilhões em 2024

Os produtos das classes “iron and steel” representam uma alta parcela das exportações industriais para os EUA. Em 2024, esse setor exportou cerca de US$ 5,72 bilhões. 

Esses volumes mostram a relevância do Brasil como fornecedor de matérias-primas metálicas e insumos para a indústria americana, especialmente construção e manufatura.

3. Máquinas, reatores e aparelhos mecânicos: cerca de US$ 3,65 bilhões em 2024

Dentro da categoria “machinery, nuclear reactors and mechanical appliances”, as exportações brasileiras para os EUA totalizaram aproximadamente US$ 3,65 bilhões. 

Esse grupo inclui equipamentos industriais, maquinário para construção ou manufatura, que abastecem setores produtivos americanos.

4. Aeronaves, espaçonaves e partes: cerca de US$ 2,69 bilhões em 2024

A indústria aeronáutica brasileira também figura entre as exportadoras de destaque para os EUA. No ano de 2024, os embarques nessa categoria alcançaram cerca de US$ 2,69 bilhões, especialmente de empresas como a Embraer.

5. Café, chá, mate e especiarias: cerca de US$ 1,94 bilhão exportados em 2024

O agronegócio tradicional continua marcando presença: produtos como café, chá e especiarias renderam cerca de US$ 1,94 bilhão em exportações aos EUA em 2024. O fluxo atende à demanda americana por alimentos e commodities agrícolas.

6. Celulose, polpa e materiais fibrosos de madeira: cerca de US$ 1,69 bilhão em 2024

Produtos florestais, madeira e celulose também têm seu espaço: em 2024, a exportação dessas categorias alcançou cerca de US$ 1,69 bilhão. Isso demonstra a importância do setor madeireiro e papel e celulose no comércio com os EUA, abastecendo mercados como papel, madeira processada e matéria-prima industrial.

7. Madeira, carvão vegetal e artefatos de madeira: cerca de US$ 1,62 bilhão em 2024

Além da celulose, madeira bruta, carvão vegetal e produtos derivados compõem a pauta de exportações para os EUA, somando cerca de US$ 1,62 bilhão em 2024, extraídas de florestas plantadas, serrarias e indústrias madeireiras brasileiras.

8. Equipamentos elétricos e eletrônicos: cerca de US$ 1,41 bilhão em 2024

O setor de eletrônicos e equipamentos elétricos também exporta um alto valor: em 2024, os embarques para os EUA nessa categoria foram de cerca de US$ 1,41 bilhão. Assim, apesar de não representarem uma grande parcela, os produtos de valor agregado ainda influenciam as exportações brasileiras.

9. Alimentos preparados de frutas, vegetais e nozes: cerca de US$ 1,25 bilhão

Produtos alimentícios processados à base de frutas, vegetais ou nozes, destinados ao mercado americano, geraram aproximadamente US$ 1,25 bilhão em exportações em 2024.

10. Carnes e miúdos comestíveis: cerca de US$ 1,07 bilhão exportados em 2024

O setor de carnes e produtos de miúdos também figura entre as exportações relevantes para os EUA. Em 2024, essa categoria alcançou cerca de US$ 1,07 bilhão.

Quais estados brasileiros mais exportam para os Estados Unidos?

1. São Paulo: líder com aproximadamente US$ 13,6 bilhões exportados em 2024

São Paulo representa cerca de 33,6% de tudo que o Brasil exportou aos Estados Unidos no ano.

Os principais produtos exportados paulistas para os EUA: 

  • máquinas e equipamentos industriais;
  • suco de frutas e produtos agrícolas processados;
  • aeronaves e partes aeronáuticas (pela indústria aeroespacial paulista);
  • além de óleos combustíveis, açúcar e produtos agroindustriais.

Rio de Janeiro: cerca de US$ 7,4 bilhões exportados em 2024

O Rio de Janeiro ocupa a segunda posição com cerca de 18,4% do total exportado ao mercado americano. A pauta fluminense é fortemente marcada por óleo bruto de petróleo, produtos semiacabados de ferro e aço, e óleos combustíveis/petróleo refinado, reflexo da forte presença do setor energético e petroquímico no estado. 

Minas Gerais: cerca de US$ 4,6 bilhões exportados

Minas Gerais aparece em terceiro lugar no ranking de 2024. O estado exporta principalmente minério de ferro / ferro-gusa, produtos siderúrgicos e semiacabados de metal, além de produtos da agroindústria, como café não torrado.

Espírito Santo: cerca de US$ 3,1 bilhões exportados

O Espírito Santo ocupa a quarta posição no ranking nacional de exportações para os EUA. Entre os principais produtos exportados se destacam semiacabados de ferro e aço, cal, cimento e materiais de construção, e também celulose e insumos florestais, aproveitando os recursos naturais e a indústria madeireira/pecuária local.

Rio Grande do Sul: aproximadamente US$ 1,85 bilhão

O estado gaúcho aparece entre os dez maiores exportadores ao mercado americano. Suas exportações para os EUA concentram-se em produtos de metalurgia e aço, calçados e artigos de couro, e segmentos da indústria alimentícia ou agrícola conforme a safra.

Santa Catarina: cerca de US$ 1,74 bilhão

Santa Catarina fecha a lista dos seis maiores exportadores em 2024. O estado tem tradicional destaque nas exportações de madeira serrada, móveis e artefatos de madeira, calçados e artigos de couro, além de bens manufaturados de menor escala ou peças industriais especializadas.

Qual a tendência das exportações brasileiras para os EUA em 2026?

Reforço das exportações de commodities energéticas devido à demanda e volatilidade global

Nos últimos anos, a participação do petróleo bruto e de combustíveis minerais nas exportações brasileiras para os EUA aumentou e a tendência é que esse movimento continue em 2026. 

A demanda norte-americana por petróleo estrangeiro pode se manter em alta devido a oscilações na produção interna e aos ajustes na política energética. Além disso, tensões geopolíticas continuam afetando a oferta mundial, abrindo espaço para fornecedores com boa previsibilidade de entrega. 

Nesse cenário, o Brasil tende a manter posição firme, especialmente graças ao avanço da produção em águas profundas e aos investimentos em infraestrutura logística nos portos.

Crescimento das exportações agroalimentares com foco em proteína animal, soja e derivados

O setor agroalimentar deve continuar como um dos motores das exportações brasileiras. Em 2026, uma combinação de fatores, como produtividade elevada, investimentos em rastreabilidade, adoção de certificações sanitárias mais rígidas e ampliação de mercados premium, deve fortalecer o desempenho de carnes, soja, óleo vegetal, café e frutas processadas

A tendência é que os EUA intensifiquem a compra de produtos que atendam a padrões ambientais e de sustentabilidade, favorecendo exportadores brasileiros que já têm investido em monitoramento de carbono, boas práticas agrícolas e tecnologia para redução de impacto ambiental.

Expansão de bens manufaturados e de maior valor agregado

Embora as commodities dominem a pauta, as previsões sugerem que produtos industrializados e tecnológicos podem ganhar força em 2026. 

Itens como aeronaves, peças aeroespaciais, máquinas industriais, autopeças e equipamentos médicos devem registrar incremento, especialmente à medida que empresas brasileiras se inserem em cadeias de suprimento norte-americanas que buscam diversificação pós-pandemia. 

A demanda dos EUA por fornecedores confiáveis fora da Ásia abre oportunidades para setores brasileiros com alta capacidade de nicho e inovação, o caso da indústria aeronáutica é o exemplo mais evidente.

Exigências ambientais e sociais influenciando o perfil das exportações

Uma das tendências mais fortes para 2026 envolve a ampliação das exigências de compliance ambiental e social impostas pelo governo dos EUA e por importadores privados. 

Isso inclui rastreamento da cadeia produtiva, comprovação de redução de emissões, controle de desmatamento e certificações de bem-estar animal. Exportadores brasileiros que não se adaptarem podem encontrar barreiras comerciais ou preferência reduzida

Por outro lado, empresas que adotam boas práticas ambientais e relatórios ESG robustos podem ter vantagem competitiva e ganhar espaço no mercado.

Logística mais eficiente e digitalizada impulsionando competitividade

A digitalização de portos, novas rotas para o transporte de granéis, aumento da capacidade ferroviária e investimentos em armazenagem devem impactar positivamente os custos de exportação

Essa evolução melhora prazos, previsibilidade e segurança, atributos altamente valorizados pelo mercado norte-americano. Quanto mais o Brasil reduzir gargalos logísticos, maior será a sua competitividade perante outros fornecedores globais.

Crescimento do comércio digital e serviços correlacionados

Outra tendência relevante é o aumento das exportações de serviços e produtos vinculados ao comércio digital, como softwares, consultoria tecnológica, games e soluções de TI

Apesar de ainda representarem pequena fatia na balança, esses segmentos registram evolução contínua e podem se beneficiar da alta demanda dos EUA por tecnologia especializada. A aproximação do Brasil com hubs de inovação norte-americanos também abre oportunidades para startups exportarem conhecimento e tecnologia.

Possível impacto de mudanças tarifárias e acordos bilaterais

Decisões de política comercial dos EUA, como ajustes tarifários, revisões de acordos setoriais, incentivos à produção local e eventuais barreiras regulatórias, podem influenciar o volume exportado em 2026

Analistas apontam que o período será marcado por negociações envolvendo temas como agricultura, energia limpa, insumos industriais e produtos de alto valor agregado. Exportadores brasileiros precisam acompanhar essas movimentações para adaptar estratégias, ajustar preços e buscar certificações necessárias para garantir acesso preferencial.

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Resumindo

Quais produtos o Brasil mais exporta para os EUA?

– Aeronaves e partes;
– petróleo bruto e combustíveis;
– café e derivados;
– sucos de frutas (principalmente suco de laranja);
– carne bovina e aves;
– celulose;
– minério de ferro;
– soja e seus derivados;
– açúcar/álcool;
– produtos manufaturados como autopeças, calçados e móveis.

Quais estados mais exportam para os EUA?

Os 10 estados brasileiros que mais exportam para os Estados Unidos são: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Ceará, Bahia e Pernambuco.