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O Comitê de Política Monetária (Copom) optou pela manutenção da taxa básica de juros (Selic) em 15% nesta quarta-feira (17). A decisão ocorre em meio às preocupações com o ritmo da inflação, que apesar da desaceleração ainda permanece acima do teto da meta.
A manutenção da taxa básica de juros deve reforçar a postura conservadora do Banco Central, refletindo a necessidade de demonstrar compromisso com o controle inflacionário. De modo geral, o Copom optou por um comunicado “duro”, mas que abriu caminho para a interpretação de que um corte de juros pode acontecer já em 2025, em dezembro.
Reunião do Copom em setembro traz impacto para a economia nacional
O Comitê de Política Monetária decidiu nesta quarta-feira (17) pela manutenção da taxa básica de juros brasileira, a Selic.
Apesar da diminuição relativa dos riscos inflacionários no segundo semestre, como, por exemplo, a estabilidade cambial, perto de R$5,40 e os claros sinais de desaceleração da economia, o Copom manteve uma postura conservadora. Afinal, embora os riscos inflacionários sejam virtualmente menores, é improvável que o país cumpra a meta de inflação neste e no próximo ano.
A decisão de manter a taxa de juros inalterada garantirá uma política monetária bastante restritiva, razão pela qual diversas empresas brasileiras entraram com pedido de recuperação judicial ao longo dos últimos anos.
O Copom manteve a taxa Selic inalterada no maior nível nominal em cerca de 19 anos. Apesar dos descumprimentos recentes das metas de inflação, a taxa real de juro segue significativamente elevada.
A decisão de manter os juros reflete, portanto, o fato de a taxa de juros já estar em nível significativamente alto. Em julho, a decisão foi de manutenção da taxa em 15% ao ano.
Qual o impacto no dólar depois da reunião do Copom em setembro
Os impactos da decisão do Copom hoje sobre o mercado de câmbio devem ser relativamente moderados por diversos motivos:
- Parte do movimento de valorização da moeda brasileira registrado nas últimas semanas já está relacionada ao nível da taxa básica de juros doméstica. Ou seja, apesar da expectativa de que o Copom mantenha a Selic inalterada, o nível já é suficientemente elevado para garantir um movimento de valorização do real.
- Essa valorização do real decorrente da taxa de juros doméstica, no entanto, estará condicionada às questões internacionais. A expectativa de que o Fed inicie o ciclo de cortes de juros este mês e a possibilidade de novos cortes nas reuniões remanescentes de 2025 também abrem caminho para que o real se valorize.
Portanto, a manutenção da taxa Selic, embora positiva para o Real, pode não trazer impactos imediatos ao dólar, uma vez que na avaliação dos agentes do mercado financeiro as questões externas pesam bastante sobre o mercado de câmbio neste momento.
Além da sobreposição das questões externas sobre os dados da economia doméstica, a manutenção da Selic para este mês já era a aposta majoritária do mercado financeiro. Em outras palavras, no jargão do mercado, essa manutenção dos juros já havia sido precificada pelos agentes.
O que muda no Brasil com os dados da reunião do Copom em Setembro
Apesar das apostas da Selic em torno de 15% ao longo de todo o segundo semestre, a expectativa é de que a economia siga relativamente resiliente, refletindo o bom momento do mercado de trabalho e o crescimento do agronegócio neste ano.
Apesar dessa resiliência, o aumento da Selic para patamares muito elevados começou a refletir nos dados de atividade econômica. Parte importante do crescimento do primeiro trimestre esteve associada ao desempenho sazonal do agronegócio. A expectativa é de que a economia doméstica cresça em ritmo mais moderado nos próximos meses.
O IBC-Br de julho, por exemplo, mostrou queda de 0,53% na atividade econômica, o terceiro recuo mensal consecutivo.
No que diz respeito aos investimentos financeiros, a elevação da Selic segue garantindo bons rendimentos para investimentos em renda fixa e de opções mais conservadoras, como as aplicações em poupança, cujos rendimentos foram significativamente majorados desde o início do ciclo de aumentos da taxa básica de juros.
Próxima reunião do Copom
O Copom deixou claro na nesta reunião, realizada nos dias 16 e 17 de setembro, que a luta contra a inflação continua. A autoridade monetária brasileira se diz vigilante em relação ao comportamento dos preços e disse que decisões futuras estariam condicionadas à evolução dos preços e da economia.
A próxima reunião do COPOM ocorrerá nos dias 04 e 05 de novembro e deve contar com nova manutenção da taxa Selic em 15%. O comunicado e a ata da reunião deste mês não devem fornecer pistas sobre os próximos passos do comitê. O colegiado deve se limitar a dizer que novos ajustes serão realizados caso seja necessário.
A nossa expectativa é de que o comitê mantenha a Selic em 15% ao menos até novembro.
Seguimos de olho!