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O Comitê de Política Monetária (Copom) optou por manter a taxa básica de juros (Selic) em 15%. A decisão ocorre em meio às preocupações com o ritmo da atividade econômica, apesar da recente desaceleração da inflação e da valorização cambial.
Apesar do fim do ciclo de alta da taxa básica de juros, a decisão reforça a postura conservadora do Banco Central, refletindo a necessidade de demonstrar compromisso com o controle inflacionário. De modo geral, o Copom optou por um comunicado “duro”, para desfazer, ao menos por ora, as expectativas em torno de um corte de juros em dezembro deste ano.
Reunião do Copom traz impacto para a economia nacional
O Banco Central do Brasil decidiu, por meio do Comitê de Política Monetária, pela manutenção da taxa básica de juros brasileira, a Selic.
Apesar da diminuição relativa dos riscos inflacionários no segundo trimestre, como, por exemplo, a estabilidade cambial, perto de R$5,55, níveis mais valorizados do que aqueles observados em dezembro quando o dólar chegou a ser cotado acima de R$6,30, e os sinais relativamente claros de desaceleração da economia, o Copom manteve uma postura conservadora. Embora os riscos inflacionários sejam virtualmente menos intensos, outros fatores continuam a ameaçar o cumprimento da meta de inflação este ano.
A decisão de manter a taxa de juros inalterada garantirá uma política monetária bastante restritiva, razão pela qual podemos atribuir parte do aumento do percentual de famílias e empresas inadimplentes.
Em junho de 2025 o percentual de pessoas físicas inadimplentes junto às instituições do Sistema Financeiro Nacional (SFN) chegou a 4,3%, o maior nível desde maio de 2016.
Apesar dos descumprimentos recentes das metas de inflação, a taxa real de juro segue significativamente elevada, o que deve continuar influenciando negativamente o ritmo de atividade econômica do país.
A decisão de manter os juros reflete, portanto, o fato de a taxa de juros já estar em nível significativamente alto. Em junho, a decisão foi de um aumento de 0,25%.
Qual o impacto no dólar depois da reunião do Copom
Os impactos da decisão do Copom hoje sobre o mercado de câmbio devem ser relativamente moderados por diversos motivos:
- Parte do movimento de valorização da moeda brasileira registrado nas últimas semanas já está relacionada ao nível da taxa básica de juros doméstica. Ou seja, apesar da expectativa de que o Copom mantenha a Selic inalterada, o nível já é suficientemente elevado para garantir um movimento de valorização do real.
- Essa valorização do real decorrente da taxa de juros doméstica, no entanto, estará condicionada às questões internacionais. A taxação americana de 50% nos produtos importados do Brasil, que se inicia em agosto, deve trazer alta volatilidade ao câmbio brasileiro.
Portanto, a manutenção da taxa Selic, embora positiva para o Real, pode não trazer impactos imediatos ao dólar, uma vez que na avaliação dos agentes do mercado financeiro as questões externas pesam bastante sobre o mercado de câmbio neste momento.
Além da sobreposição das questões externas sobre os dados da economia doméstica, a manutenção da Selic para este mês já era a aposta majoritária do mercado financeiro. Em outras palavras, no jargão do mercado, essa manutenção dos juros já havia sido precificada pelos agentes..
O que muda no Brasil com os dados da reunião do Copom
Apesar das apostas da Selic em torno de 15% ao longo de todo o segundo semestre, a expectativa é de que a economia siga relativamente resiliente, refletindo o bom momento do mercado de trabalho e o crescimento do agronegócio neste ano.
Apesar dessa resiliência, o aumento da Selic para patamares muito elevados começou a refletir nos dados de atividade econômica. Parte importante do crescimento do primeiro trimestre esteve associada ao desempenho sazonal do agronegócio. A expectativa é de que a economia doméstica cresça em ritmo mais moderado nos próximos meses.
O IBC-Br de maio, por exemplo, mostrou queda de 0,7% na atividade econômica. Além disso, o boom do agronegócio no início do ano já ficou para trás.
No que diz respeito aos investimentos financeiros, a elevação da Selic segue garantindo bons rendimentos para investimentos em renda fixa e de opções mais conservadoras, como as aplicações em poupança, cujos rendimentos foram significativamente majorados desde o início do ciclo de aumentos da taxa básica de juros.
Próxima reunião do Copom
O Copom deixou claro na última reunião, realizada nos dias 29 e 30 de julho, que a luta contra a inflação continua. A autoridade monetária brasileira se diz vigilante em relação ao comportamento dos preços e disse que decisões futuras estariam condicionadas à evolução dos preços e da economia.
A próxima reunião do COPOM acontece nos dias 16 e 17 de setembro e deve contar com a manutenção da taxa Selic em 15% ao ano. O comunicado e a ata da reunião deste mês não forneceram pistas sobre os próximos passos do comitê. O colegiado se limitou a dizer que novos ajustes serão realizados caso seja necessário.
A nossa expectativa é de que o comitê mantenha a Selic em 15% ao menos até novembro de 2025.
Seguimos de olho!