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Como funciona o sistema de saúde pública no Japão?

Saiba como japoneses e estrangeiros utilizam o seguro de saúde público japonês para consultas, tratamentos e outros serviços médicos.

Paciente sendo atendido no sistema de saúde pública no Japão.
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O sistema de saúde pública no Japão é universal e obrigatório. Desde 1961, todo residente legal, japonês ou estrangeiro, precisa estar vinculado a um seguro de saúde público, que cobre cerca de 70% das despesas médicas, enquanto o restante é pago pelo paciente por meio de uma mensalidade e de uma coparticipação no atendimento.

Neste artigo, você vai entender como funciona o sistema de saúde japonês na prática, quem tem direito à cobertura, quanto custa, quais serviços são oferecidos e como ele se compara ao SUS brasileiro.

Como funciona o sistema de saúde pública no Japão?

O sistema de saúde japonês é baseado em dois pilares: seguro de saúde obrigatório e livre escolha do local de atendimento. Assim, cidadãos e residentes podem procurar a clínica ou hospital de sua preferência, sem necessidade de encaminhamento na maioria dos casos.

O sistema é financiado por contribuições dos segurados, empregadores e governo. No atendimento, o paciente paga apenas uma coparticipação, geralmente de 30% do valor, enquanto o seguro cobre o restante.

Quem pode utilizar o sistema de saúde pública no Japão?

O sistema de saúde pública no Japão é destinado a todos os residentes legais no país. Isso inclui cidadãos japoneses e estrangeiros com visto de permanência superior a três meses, que devem se inscrever em um dos programas de seguro de saúde obrigatórios.

Médico visitando paciente no leito.
O Japão possui um sistema de saúde eficiente, com cobertura ampla para moradores e residentes legais.

Turistas podem usar o sistema de saúde pública no Japão?

Não. Turistas não podem usar o sistema de saúde pública no Japão, pois ele é exclusivo para residentes vinculados a planos de saúde locais. Nesses casos, o atendimento ocorre na rede privada, onde hospitais e clínicas recebem estrangeiros normalmente, inclusive em emergências.

Custos para quem não é residente

Quem não é residente no Japão paga o valor integral do atendimento médico. Em hospitais e clínicas, é comum que seja necessário apresentar um seguro viagem ou realizar um pagamento antecipado antes de iniciar o tratamento, principalmente em casos de emergência.

Veja alguns valores cobrados :

  • Consulta médica: 13.000 JPY
  • Exame de sangue: 2.200 JPY
  • Eletrocardiograma: 11.000 JPY
  • Hospitalização (por dia): 10.000 a 30.000 JPY
  • Cirurgia de pequeno porte: 300.000 a 500.000 JPY
  • Cirurgia de grande porte (como tratamento de câncer): mais de 1.000.000 JPY

Quais são os tipos de seguro de saúde no Japão?

No Japão, o sistema de saúde é organizado em diferentes tipos de seguro público obrigatório, que variam de acordo com a situação profissional e a idade do residente. Veja os principais abaixo:

  • Shakai Hoken (Seguro de Saúde para Empregados): obrigatório para quem tem emprego formal. O custo é dividido entre empregado e empregador e oferece cobertura médica ampla;
  • Kokumin Kenko Hoken (Seguro Nacional de Saúde): voltado para autônomos, estudantes e desempregados. A mensalidade é definida com base na renda declarada;
  • Kōki Kōreisha Iryō Seido (Seguro para Idosos): específico para pessoas acima de 75 anos, ou aqueles com mais de 65 anos com deficiência comprovada;
  • Kaigo Hoken (Seguro de Cuidados de Longa Duração): obrigatório a partir dos 40 anos, destinado a financiar cuidados e assistência a idosos e pessoas com dependência.

Quanto custa utilizar o sistema de saúde japonês?

Na maior parte dos atendimentos, o paciente paga uma coparticipação de 30% do valor da consulta, exame, internação ou tratamento, enquanto o restante é coberto pelo seguro de saúde. 

Esse percentual varia conforme a idade e, em alguns casos, a renda, além de existir um teto mensal de gastos que limita as despesas médicas do segurado.

Coparticipação de 30%

A coparticipação de 30% é a taxa padrão a partir dos 6 anos até os 69 anos. Na prática: um exame que custa 10 mil ienes, o paciente paga 3 mil ienes no balcão, e o seguro cobre o restante. 

Percentuais para idosos e crianças

A taxa de coparticipação varia conforme a idade e, para os idosos, também pode depender da renda:

  • Até 6 anos: 20%;
  • 70 a 74 anos: 20%, podendo chegar a 30% para pessoas com renda mais alta.
  • 75 anos ou mais: 10% para beneficiários do Kōki Kōreisha, podendo subir para 30%, conforme a renda.

Limite máximo de gastos mensais

O Japão tem um sistema de alto custo médico, chamado Kōgaku Ryōyōhi, que limita o quanto uma pessoa paga em atendimento hospitalar por mês, mesmo em tratamentos caros. 

Como exemplo, alguém com renda anual média (entre 3,7 e 7,7 milhões de ienes) que precise de um tratamento de 1 milhão de ienes paga, no total, cerca de 87 mil ienes, um valor  bem abaixo dos 30% que a coparticipação padrão representaria.

Quais serviços são cobertos pelo sistema público de saúde?

O sistema público de saúde cobre uma ampla variedade de serviços médicos essenciais, normalmente com coparticipação do paciente. Entre os principais estão:

  • Cuidados preventivos;
  • Atendimento hospitalar;
  • Atendimento ambulatorial;
  • Assistência à maternidade (partos de emergência e cesarianas são cobertos);
  • Atenção primária;
  • Medicamentos e produtos farmacêuticos;
  • Cuidados odontológicos;
  • Serviços de saúde mental;
  • Cuidados paliativos;
  • Cuidados de longa duração;
  • Cuidados de reabilitação;
  • Visitas domiciliares.

O que o sistema de saúde japonês não cobre?

O seguro público de saúde do Japão não cobre alguns procedimentos considerados eletivos ou sem indicação médica. Entre eles estão:

  • Procedimentos estéticos;
  • Check-ups voluntários de rotina, como o ningen dock;
  • Tratamentos odontológicos estéticos, incluindo parte da ortodontia;
  • Aconselhamento com psicólogos clínicos em consultório particular;
  • Parto normal (sem complicações);
  • Óculos, lentes de contato, LASIK, correção de visão;
  • Alguns procedimentos de fertilidade avançados/experimentais;
  • Vacinas não obrigatórias para viagens internacionais;
  • Diferença de custo para quarto particular durante a internação.

Como se cadastrar no sistema de saúde pública no Japão?

O cadastro no sistema de saúde pública no Japão depende da situação de residência e trabalho no país.

Quem possui emprego formal é inscrito automaticamente no Shakai Hoken pela empresa empregadora. Nesse caso, o desconto das contribuições é feito diretamente na folha de pagamento e, após o registro, o trabalhador recebe o cartão do seguro de saúde Kenko Hokensho.

estudantes, autônomos, desempregados e pessoas sem vínculo empregatício devem se inscrever no Kokumin Kenko Hoken na prefeitura da cidade onde moram. Isso, normalmente, precisa ser feito em até 14 dias após estabelecer residência ou mudar o status de permanência.

O processo costuma seguir estas etapas:

  1. Ir à prefeitura (shiyakusho) da cidade onde mora;
  2. Fazer o registro no setor de seguro de saúde;
  3. Apresentar documentos como o Zairyu Card (cartão de residência), passaporte, My Number e Hanko;
  4. Preencher o formulário de inscrição;
  5. Receber o cartão de seguro;
  6. Começar a pagar as mensalidades via boleto ou débito.

Como funciona o atendimento médico no Japão?

O atendimento médico no Japão é dividido entre clínicas e hospitais. Para problemas de saúde mais simples, o primeiro contato costuma ser através da clínica de bairro, que geralmente atende por ordem de chegada ou com agendamento. Em geral, o tempo de espera costuma variar de 30 minutos a 2 horas. 

Médicos analisando prontuário no hospital.
O sistema japonês garante assistência médica ampla com participação dos pacientes nos custos.

Já os hospitais são destinados a casos mais complexos e, em muitos casos, exigem encaminhamento de um médico. Em situações de emergência, basta ligar para o 119 para solicitar uma ambulância. O transporte é gratuito, mas os custos do atendimento hospitalar continuam sujeitos às regras do sistema de saúde e à coparticipação prevista pelo seguro. 

O sistema de saúde do Japão é gratuito?

O sistema de saúde do Japão é universal, mas não gratuito. Todos os residentes devem estar inscritos em um seguro de saúde obrigatório e pagar uma mensalidade, cujo valor varia conforme a idade, o salário e a renda.

Além disso, o paciente precisa pagar uma coparticipação de cerca de 30% do valor da maioria dos serviços médicos, incluindo consultas, exames, internações e medicamentos, enquanto o seguro cobre os 70% restantes.

Há exceções em alguns programas de saúde pública, como ações de prevenção de doenças infecciosas e parte da assistência materno-infantil. Crianças e idosos podem pagar uma coparticipação menor, e o governo estabelece um limite para os gastos médicos mensais.

Sistema de saúde do Japão x SUS: quais são as diferenças?

Embora os dois sistemas tenham como objetivo garantir acesso à saúde, eles funcionam de maneiras bem diferentes. No Brasil, o SUS é financiado por impostos e oferece atendimento sem cobrança direta ao paciente.

no Japão, os residentes devem contratar um seguro de saúde obrigatório, pagar uma contribuição mensal e parte dos custos de consultas, exames e medicamentos. Veja abaixo as principais diferenças entre os dois sistemas:

AspectoSistema de saúde do JapãoSUS (Brasil)
Quem pode usarResidentes inscritos em um seguro de saúde público ou vinculado ao empregadorQualquer pessoa em território brasileiro
CoberturasUniversal para residentes inscritos no seguro obrigatórioUniversal e disponível para toda a população
CustosO paciente paga, em geral, de 10% a 30% do valor das consultas, exames e tratamentos. O restante é coberto pelo seguroNão há cobrança para o atendimento
Tempo de atendimentoConsultas e exames costumam ter menor tempo de espera, embora varie conforme a região e o hospitalO tempo varia conforme a região e a especialidade, podendo haver filas para consultas e procedimentos eletivos
Tratamentos cobertosConsultas, exames, internações, cirurgias, medicamentos e diversos tratamentos considerados necessáriosConsultas, exames, vacinas, internações, cirurgias, transplantes, medicamentos e diversos programas de prevenção e tratamento

Brasileiros que moram no Japão precisam contratar seguro de saúde?

Sim, brasileiros que moram no Japão precisam ter um seguro de saúde. A inscrição no sistema de saúde japonês é obrigatória para residentes estrangeiros que permanecem no país por mais de três meses.

Essa cobertura garante acesso a consultas, exames e internações com custos reduzidos. Sem o seguro de saúde, o morador precisa pagar o valor integral dos serviços médicos, que pode ser bastante elevado. 

Perguntas frequentes

O sistema de saúde do Japão é gratuito?

O sistema de saúde do Japão é universal, mas não gratuito. Todos os residentes devem ter um seguro de saúde obrigatório e pagar uma contribuição mensal conforme a renda e a idade. Na maioria dos atendimentos, o paciente paga cerca de 30% dos custos médicos, enquanto o seguro cobre os 70% restantes.

Quem pode utilizar o sistema de saúde pública no Japão?

O sistema de saúde pública no Japão é destinado a todos os residentes legais. Isso inclui tanto cidadãos japoneses quanto estrangeiros que possuam visto de permanência acima de três meses. Para ter acesso, é necessário estar inscrito em um dos sistemas obrigatórios de seguro de saúde do país.

Como funciona o atendimento médico no Japão?

O atendimento médico no Japão é feito principalmente em clínicas para casos simples e em hospitais para situações mais complexas, geralmente com encaminhamento médico. Em emergências, basta ligar para 119 para chamar uma ambulância gratuita, e o atendimento segue as regras do seguro de saúde com coparticipação.

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